O PL oficializou nesta sexta-feira, em convenção partidária, a candidatura do presidente da Assembleia Legislativa do Rio, Douglas Ruas, ao governo do estado. Ainda não há, contudo, a definição de quem será o vice da chapa. O posto ficou livre após o ex-prefeito de Nova Iguaçu Rogério Lisboa (PP) desistir. Aliado do presidenciável Flávio Bolsonaro, Ruas enfrentará na eleição fluminense o favoritismo do ex-prefeito Eduardo Paes (PSD), que lidera as pesquisas.
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A despeito de ter sido secretário no governo Cláudio Castro, Ruas criticou áreas da gestão:
— Temos indicadores pífios na área de Educação. Ainda temos muito a avançar na segurança, em emprego e renda — disse Ruas, que também avaliou que o número de secretarias na gestão era exagerado.
Em seu discurso, o presidente da Alerj também nacionalizou o discurso ao abordar a candidatura de Paes, apoiado pelo presidente Lula.
— Não queremos o candidato do PT à frente do estado do Rio de Janeiro. As pessoas não aguentam mais. Foram quatro anos de desmanche. O crime organizado avançou, restringiram a atuação da Polícia Militar e da Polícia Civil — alegou.
Em outro momento de menção ao jogo nacional, saudou o gesto de Flávio de pedir desculpas à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, de quem é enteado. Ambos participaram da cerimônia por ligação de vídeo.
Diante da dificuldade do partido em confirmar uma aliança com outras siglas de peso no Rio, há uma vaga para o Senado pendente. A outra é de Carlos Portinho, do próprio PL, que foi oficializado no evento partidário.
— É fundamental conseguirmos ter a maior bancada não só no Senado, mas também na Câmara — afirmou Portinho, que já é senador e tentará a reeleição.
Apesar de o partido ter comandado o Rio nos últimos anos, Flávio Bolsonaro disse, na ligação, que o estado está “sequestrado”.
— Grande abraço à seleção que está aí para resgatar o Rio de Janeiro, que hoje está sequestrado por narcoterroristas e pessoas que só pensam a todo momento em projetos de poder — afirmou.
Assim como Douglas Ruas, o presidenciável fez questão de associar Paes ao presidente Lula:
— Não podemos permitir que se crie um ‘bunker’ do PT no Rio de Janeiro.
Impasse na chapa
As incertezas na aliança aumentaram com o provável desembarque da federação União-PP. No início da semana, depois que Rogério Lisboa anunciou a saída, havia no partido do presidenciável Flávio Bolsonaro a expectativa de chegar à convenção com outro desenho definido, mas não foi o que aconteceu. Além da tendência de neutralidade da federação, que se dá em alinhamento com a recente posição nacional dos partidos, outra legenda cobiçada, o Republicanos, anunciou a candidatura do ex-governador Anthony Garotinho.
Embora o União Brasil mantenha a candidatura do ex-prefeito de Belford Roxo Márcio Canella ao Senado, o cenário é complexo. Preso em flagrante com um fuzil durante operação contra suposta lavagem de dinheiro por meio de postos de combustível, Canella passou a ser considerado inviável pelo PL, mas agora está livre da tornozeleira eletrônica após nova decisão do ministro Alexandre de Moraes.
Ao mesmo tempo, como a federação União-PP pode ficar neutra na disputa, ele não entraria oficialmente na chapa se a tendência for confirmada. O que ainda alimenta a esperança no PL é o fato de a federação ser comandada no Rio pelo presidente nacional do União, Antonio Rueda, pernambucano que mudou o domicílio eleitoral para o estado e será candidato a deputado federal — tendo Canella como principal cabo. Partiu do PP o movimento mais brusco de deixar a chapa de Ruas no estado.
Segundo o presidente estadual do PL, Altineu Côrtes, os dirigentes da federação garantiram nos últimos dias que permanecerão na aliança.
— Fazemos política honrando a palavra, e nós temos a palavra do deputado Luizinho, presidente do PP, e do Antonio Rueda, que é o presidente da federação: a federação estará aqui na coligação — afirmou.
Com as incertezas, a convenção foi protocolar, com falas breves e pouca festa. O partido planeja um evento maior em agosto, quando tiver saído desse período de baques políticos, que incluiu ainda as operações da Polícia Federal contra Cláudio Castro e derrotas na Justiça em relação ao processo de sucessão — o PL esperava que Ruas, uma vez eleito presidente da Alerj, virasse governador interino, mas o Supremo Tribunal Federal (STF) vem mantendo o desembargador Ricardo Couto.
Quem é Douglas Ruas
Aos 37 anos, Ruas é filho do prefeito de São Gonçalo, Capitão Nelson (PL). É considerado um quadro promissor do grupo político capitaneado pelo presidente estadual do partido, o deputado federal Altineu Côrtes.
Deputado estadual de segundo mandato, foi eleito presidente da Alerj em abril. Antes, comandou a Secretaria de Cidades no governo Cláudio Castro.
A candidatura ao Palácio Guanabara é uma jogada de risco. Caso perca, Ruas tende a ficar quatro anos sem mandato eletivo. Isso porque ele não poderia concorrer à prefeitura de São Gonçalo daqui a dois anos, já que o pai está à frente da cidade e as normas sobre nepotismo proíbem que um filho dispute o mesmo cargo.
