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outubro 8, 2026
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Sem a mesma confiança de outrora, Trump diz que pode ganhar o Nobel da Paz; veja quem são os mais cotados para o prêmio

Por · outubro 8, 2026
Sem a mesma confiança de outrora, Trump diz que pode ganhar o Nobel da Paz; veja quem são os mais cotados para o prêmio


O presidente dos EUA, Donald Trump, se apresentou mais uma vez como um possível ganhador do Prêmio Nobel da Paz, que será anunciado nesta sexta-feira, mas com expectativas bem mais comedidas do que em outros anos. O republicano, que lançou uma guerra sem solução contra o Irã em fevereiro, aparece em posição desfavorável em listas de favoritos, bem atrás de organizações internacionais e alguns rivais políticos.
— Não sei qual será a decisão deles — disse Trump na quarta-feira a jornalistas na Casa Branca. — Eles têm fama de talvez não o concederem a pessoas como eu.
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Receber a honraria é uma espécie de obsessão do republicano, que permeia suas relações com líderes estrangeiros — de quem com frequência cobra sua indicação — e que levou a ameaças diretas à Noruega, país que abriga a comissão independente responsável pela indicação do vencedor: no ano passado, em mensagem ao premier Jonas Gahr Støre, disse que “não sentia mais uma obrigação de pensar puramente na paz” após ser preterido.
Mas Trump obteve dois prêmios de consolação: da vencedora do Nobel, a venezuelana María Corina Machado, ganhou a medalha concedida pela comissão (mas não o título); do presidente da Fifa, Gianni Infantino, ouviu que era o primeiro vencedor do Prêmio da Paz da Fifa, convenientemente criado meses antes da Copa do Mundo nos EUA. Em uma ironia do destino, a entrega ocorreu no Kennedy Center de Washington, fechado depois de ser considerado “uma grande ameaça” pelo líder americano e após uma batalha política e judicial.
Na visão de analistas e dos controversos mercados de previsões — no ano passado, uma investigação foi aberta sobre o vazamento da escolha de María Corina —, Trump não aparece entre os favoritos. As listas nem sempre correspondem à realidade, e surpresas fazem parte do processo. Confira alguns dos nomes mais cotados.
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Serviços de Emergência da Ucrânia via AFP
Save Ukraine
Fundada pelo ex-chanceler da Ucrânia Mykola Kuleba, a organização se dedica desde 2014 a apoiar as crianças afetadas primeiro pela guerra civil no leste ucraniano e, atualmente, pelo conflito lançado pela Rússia em 2022. A ONG ajudou dezenas de milhares de famílias a escaparem da violência das linhas de frente e trabalhou pelo retorno de menores de idade levados de maneira ilegal para a Federação Russa, um trabalho que lhe rendeu reconhecimento internacional. A transferência irregular de crianças e adolescentes foi considerada um crime de guerra pelo Tribunal Penal Internacional, e motivou pedidos de prisão contra o presidente russo, Vladimir Putin, e contra a comissária russa para os direitos das crianças, Maria Lvova-Belova. Ambos seguem em liberdade.
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AFP
Salas de Resposta a Emergências do Sudão
Em uma guerra que provocou uma das maiores crises humanitárias do planeta, e que mesmo assim é ignorada por boa parte da comunidade internacional, essa rede composta por 700 “salas”, operadas por mais de 25 mil voluntários, oferece abrigo, alimentação, apoio a retiradas e reparos a infraestruturas básicas. A violência está sempre presente, e alguns de seus membros foram vítimas de assédio, tortura ou foram executados a sangue frio.
“Conceder o prêmio deste ano a uma iniciativa humanitária meritória, como as “Salas de Resposta a Emergências”, destacaria a importância crucial do acesso a ajuda que salva vidas em tempos de conflito, bem como o poder de cidadãos comuns de servir à humanidade em momentos difíceis”, escreveu Haakon Gjerløw, Diretor Interino do Instituto de Pesquisa para a Paz de Oslo (PRIO), que todo ano emite a mais respeitada lista de candidatos.
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Eyad Baba/AFP
Comitê para a Proteção de Jornalistas
Em tempos nos quais o trabalho de contar a história pode ser uma das funções mais perigosas do planeta, o Comitê atua em defesa de jornalistas em áreas de conflito — como na Faixa de Gaza, onde mais de 200 profissionais da imprensa morreram desde outubro de 2023 — e na promoção da imprensa independente em países autoritários. Como destacou Gjerløw, a escolha do Comitê “enviaria uma mensagem poderosa de que a paz e a democracia correm perigo se os jornalistas forem impedidos de manter o mundo informado”.
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Sede do Tribunal Penal Internacional em Haia
Laurens van PUTTEN / ANP / AFP
Tribunal Penal Internacional e Corte Internacional de Justiça
Sob ataque do trumpismo e nações aliadas, os dois órgãos são símbolos do sistema de leis internacionais — ou do que sobrou deles —, e responsáveis por decisões difíceis, como as ordens de prisão para Putin e o premier de Israel, Benjamin Netanyahu, e processos que mobilizam forças políticas, como B,sobre as acusações de genocídio em Gaza. Uma premiação aos tribunais é considerada difícil por especialistas, incluindo Gjerløw, seria um forte sinal de apoio ao sistema legal internacional, mas também provocaria forte oposição dos EUA, que ameaçam impor novas sanções aos tribunais em breve.
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O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, durante discurso no Parlamento Europeu
Jean-Christophe Verhaegen/AFP
Mark Carney
Eleito em grande parte como resposta dos eleitores às ameaças de Trump, o premier do Canadá, Mark Carney, foi um dos poucos líderes internacionais a “peitar” o tarifaço trumpista e o discurso agressivo do republicano. Em um discurso memorável na reunião do Fórum Econômico Mundial, em Davos, declarou que a ordem criada no pós-Segunda Guerra Mundial “estava chegando ao fim”, e que os países deveriam se unir contra a pressão das grandes potências, como os Estados Unidos. Caso seja escolhido, Carney seria o segundo primeiro-ministro do Canadá a receber o Nobel da Paz, quase 70 anos depois de Lester B. Pearson, e certamente não deixaria Donald Trump feliz em Washington.
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Papa Leão XIV saúda os fiéis do papamóvel no estádio Stade de France, em Saint-Denis, nos arredores de Paris, em 25 de setembro de 2026, ao chegar para conduzir uma vigília de oração com jovens, como parte de sua visita de quatro dias à França
Lou Benoist / AFP
Papa Leão XIV
Primeiro Pontífice nascido nos EUA, Leão XIV sucedeu Francisco, um papa cujo pontificado foi marcado por posições políticas firmes, e se manteve, à sua maneira, como um ator político influente. Ele alertou para os impactos humanos das guerras na Ucrânia e em Gaza, onde defendeu o fim imediato da “barbárie”. Também criticou a ofensiva de EUA e Israel contra o Irã, em fevereiro, e foi chamado de “fraco” por Donald Trump, recebendo o apoio de outros líderes, como a premier da Itália, Giorgia Meloni. No mês passado, voltou a ser alvo de conservadores depois de declarar que as ideias da extrema direita não são uma “expressão autêntica do cristianismo”.

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