A reunião do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com uma nova geração de parlamentares da esquerda, nesta quarta-feira, marcou o início de uma tentativa de mudar não apenas a estratégia digital de sua campanha, mas também o discurso adotado na disputa contra Flávio Bolsonaro. O encontro expôs diferenças entre a forma como integrantes mais antigos do PT enxergam a campanha e a avaliação dos políticos mais jovens, que cobraram uma comunicação menos apoiada no passado e mais voltada para o que Lula pretende fazer em um eventual novo mandato.
Na avaliação de participantes da reunião, parte da ala mais tradicional do partido ainda está concentrada na defesa do legado dos governos petistas e das realizações acumuladas por Lula. Entre os mais jovens, porém, houve a percepção de que esse discurso, sozinho, não é suficiente para conquistar os votos necessários no segundo turno. A cobrança foi por uma campanha capaz de apresentar propostas para o futuro e se comunicar de forma mais direta com eleitores que hoje não estão mobilizados pelo presidente.
A pressão por mudanças na estratégia digital já vinha crescendo antes do encontro. Militantes e apoiadores de Lula têm feito críticas ao longa da campanha nas redes socais, com reclamações sobre a lentidão para reagir ao adversário, a linguagem usada nas publicações e a dificuldade de fazer conteúdos favoráveis ao presidente circularem para além das páginas oficiais. A reunião desta quarta-feira funcionou, nesse sentido, também como uma tentativa de incorporar à estrutura da campanha parte dessa insatisfação que já vinha sendo manifestada publicamente.
A diferença de gerações apareceu justamente na discussão sobre como responder a esse diagnóstico. Deputados e lideranças com forte presença digital fizeram um apelo por uma rápida modernização da comunicação da campanha e defenderam que a militância passe a receber materiais, argumentos e sugestões de conteúdo que possam ser adaptados e reproduzidos nos próprios perfis. A ideia é descentralizar parte da produção e multiplicar o número de pessoas falando em favor de Lula nas plataformas.
O próprio presidente começou a colocar a mudança em prática nesta quarta-feira. Lula gravou seu primeiro vídeo em formato de selfie e, depois da reunião, publicou novas gravações ao lado de parlamentares jovens que participaram do encontro.
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O movimento é visto como um primeiro sinal de disposição para adotar uma linguagem mais simples, direta e próxima daquela que circula diariamente nas redes sociais.
A discussão foi além do formato dos vídeos. Participantes afirmam que a estratégia para o segundo turno precisa se tornar mais efetiva e reagir com maior rapidez, inclusive na tentativa de desconstruir a imagem de Flávio Bolsonaro. O grupo “exército de Lula” criado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG) é uma das frentes consideradas, ao lado de outras iniciativas descentralizadas e movimentos que atuam fora da estrutura oficial da campanha.
Ao mesmo tempo, houve uma defesa de que Lula não faça uma campanha baseada apenas nos ataques ao adversário. Os parlamentares mais jovens argumentaram que o presidente precisa falar mais sobre o futuro e apresentar uma agenda capaz de responder a problemas concretos da população.
Medidas recentes, como a proibição das bets e o reajuste do Bolsa Família, foram citadas como exemplos de iniciativas que podem ser exploradas eleitoralmente, mas a defesa feita no encontro foi de uma presença maior da agenda econômica no centro da campanha.
Outro eixo considerado decisivo é a redução da abstenção, a prioridade será dialogar com quem não foi votar, anulou o voto ou votou em branco.
Dentro dessa estratégia, integrantes da campanha também discutem formas de reforçar o cumprimento das regras sobre transporte de eleitores e facilitar o comparecimento às urnas.
Apesar das críticas feitas à condução da campanha até agora, participantes dizem que Lula se mostrou confiante e animado durante o encontro.
Reunião de Lula com jovens eleitos redefine nova fase digital da campanha e expõe contraste de gerações
