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setembro 24, 2026
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Trump recebe Xi na Casa Branca, na primeira visita de líder chinês a Washington em mais de uma década

Por · setembro 24, 2026
Trump recebe Xi na Casa Branca, na primeira visita de líder chinês a Washington em mais de uma década


O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recebe nesta quinta-feira o líder chinês, Xi Jinping, na Casa Branca para o segundo encontro entre os dois neste ano, em meio aos esforços das duas maiores economias do mundo para manter a estabilidade nas relações apesar das disputas sobre comércio, tecnologia, Taiwan e a guerra contra o Irã. A reunião ocorre um dia depois de Washington e Pequim acertarem a prorrogação por dois meses de uma trégua comercial que expiraria em novembro. Na agenda, a inteligência artificial estará entre os principais temas, segundo publicação do líder americano nesta quinta-feira.
“Um grande dia com o presidente Xi, da China. A Superinteligência (SI) será um grande tema de discussão, mas quero deixar exatamente como está”, escreveu, usando um termo que tem empregado recentemente para se referir à inteligência artificial. “Essa também é a posição da China. Nossa salvaguarda é o Departamento de Justiça!”.
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O secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou que existem discussões iniciais sobre a criação de algo equivalente às linhas diretas usadas durante a Guerra Fria, com o objetivo de evitar que incidentes tecnológicos capazes de afetar economias ou sociedades levem a uma escalada entre os países. Ao mesmo tempo, os dois lados permanecem em uma disputa pelo desenvolvimento de modelos avançados de IA e pelo acesso às tecnologias necessárias para produzi-los.
Para analistas, ambos parecem acreditar que o tempo está a seu favor enquanto tentam superar um ao outro naquela que deverá ser a mais importante disputa econômica e de segurança nacional do mundo nos próximos anos.
— [Trump] acredita que a economia dos EUA vai crescer, os EUA ficarão mais fortes, continuarão avançando em IA e tecnologia e que […] os EUA desenvolverão fontes alternativas de minerais críticos e terras raras — disse Edgard Kagan, ex-embaixador dos EUA na Malásia e analista do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), à AP. — Acho que, quando Xi Jinping se senta com Trump, ele acredita que os EUA estão em um declínio acelerado e que o tempo está do lado da China.
Enquanto isso, o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, afirmou na quarta-feira que os dois países concordaram em estender até 10 de janeiro a trégua negociada no ano passado, em Busan, na Coreia do Sul. O acordo impediu uma nova escalada da guerra comercial, que chegou a levar as tarifas-base dos EUA sobre produtos chineses a 145%, enquanto as taxas retaliatórias impostas por Pequim alcançaram 125%.
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Pelo entendimento firmado em 2025, os EUA concordaram em aliviar tarifas sobre produtos chineses, enquanto Pequim assumiu compromissos que incluíam retomar compras de soja americana, facilitar as exportações de terras raras e restringir o fluxo de substâncias químicas usadas na produção de fentanil. Washington, porém, tem manifestado insatisfação com o ritmo de implementação de alguns desses compromissos, sobretudo às vésperas das eleições de meio de mandato.
‘Parceiros, não rivais’
A visita é a primeira de Xi a Washington em mais de uma década e ocorre quatro meses depois de Trump viajar a Pequim, em maio. O presidente americano preparou uma recepção marcada por forte simbolismo e, na noite de quarta-feira, foi pessoalmente à Base Conjunta Andrews, nos arredores da capital, para receber Xi e sua mulher, Peng Liyuan. Segundo a C-SPAN, foi a primeira vez em 11 anos que um presidente dos EUA recebeu um líder estrangeiro no local, desde a chegada do Papa Francisco durante o governo Barack Obama, em 2015.
“Encontrei o presidente Xi no avião (Aeroporto!) ontem, e ele parece forte, cheio de energia e em forma, melhor do que nunca”, publicou Trump na manhã desta quinta. “A senhora Xi, é claro, LINDA!”.
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Por sua vez, ao chegar aos EUA, Xi disse esperar uma relação mais estável entre as duas potências. Segundo a agência estatal chinesa Xinhua, o líder disse que Pequim e Washington deveriam ser “parceiros, não rivais” e que a “lógica histórica da coexistência pacífica” entre os dois países não havia mudado. A visita inclui ainda um jantar de Estado nesta quinta-feira, com a presença prevista de alguns dos principais executivos do setor de tecnologia, incluindo Sam Altman, da OpenAI, Jeff Bezos, da Amazon, Elon Musk, da xAI e da Tesla, e Mark Zuckerberg, da Meta.
Os dois países criaram, depois do encontro de maio, mecanismos para tratar das relações econômicas. O representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, afirmou que um Conselho de Comércio já foi lançado e deverá permitir reduções de tarifas sobre US$ 30 bilhões em mercadorias de cada lado. Produtos considerados sem risco para a segurança nacional, incluindo bens de consumo, equipamentos médicos e produtos agrícolas e energéticos, poderão ser incluídos.
Um segundo mecanismo, voltado para investimentos, avançou menos. Autoridades americanas estão divididas sobre o nível de investimento chinês que deve ser permitido nos EUA, apesar de Trump já ter afirmado que vê com bons olhos a entrada de capital do país. Investimentos estrangeiros em empresas americanas estão sujeitos à análise da Comissão de Investimentos Estrangeiros nos EUA, e parlamentares e setores da indústria têm manifestado preocupação com uma expansão de companhias chinesas no mercado americano.
‘Lei da selva’
Além do comércio, Taiwan deverá ocupar espaço importante nas conversas. Pequim considera a ilha parte de seu território e afirma que poderá recorrer à força para assumir seu controle. Os EUA não mantêm relações diplomáticas formais com Taiwan, mas são obrigados por lei a fornecer à ilha meios suficientes para sua defesa.
Xi deve pressionar Trump a interromper as vendas americanas de armas a Taiwan, uma demanda apresentada também durante o encontro dos dois em Pequim, em maio. Depois daquela reunião, Trump afirmou que havia adiado a aprovação final de um pacote de armamentos no valor de cerca de US$ 14 bilhões e classificou as vendas como uma “ótima moeda de negociação” nas conversas com a China.
Outro ponto de divergência é a guerra contra o Irã. O governo Trump tem pressionado a China a usar sua influência sobre Teerã para ajudar a encerrar o conflito, argumentando que Pequim tem interesse particular na estabilidade do Golfo por sua dependência do petróleo da região. O governo chinês, porém, condenou as operações militares dos EUA e de Israel, e Xi afirmou anteriormente que o conflito representava um retorno à “lei da selva”.
Pequim também demonstrou preocupação com a operação militar ordenada por Trump que retirou Nicolás Maduro do poder na Venezuela e o levou a Nova York para responder a acusações federais de narcoterrorismo e tráfico de drogas. Desde então, o presidente americano tem pressionado países latino-americanos a reduzir seus vínculos econômicos e políticos com a China e citou a influência de Pequim e Moscou ao defender maior participação americana no setor petrolífero venezuelano.
(Com Bloomberg e AFP)

Trump recebe Xi na Casa Branca, na primeira visita de líder chinês a Washington em mais de uma década