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Telão, a grande estrela do Rock in Rio: ‘Quero que o palco seja uma atração’

As pessoas podem discordar de qual foi o melhor show no Palco Mundo na primeira semana de Rock in Rio. Mas não há discussão sobre qual foi a maior estrela: o novo telão, de 107 metros de comprimento e 31,5 metros de altura, no qual os artistas tiveram a chance de realizar as suas mais […]

Telão, a grande estrela do Rock in Rio: ‘Quero que o palco seja uma atração’


As pessoas podem discordar de qual foi o melhor show no Palco Mundo na primeira semana de Rock in Rio. Mas não há discussão sobre qual foi a maior estrela: o novo telão, de 107 metros de comprimento e 31,5 metros de altura, no qual os artistas tiveram a chance de realizar as suas mais ambiciosas fantasias visuais.
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Seja Elton John, intercalando pequenos filmes com as imagens ao vivo; seja Gilberto Gil, fazendo uma viagem pictórica pelos seus mais de 60 anos de carreira; seja o grupo inglês Bring Me The Horizon mergulhando seu live act no meio de um violento game; ou mesmo o Barão Vermelho, em show com sua formação original, convocando Cazuza (1958-1990) para cantar “Todo amor que houver nessa vida”.
Este telão de dimensões jamais vistas no Brasil foi um pedido feito por Roberto Medina, criador e presidente do Rock in Rio, quatro meses antes do início do festival. Executado pelo CEO da Rock World (empresa que produz o Rock in Rio), Ricardo Acto, e pela diretora de criação e cenografia Ana Biavaschi, o artefato é formado por 4.872 placas de LED, em dois tamanhos diferentes: 4.632 de 50cm por 1 metro e outras 240 de 50cm por 50cm. No total, o painel tem uma resolução de 25.600 por 6.784 pixels, chegando a 188.682.560 pixels.
— Sempre que vou aos festivais, sinto falta de ter uma imagem melhor para o fundo da plateia. Esse foi um projeto que eu pedi ao meu povo para fazer quando o Rock in Rio estava todo pronto. Falei: “Quero que o palco seja uma atração!” — conta Medina, comentando ter recebido durante o festival uma foto feita de um terraço do condomínio na Barra onde mora, o Nova Ipanema (a quilômetros do Rock in Rio), em que era possível ver bem o palco, pelo telão. — Acho que essa possibilidade vai melhorar muito com o tempo, na medida em que as próprias bandas possam fazer seu desenho de vídeo com antecedência.
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Ana Biavaschi diz que há algum tempo vinha observando uma transformação muito forte na linguagem dos grandes shows, em que os artistas passaram a utilizar cada vez mais o vídeo e as grandes superfícies de LED não apenas como suporte, mas como parte da própria narrativa do espetáculo.
— A imagem passou a construir ambientes, ampliar gestos, criar atmosferas e, muitas vezes, determinar a identidade visual de uma apresentação. A partir dessa observação, começamos a pensar em como o Palco Mundo poderia acompanhar essa transformação e ampliar as possibilidades criativas de cada artista — discorre. — Criamos uma arquitetura que oferece uma enorme superfície para que cada artista possa se apropriar dela. O Palco Mundo se transforma a cada show. A estrutura permanece, mas a percepção dela muda completamente. É um palco vivo, capaz de se transformar diante dos nossos olhos e criar, a cada show, um novo mundo.
Diretora de produção artística da Rock World, Anna Clara Chermont observa que esse telão de 2.400 metros quadrados do Palco Mundo demandou das atrações “uma preparação para explorar todas as possibilidades dessa tecnologia”.
— A troca com as bandas começou bem no início, quando a gente já tinha definido o palco. A partir daí, começamos a trabalhar em todo o pixel map, em todo o mapping, para que eles recebessem essas informações com antecedência e conseguissem se planejar. Muitos artistas ficaram muito animados com as possibilidades e criaram conteúdos incríveis, como a gente viu com Avenged Sevenfold, Bring Me The Horizon e o próprio Foo Fighters — diz. — No caso do Foo Fighters, houve uma interação quase ao vivo com o light designer, que foi fazendo o desenho de luz e brincando com o palco. Eles aproveitaram a cenografia do antigo Palco Mundo e fizeram uma brincadeira com a fachada, essa pseudo fachada, criando uma interação entre as luzes do palco e o movimento do show.
Anna Clara conta que rola “de tudo um pouco” na ocupação do telão.
— Alguns artistas simplesmente pegaram conteúdos que já existiam para os seus shows e adaptaram para ocupar toda a extensão da tela. Outros estão trabalhando com máscaras desenvolvidas por eles ou, em alguns casos, até pelo nosso time criativo. Então, tivemos artistas extremamente animados com as possibilidades dessa nova estrutura e outros que optaram por caminhar de uma forma mais segura, cada um criando sua própria narrativa, seguindo seus estilos.
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Guito Moreto
