O chairman e sócio do BTG Pactual, André Esteves, afirmou nesta segunda-feira que o aspecto institucional país o preocupa mais do que o desafio econômico ou fiscal, neste momento. Para ele, a questão econômica é mais fácil de ser resolvida pelo novo presidente eleito porque já possui fórmulas, caminhos e referências internacionais bem definidos. Mas perder a batalha institucional pode colocar o Brasil num patamar comprável ao México e à Rússia.
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— As dimensões fiscal e institucional andam juntas e não tem como ser totalmente separadas. Mas a frente institucional é a batalha principal. A sociedade e o setor produtivo não podem perder essa guerra institucional, pois, se perderem, o país iria para um lugar entre o México, a Rússia. Com todos os seus problemas, desafios e mazelas, o país é melhor do que isso — disse Esteves, que participou da 4ª edição do Seminário Brasil Hoje, realizado pelo Grupo Esfera, um grupo de estudos, pesquisas e debates independente, que reúne gempresários, CEOs e autoridades públicas para discutir o futuro do país. O banqueiro, em sua fala, não fez menção a nomes ou citou a crise que atinge o Supremo Tribunal Federal (STF) para falar sobre o temor do risco institucional.
André Esteves contextualizou esse risco dentro do que chamou de guerra do “Brasil institucional contra o Brasil não institucional”. Como exemplo do que não pode acontecer nessa degradação, ele citou setores regulares da economia que se tornaram 20% informais e “empresas inexpressivas que criaram rombos de dezenas de bilhões”.
Ele alertou que a guerra não está vencida e que a sociedade não pode descansar, pois perder essa batalha institucional significaria ir para esse patamar degradado.
Eleições no radar
Sobre as eleições presidenciais, André Esteves afirmou que o cenário é de empate virtual de 51% a 49%, tornando estatisticamente muito difícil uma definição no primeiro turno e indicando que a disputa irá para o segundo turno. Ele ressaltou que não é possível saber quem vencerá, embora a intenção de voto apareça ligeiramente favorável à direita.
Pesquisa Nexus/BTG, divulgada nesta segunda-feira (14), indica o presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 40% das intenções de voto. O candidato Flávio Bolsonaro (PL) soma 36%. O levantamento mostra o escritor Augusto Cury (Avante) com 7%, Ronaldo Caiado (PSD) com 4% e Renan Santos (Missão) com 4%. Pablo Marçal, que também teve o nome incluído na pesquisa, registra 2% das intenções, seguido de Romeu Zema (Novo) e Samara Martins (UP) com 1% cada.
Esteves enfatizou que qualquer candidato que vença herdará um país muito mais organizado do que em governos passados (como em 1994 ou 2002), contando com inflação entre 4% e 4,5%, US$ 370 bilhões em reservas cambiais e um mercado de capitais pujante.
Para ele, a busca do ajuste fiscal já tem um caminho científico comprovado, e buscar alternativas fora disso é “negacionismo econômico”.
— A premissa fundamental é parar de gastar mais do que se ganha, o que vale tanto para governos quanto para pessoas físicas e empresas.
Ele comparou a política econômica atual a dirigir um carro pisando no acelerador (expansão fiscal) e no freio (aperto monetário) ao mesmo tempo. E ao tirar o pé do acelerador, exige-se muito menos do freio
— O ajuste não precisa ser drástico: três ou quatro medidas simples seriam suficientes para equilibrar as contas, algo que deve ser tratado com racionalidade e responsabilidade social, e não como pauta ideológica de esquerda ou direita — disse.
Esteves considera a taxa de juros no patamar de 14% “sufocante e não civilizatória”, sendo ruim para empresas, setor bancário, mercado de capitais e infraestrutura. Ele defende a busca por um patamar de juros civilizatórios em torno de 7%.
— Isso causa um impacto profundo em toda a sociedade, atingindo diretamente a base da pirâmide. Essa queda (de juros) tem um efeito transformador superior a qualquer programa social, política governamental ou pequeno aumento no investimento público — avaliou.
Risco institucional do país preocupa mais do que risco fiscal, diz chairman do BTG Pactual
O chairman e sócio do BTG Pactual, André Esteves, afirmou nesta segunda-feira que o aspecto institucional país o preocupa mais do que o desafio econômico ou fiscal, neste momento. Para ele, a questão econômica é mais fácil de ser resolvida pelo novo presidente eleito porque já possui fórmulas, caminhos e referências internacionais bem definidos. Mas […]