Ausente da cerimônia em homenagem às vítimas do 11 de Setembro em Nova York, onde caíram as Torres Gêmeas do World Trade Center há 25 anos, o presidente dos EUA, Donald Trump, vinculou a atual guerra travada contra o Irã no Oriente Médio à continuidade da resposta ao terrorismo após o atentado terrorista lançado pela Al-Qaeda. A declaração ocorreu durante um discurso no Pentágono, alvo de uma das quatro aeronaves tomadas pelos terroristas em 2001, que também realizou um ato memorial às vítimas.
Temperatura de 982°C e toneladas de escombros: 25 anos após 11 de Setembro, 40% das vítimas não foram identificadas
O GLOBO no Mundo: receba as notícias internacionais direto no seu celular
— Hoje renovamos o juramento sagrado que fizemos em nome deles [vítimas do 11 de Setembro] há um quarto de século. Nunca, jamais esqueceremos. É por isso que lutamos hoje — afirmou Trump perante as autoridades e militares reunidos no Pentágono. — Não temos escolha. Só pode haver a vitória. Lutamos com força. Lutamos para vencer.
Initial plugin text
Tradicionalmente, os presidentes americanos marcam o 11 de Setembro com visitas a Nova York — onde o atentado coordenado fez a maior parte de suas quase 3 mil vítimas —, ao Pentágono e a uma área na Pensilvânia onde um voo caiu em um descampado, após os passageiros reagirem. Uma fonte citada pelo New York Times afirmou que Trump decidiu não comparecer ao memorial onde ficavam as Torres Gêmeas porque não haveria espaço para pronunciamentos. O presidente rejeitou a informação, apontando que não compareceria para priorizar a ida ao Pentágono. O vice-presidente JD Vance foi à homenagem em Nova York, representando a atual administração.
A guerra contra o Irã afetou profundamente a popularidade de Trump, que chega com a menor taxa de aprovação entre os últimos presidentes americanos em um ano de eleições de meio de mandato, com apenas 33% entre eleitores registrados, segundo o último levantamento da Focal Data/Financial Times. Setores isolacionistas do movimento “Façam os EUA grande de novo”, liderado pelo presidente, criticam a intervenção no Oriente Médio — uma das propostas de campanha de Trump era se afastar das chamadas “guerras eternas” que marcaram as duas últimas décadas e meia —, que muitos alegam ter sido estimulada por Israel. O conflito também é impopular pela alta provocada no preço do combustível.
Nova York marca o 25º aniversário dos atentados de 11 de setembro sem Trump
Em contrapartida, Trump e seus aliados mais próximos incluem os atentados de 11 de Setembro em uma disputa mais abrangente, de conotação religiosa e civilizacional. Ao contrário de George W. Bush, que visitou uma mesquita logo após o atentado, direcionando a guerra ao terrorismo da Al-Qaeda — o que posteriormente seria ampliado a outros grupos—, o atual presidente avançou diretamente contra a religião islâmica e países de maioria muçulmana, chegando a defender “uma proibição total e completa da entrada de muçulmanos”. O republicano também expandiu o conceito de terrorismo para tachar grupos criminosos ligados ao tráfico internacional de drogas e grupos de esquerda do próprio país.
O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, deixou clara a visão compartilhada com Trump em sua participação na cerimônia realizada no Pentágono nesta sexta, ao afirmar que a “batalha contra o jihadismo” iniciada após os atentados continua na luta contra o Irã.
Homenagens às vítimas do 11 de Setembro
25 anos depois: Resposta dos EUA aos ataques de 11 de Setembro acelerou erosão da hegemonia americana
— Ainda existem inimigos que nos odeiam. Todos os dias, inimigos conspiram para minar nosso poder e matar nossos cidadãos — disse Hegseth, um veterano das guerras no Afeganistão e no Iraque. — Nos últimos seis meses, dizimamos o maior patrocinador estatal do terrorismo no mundo.
Hegseth também fez menção a ameaças de “terrorismo doméstico” em seu discurso — listado recentemente pela Casa Branca como uma das principais preocupação de defesa para Washington. A lista, no entanto, incluiu apenas o “extremismo de esquerda”, citando os atentados contra Trump e o assassinato do ativista conservador Charlie Kirk, excluindo grupos supremacistas brancos.
Análise: Com ausência em cerimônia em Nova York, Trump personifica EUA que arriscam deixar 11 de Setembro para trás
Efeito do terrorismo: Ataques do 11 de Setembro agilizaram mudança cultural ao expor risco de uso de saltos à segurança das mulheres
— [Entre esses inimigos, que nos odeiam, estão] terroristas islâmicos no exterior e em nosso próprio país — disse o secretário.
Trump afirmou na quarta-feira que a guerra com o Irã só deve terminar após as eleições de meio de mandato, marcadas para novembro, antecipando que os preços do petróleo só devem cair depois da votação. No Pentágono, Hegseth tentou passar uma mensagem de força, apontando que a “pressão econômica aumenta a cada dia”, e garantindo que Washington controla o Estreito de Ormuz.
O mercado também reagiu negativamente à escalada de tensões no outro extremo da Península Arábica, com o avanço da ofensiva dos Houthis no Iêmen, sobre o Estreito de Bab el-Mandeb, que vinha sendo usado como alternativa para exportação de petróleo pela Arábia Saudita. O barril de petróleo atingiu os US$ 105 nos últimos dias. (Com AFP e NYT)
Trump vincula guerra do Irã a resposta ao terrorismo do 11 de Setembro em cerimônia no Pentágono: 'Jamais esqueceremos'
Ausente da cerimônia em homenagem às vítimas do 11 de Setembro em Nova York, onde caíram as Torres Gêmeas do World Trade Center há 25 anos, o presidente dos EUA, Donald Trump, vinculou a atual guerra travada contra o Irã no Oriente Médio à continuidade da resposta ao terrorismo após o atentado terrorista lançado pela […]