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outubro 30, 2026
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Sua profissão define quem você é? O que Bruna Marquezine nos faz pensar

Por · outubro 30, 2026
Sua profissão define quem você é? O que Bruna Marquezine nos faz pensar


Bruna Marquezine começou a trabalhar ainda criança e construiu uma trajetória marcada pela presença constante na televisão e no cinema. Agora, a atriz compartilha uma mudança na forma como enxerga a própria profissão: o trabalho deixou de ocupar o centro de sua identidade para dividir espaço com outras dimensões da vida.
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Durante participação no podcast “É Nóia Minha?”, apresentado por Camila Fremder, Bruna falou sobre a importância de reconhecer quem é fora do ambiente profissional. A atriz estreou na televisão aos 5 anos e ganhou projeção nas novelas aos 7, como Salete, em “Mulheres Apaixonadas”. Ao longo dos anos, a carreira passou a fazer parte de sua rotina desde muito cedo.
“Pela primeira vez na vida, agora o trabalho ocupa o lugar do trabalho. Minha vida e quem eu sou sem o trabalho me interessam tanto quanto”, afirmou.
A reflexão também se relaciona a um comportamento comum fora do universo das celebridades: a tendência de associar a autoestima ao desempenho profissional. Em uma cultura que valoriza a produtividade e as conquistas, reconhecer o próprio valor para além dos resultados pode se tornar um desafio.
Como separar sua identidade da carreira? Bruna Marquezine inspira reflexão
Reprodução Instagram
Para a psicóloga Daisy Cangussú, fundadora da Wapiya Gestão de Pessoas e Diversidade e da Wapiya Saúde Mental e Bem-Estar, a carreira pode contribuir para a construção da identidade, mas merece atenção quando passa a ser a principal referência para avaliar o próprio valor.
“O trabalho tem um papel fundamental na construção da identidade, porque oferece reconhecimento, pertencimento e propósito. Entretanto, quando a pessoa passa a acreditar que seu valor depende exclusivamente daquilo que produz ou conquista, cria uma relação de dependência emocional com a carreira. Nesses casos, descansar pode gerar culpa, ficar sem trabalhar provoca ansiedade e qualquer dificuldade profissional passa a ser interpretada como um fracasso pessoal”, explica.
Quando a carreira se torna uma medida de valor pessoal
Dedicação profissional e realização não são, por si só, sinais de uma relação problemática com o trabalho. A questão está na dificuldade de estabelecer limites, na busca constante por aprovação e na sensação de que nenhuma conquista é suficiente. Mesmo depois de alcançar objetivos importantes, algumas pessoas sentem necessidade de seguir produzindo para preservar a percepção de sucesso.
Essa dinâmica pode ser particularmente desafiadora para quem começou a trabalhar cedo ou atua em ambientes competitivos. Quando o reconhecimento externo se torna a principal fonte de autoestima, períodos de descanso, mudanças de rumo e fases de menor produtividade podem despertar insegurança.
“Existe uma diferença importante entre amar o que se faz e depender emocionalmente do trabalho para se sentir alguém. Uma pessoa pode ser extremamente dedicada à carreira e, ao mesmo tempo, preservar seus relacionamentos, interesses e momentos de descanso. O sinal de alerta aparece quando ela não consegue se desconectar, sente culpa por não estar produzindo ou acredita que perde sua importância quando não está sendo reconhecida profissionalmente”, afirma a psicóloga.
O impacto de viver em função da produtividade
Quando as demandas profissionais ocupam quase todo o espaço da rotina, relacionamentos, atividades de lazer e momentos de descanso podem ficar em segundo plano. Aos poucos, experiências que antes proporcionavam prazer passam a ser vistas como obstáculos à produtividade.
Esse processo nem sempre é percebido de imediato, já que a disponibilidade constante e as agendas cheias costumam ser associadas a comprometimento e ambição. A dificuldade surge quando a dedicação compromete outras áreas da vida e a pessoa deixa de encontrar satisfação fora das responsabilidades profissionais.
“Durante muito tempo, aprendemos a admirar pessoas que estão sempre ocupadas, disponíveis e produzindo. Mas uma agenda cheia não é necessariamente sinônimo de realização. Quando o indivíduo não consegue reconhecer seu valor fora do ambiente profissional, ele se torna mais vulnerável à frustração, ao esgotamento e à sensação de vazio. A saúde mental também depende da possibilidade de existir sem precisar apresentar resultados o tempo inteiro”, destaca Daisy.
Como construir uma relação mais equilibrada com o trabalho
Enxergar a carreira como uma parte da vida, e não como sua definição completa, não significa abrir mão de objetivos ou reduzir a ambição. A mudança envolve reconhecer outros aspectos que também compõem a identidade, como os vínculos afetivos, os interesses pessoais, as experiências de lazer e o tempo dedicado a si mesmo.
A psicóloga sugere que cada pessoa observe o espaço que essas dimensões ocupam na rotina e reflita sobre o que lhe proporciona satisfação além das metas profissionais.
“É importante que cada pessoa se pergunte quem é quando não está exercendo sua função profissional. Quais atividades proporcionam prazer? Quais relações são importantes? O que desperta interesse fora das metas e responsabilidades? Recuperar essas respostas ajuda a construir uma identidade mais ampla e uma relação mais equilibrada com o trabalho. O verdadeiro sucesso não deveria exigir que alguém abrisse mão de si mesmo para continuar sendo reconhecido”, conclui Daisy.

Sua profissão define quem você é? O que Bruna Marquezine nos faz pensar