O paulistano Marcos Muzzi, de 51 anos, conquistou no último domingo, o título de melhor tiramisù do mundo na categoria receita original da Tiramisù World Cup, competição realizada em Treviso, na Itália. O brasileiro superou cerca de 320 concorrentes de 34 países com uma preparação que segue a receita tradicional da sobremesa, feita com seis ingredientes. A vitória veio após dois anos dedicados ao aperfeiçoamento do doce, que faz parte de sua história familiar.
Engenheiro de alimentos e morador do bairro da Saúde, na Zona Sul de São Paulo, Muzzi não tem formação profissional em confeitaria. A cozinha, no entanto, ocupa um espaço importante em sua trajetória. De família italiana, ele aprendeu a cozinhar ainda jovem, e o tiramisù, uma das sobremesas mais conhecidas da gastronomia do país europeu, esteve presente nos almoços familiares de fim de semana.
A conquista internacional também se insere em um percurso que inclui participações em competições culinárias, estudos sobre alimentos e o desenvolvimento de projetos próprios. Além da cozinha, o paulista se dedica à criação de abelhas nativas sem ferrão e à cerâmica, atividades que dividem espaço com o interesse pela gastronomia.
A preparação que levou Muzzi ao título foi desenvolvida ao longo de dois anos. Na categoria receita original, os participantes precisam respeitar a composição clássica do tiramisù, sem acrescentar ingredientes à fórmula tradicional.
A receita reúne queijo mascarpone, ovos, açúcar, biscoitos savoiardi — conhecidos no Brasil como biscoitos champanhe —, café e cacau em pó. A combinação de creme e biscoitos embebidos em café é a base da sobremesa italiana.
Antes de chegar à final internacional, Muzzi passou por etapas classificatórias no Brasil. O percurso incluiu uma disputa em Campinas, em 2025, uma etapa intermediária no Rio de Janeiro e a fase nacional, realizada em junho de 2026. A classificação garantiu ao paulista uma vaga no campeonato em Treviso, cidade do Vêneto associada à história do tiramisù.
A edição deste ano reuniu participantes de diferentes países. Nas primeiras rodadas, os candidatos foram avaliados por um júri popular de 130 pessoas, selecionadas por meio de um teste on-line sobre as regras e a história da sobremesa. As semifinais e a final ficaram a cargo de um corpo de jurados formado por especialistas e chefs profissionais.
Experiência em competições culinárias
A Tiramisù World Cup não foi a primeira competição gastronômica da qual Muzzi participou. Em 2024, ele esteve no programa Que Seja Doce, exibido pelo canal GNT, no episódio 39 da décima temporada.
Embora não tenha formação profissional como confeiteiro, o paulista investe em cursos livres relacionados à gastronomia. Entre seus estudos estão a análise sensorial de mel e de café, área dedicada à avaliação de características como aroma, sabor e textura. No caso do café, a formação é certificada pela Specialty Coffee Association (SCA).
A vitória na Itália também se relaciona aos planos de desenvolver uma marca própria de confeitaria. O projeto vinha sendo preparado antes da competição, mas o foco na disputa internacional adiou os planos comerciais. A previsão divulgada é que o negócio seja lançado no primeiro trimestre de 2027.
Quem é Marcos Muzzi, brasileiro que conquistou o título de melhor tiramisù do mundo na Itália
