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Traições à esquerda e à direita em eleição ao Senado no Rio põem sob risco aliados de Lula e de Flávio Bolsonaro

Em meio a uma disputa acirrada pelas duas vagas ao Senado no Rio, a aliança firmada entre o ex-prefeito Eduardo Paes (PSD), que concorre ao governo, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vem tendo dificuldades para atrair o voto da esquerda à candidatura de Pedro Paulo (PSD). De olho em uma dobradinha […]

Traições à esquerda e à direita em eleição ao Senado no Rio põem sob risco aliados de Lula e de Flávio Bolsonaro


Em meio a uma disputa acirrada pelas duas vagas ao Senado no Rio, a aliança firmada entre o ex-prefeito Eduardo Paes (PSD), que concorre ao governo, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vem tendo dificuldades para atrair o voto da esquerda à candidatura de Pedro Paulo (PSD). De olho em uma dobradinha com Benedita da Silva (PT), que lidera as pesquisas ao Senado, Pedro Paulo enfrenta defecções na base petista, com integrantes do partido de Lula declarando apoio à candidatura de Monica Benicio (PSOL).
Na direita, o apoio do presidenciável Flávio Bolsonaro a duas candidaturas do PL ao Senado, de Carlos Portinho e Carlos Jordy, também enfrenta resistências na base bolsonarista.
Embora o próprio Lula tenha pedido apoio a Pedro Paulo, junto a Benedita, em um comício na Zona Oeste do Rio em agosto, candidatos do PT à Câmara dos Deputados vêm divergindo da orientação partidária. A primeira petista a endossar a candidata do PSOL foi Anielle Franco (PT), irmã da ex-vereadora Marielle Franco — assassinada em 2018, ela era casada com Monica. Outro que gravou apoio à campanha de Monica foi o também candidato a deputado federal Waldeck Carneiro (PT).
— Precisamos eleger duas senadoras integralmente comprometidas com as pautas do PT e do governo Lula, como o fim da escala 6×1 — explica Waldeck, que diz não ter o objetivo de “afrontar” a aliança do próprio partido.
O GLOBO também identificou cinco parlamentares do PT — as deputadas estaduais Elika Takimoto, Marina do MST e Verônica Lima, e os deputados federais Reimont e Lindbergh Farias — que têm pedido votos apenas para Benedita em suas redes sociais.
A cúpula do PT fluminense vem ameaçando punir candidatos que não apoiarem Pedro Paulo. Segundo o prefeito de Maricá, Washington Quaquá (PT), a dobradinha entre os candidatos de PT e PSD ao Senado é “fundamental”.
— O estatuto do partido prevê punição e terá. Quem não fizer campanha para a chapa oficial tem que ter o pedido de registro cassado — afirma.
Sem unanimidade
Nos bastidores do PT, a resistência a Pedro Paulo é atribuída a um desgaste entre as mulheres devido ao episódio em que foi acusado de agressão a uma ex-esposa. O caso, no entanto, foi arquivado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), a pedido da Procuradoria-Geral da República.
Procurado pelo GLOBO, Pedro Paulo garantiu não ver problema em integrantes de coligação não aderirem a sua campanha.
— Ninguém é unanimidade, não esperava ser também. Para mim, o mais importante é contar com apoio do presidente Lula e da Benedita — garantiu.
Reservadamente, integrantes do PT também afirmam que Paes não vem mostrando o mesmo empenho pela campanha de Benedita do que mostra em relação a Pedro Paulo. No fim de agosto, em um evento com pastores evangélicos na Baixada Fluminense, o ex-prefeito manifestou apoio a Pedro Paulo e também elogiou outro candidato ao Senado, Marcos Dias (Podemos). Procurado pela reportagem, Paes disse que “todo mundo sabe” que seus “dois senadores são Pedro Paulo e Benedita”.
Já o ex-deputado Marcelo Freixo (PT), candidato a Câmara e antigo adversário de Pedro Paulo na eleição à prefeitura do Rio em 2016, defende a aliança com o candidato do PSD. Freixo afirma, porém, que a “eleição de Benedita é prioridade”.
— Depois vamos escolher o nome do nosso campo com mais chances de derrotar os candidatos que representam o projeto bolsonarista do Carlos Jordy e do Carlos Portinho. Se Pedro Paulo for esse nome, tenho certeza que toda a esquerda vai votar — afirmou.
À direita, Jordy e Portinho também vêm tendo dificuldades para assegurar o voto bolsonarista, diante da concorrência de Marcelo Crivella (Republicanos). Crivella vem recebendo declarações de apoio de políticos bolsonaristas conhecidos, como o ex-deputado Daniel Silveira, condenado por atos antidemocráticos.
Na semana passada, repetindo a estratégia, Crivella publicou um vídeo em que Mariana Eustáquio, filha do blogueiro bolsonarista Oswaldo Eustáquio, declarou apoio à sua candidatura.
Na última pesquisa Quaest ao Senado, em que Benedita liderava com 15%, Crivella aparecia 8% das intenções de voto. Pedro Paulo, Jordy e Portinho apareciam com 6% cada, em um cenário de empate técnico com Crivella.
Interlocutores de Jordy e Portinho admitem que os dois candidatos do PL têm estratégias distintas para buscar votos: enquanto o primeiro mira o eleitor “bolsonarista raiz”, o segundo tem participado de mais eventos ao lado do candidato a governador do PL, Douglas Ruas, e buscado o apoio de prefeitos.
“Três conservadores”
Dentro do partido, porém, há um esforço para reforçar a dobradinha entre Jordy e Portinho, de olho em frear o apoio a Crivella. Portinho, que disputa a reeleição ao Senado, aposta que as declarações de apoio de Flávio, com as quais Crivella não conta, farão a diferença a favor dos nomes do PL.
— São três senadores conservadores, mas de direita só tem dois: eu e Jordy. Acredito que a direita vai identificar isso — afirma Portinho.
Jordy, por sua vez, admite que Crivella “atrapalha” o crescimento dos candidatos do PL, mas projeta que ele e Portinho conseguirão atrair o voto do postulante do Republicanos.
— A eleição para o Senado é sempre a última a ser decidida. Acredito também que a Benedita tenha chegado a seu teto e vá derreter, e eu e Portinho poderemos ultrapassá-la — avalia Jordy. (Colaborou Felipe Grinberg)

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BRCOM