O enlace entre a Yduqs, dona de Estácio e Ibmec, e a Afya, de medicina e listada na Nasdaq, em Nova York, vai dar origem à companhia de maior valor de mercado dentre de educação listadas em Bolsa no Brasil. Combinadas, as duas empresas valiam R$ 9,3 bilhões na quarta-feira, acima do dobro da atual líder na B3, a Cogna Educação, mostra levantamento feito por Einar Rivero, CEO da Elos Ayta Consultoria, a pedido do GLOBO.
Fusão Afya-Yduqs: como ficam as operações que não são de medicina, incluindo as da Estácio?
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— A combinação entre Afya e Yduqs passaria a ocupar a primeira posição no ranking de valor de mercado das empresas de educação acompanhadas pela Elos Ayta — afirma ele. — Somadas, as duas companhias valiam R$ 9,31 bilhões em 23 de setembro de 2026, pouco mais que o dobro dos R$ 4,60 bilhões da Cogna, segunda colocada.
Sozinha, a Yduqs figura como segunda colocada no ranking, avaliada em R$ 2,76 bilhões. A Afya conta com uma dupla listagem, tendo ações na Nasdaq e BDRs na Bolsa brasileira, com uma avaliação de R$ 6,54 bilhões. Para efeito de comparação, a Elos Ayta converteu para reais o valor de mercado da Afya, que tem ações negociadas em dólares nos EUA.
Também em receita a companhia que resultará da fusão entre Afya e Yduqs subirá ao primeiro lugar no pódio do setor de educação. A receita combinada atingiria R$ 9,4 bilhões, considerando o registrado nos 12 meses terminados em junho deste ano, também superando os R$ 7,83 bilhões registrados pela Cogna nesse mesmo período.
Também nesse quesito, a Yduqs, isoladamente, era a segunda colocada dentre as empresas avaliadas pela Elos Ayta, atrás apenas da Cogna.
Neste ranking, a Bioma atua na educação básica, enquanto a Atom oferece formação para o mercado financeiro.
Concorrente de peso
Na avaliação de Rivero, a comparação com o valor de mercado das demais companhias do setor mostra a dimensão do acordo fechado entre Afya e Yduqs:
— Todas as outras sete empresas do levantamento somavam R$ 11,93 bilhões em valor de mercado. Assim, Afya e Yduqs, juntas, representariam o equivalente a 78% desse total, ficando R$ 2,62 bilhões abaixo da soma das demais.
Em 2016, a Yduqs anunciou a fusão da Estácio com a Kroton (atualmente Cogna) numa transação avaliada em R$ 5,5 bilhões, à época. A transação, porém, acabou não recebendo o aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
Nova estrutura competitiva
Há sutilezas a serem consideradas em rankings olhando para instituições de ensino superior privado, alerta Paulo Presse, coordenador de estudos de mercado da Hoper Educação. A consultoria tem uma leitura da evolução de grupos consolidadores do setor, pontua ele.
— Na nossa estimativa para 2025, Kroton aparecia com cerca de 1,09 milhão de matrículas, Vitru com 863 mil, Yduqs com 787 mil e Afya com 86 mil. Se somássemos Yduqs e Afya naquela fotografia, teríamos cerca de 873 mil matrículas, colocando três grandes operações relativamente próximas em escala — destaca Presse.
Para ele, o volume de matrículas é apenas uma das formas de olhar esse mercado. Se as atenções recaírem sobre outros pilares, como receita, tíquete médio e composição do portfólio, as diferenças são muito maiores:
— Uma operação com forte presença em EAD (ensino a distância) e semipresencial tem uma estrutura econômica muito diferente de outra com peso relevante de medicina e ativos premium. Por isso, eu diria que essa combinação mexe não apenas na escala, mas principalmente na estrutura competitiva entre os grandes grupos.