Sócio-fundador e diretor de arte do Radiográfico, que cuida da programação audiovisual dos shows de Gilberto Gil, Pedro Garavaglia conta que tudo começou quando o escritório recebeu do diretor do espetáculo da turnê “Tempo Rei”, Rafael Dragaud, o pedido para elaborar algo “para um telão fora do comum”.
— E, de repente, quando chegou o pixel map, as medidas, a gente entendeu que era o maior telão em que a gente já tinha colocado arte nas nossas vidas! — ri. — O telão era uma plataforma, uma tela imensa para a gente. Tinha muito esse desafio de trazer o show ao vivo, para que todo mundo ali no Rock in Rio pudesse ver. A gente chegou então a essa conclusão de que a presença do Gil fosse a grande matéria-prima e resolveu trabalhar meio que em uma instalação em homenagem a ele. Levamos o Gil para o estúdio e botamos ele em algumas situações, a partir das quais pudemos realizar as composições que estavam previstas na cabeça dele.
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Em um meio altamente tecnológico como o do telão, Pedro diz que o Radiográfico acabou optando por uma solução mais “analógica”.
— A gente levou o Gil para o estúdio, pôs ele numa plataforma giratória, depois propôs filmar ele rocknrollzão, tocando a guitarra dele sem camisa… A gente foi pensando as músicas de acordo com o corpo dele. Para o “Divino maravilhoso”, a gente veio com os olhos dele, também para fazer aquela brincadeira com o “atenção!” da música — ilustra ele, que passou um mês e meio com a equipe, envolvido no processo de criação e realização.
Rafael Dragaud, por sua vez, define a projeção para o show de Gil no Rock in Rio como “uma harmonização dos diversos profissionais, porque a ideia era integrar imagens ao vivo com imagens preconcebidas”.
— Então fizemos um ensaio fotográfico com Gil e manipulamos as imagens. Depois, tem um VJ que encaixa tudo no ao vivo, diretor de corte que enquadra de forma a encaixar, e um light designer que ilumina de forma que o computador leia a imagem live como precisamos projetar — explica.
O processo de elaboração do material para o telão, conta Anna Clara Chermont, começa quando a Rock World envia para os artistas o projeto técnico do painel, com o mapa de pixels, tamanho e proporções, entre outros dados.
— Com essas informações, cada artista consegue adequar os seus próprios sistemas de processamento, como computadores e servidores, e até criar materiais exclusivos para o Rock in Rio. Não existe um software que todo mundo precise usar, mas é fundamental que o sistema escolhido seja robusto e esteja preparado para trabalhar com uma estrutura dessa dimensão — recomenda. — Do nosso lado, estamos utilizando dois Pixelhue P80 para o processamento dos sinais. É uma tecnologia voltada para produções de grande porte e eventos ao vivo, pensada para que as imagens acompanhem o show da forma mais fluida possível e sem comprometer a experiência do público. A ideia é sempre contribuir para que os espetáculos fiquem cada vez mais grandiosos e à altura do festival que a gente desenvolve.
Imagem do cantor Cazuza projetada no novo telão do Palco Mundo durante o show da banda Barão Vermelho, no terceiro dia de festival.
Guito Moreto
Artista multimídia e cenógrafo, Batman Zavareze assinou a direção visual do show do Barão Vermelho no domingo, que emocionou o público ao promover o dueto em “Todo amor que houver nessa vida”, entre Frejat e a imagem de Cazuza na apresentação do grupo no Rock in Rio de 1985.
Também responsável pela programação visual dos shows de Paulinho Moska (no Global Village, na sexta-feira) e do Jota Quest cantando Tim Maia (no Sunset, no domingo), ele diz ser necessário, para o novo telão do Palco Mundo, um software capaz de gerar as imagens sem renderizar (termo que indica o processamento de diferentes elementos em um arquivo digital).
— O software que o Foo Fighters usou não precisava de render, uma coisa que se você estiver falando de 5 mil ou 40 mil pixels faz uma diferença brutal. Se eu for renderizar e preparar um conteúdo de 40 mil pixels, vou levar três dias para cada minuto. E eles estavam fazendo ao vivo — diz Zavareze. — Tem uma revolução acontecendo, e essa tecnologia vai valer tanto para o Palco Mundo quanto para shows em qualquer lugar do planeta. Mal comparando, é como quando surgiu a iluminação cênica na Sapucaí, e nenhuma escola na época conseguiu absorver todos os recursos possíveis.
Dizendo se sentir diante de algo “muito parecido com o que eu vivi em 1985” (no primeiro Rock in Rio), Roberto Medina promete para a próxima edição do festival a criação de um núcleo de programação visual para integrar os artistas ao novo telão.
— Da mesma forma que você oferece a eles um pacote de iluminação, a gente quer criar um para a programação visual, para que eles deixem a gente trabalhar com eles, para que possamos dar sugestões. Isso está resolvido, eu vou criar — anuncia (Colaborou Maria Fortuna).

Telão, a grande estrela do Rock in Rio: ‘Quero que o palco seja uma atração’

Autor

BRCOM