Pular para o conteúdo
outubro 24, 2026
BRcom
Dólar PTAXR$ 5,0371
News

Vilarejo japonês ameaçado de desaparecer busca jovens moradores no Peru; entenda

Por · outubro 24, 2026


Acometida pelo envelhecimento populacional, a vila japonesa de Nanmoku tomou uma iniciativa drástica: convidar visitantes de uma região amazônica do Peru para convencê-los a vir e revitalizar uma comunidade em risco de extinção.
Tragédia: Menino de 3 anos morre após atirar acidentalmente contra si mesmo com arma do pai nos EUA
Carregava 650kg: Novas imagens mostram elefante virando carro, depois de se revoltar em procissão na Índia
A prefeita da cidade peruana de Belén e duas jovens visitaram recentemente um lar de idosos em Nanmoku, um vilarejo de 1.300 habitantes na província de Gunma, onde cumprimentaram os residentes, alguns dos quais ficaram surpresos.
— Nanmoku é uma cidade muito bonita. Desde que cheguei, comecei a admirar tudo — declarou à AFP Wendy Sangama, uma estudante de 19 anos que passou uma semana no Japão, após a assinatura de um acordo de cidades-irmãs entre Belén e Nanmoku.
— Se eu tivesse a oportunidade de vir morar aqui, eu viria —afirmou.
Trata-se do município com a população mais idosa do Japão, com 70% de seus habitantes com 65 anos ou mais. Um relatório de um centro de estudos classificou a localidade, em 2014, como “a que corre maior risco de desaparecer”.
A rua principal, às margens do rio Nanmoku, é ladeada por casas e estabelecimentos comerciais, alguns deles desocupados, e parecia abandonada durante o fim de semana chuvoso em que a equipe da AFP chegou ao local.
Uma rua na vila de Nanmoku, na prefeitura de Gunma, Japão
Rie Kikuchi / AFP
As autoridades esperam que o acordo, que promove laços culturais e interpessoais entre ambas as cidades, atraia jovens de Belén para viver em Nanmoku, embora não esteja claro como eles poderiam obter a residência.
Foi parar em museu: Ladrões roubam joias de casa na Romênia, mas deixam passar pedra de âmbar avaliada em R$ 5,6 milhões
O Peru tem a terceira maior população de nikkei, isto é, imigrantes japoneses e seus descendentes.
O prefeito de Nanmoku, Saijo Hasegawa, comentou que sua localidade precisa “ampliar seus horizontes e atrair mais moradores, inclusive estrangeiros”.
— Sem eles, poderíamos chegar a um ponto em que até o transporte público deixe de operar — admitiu.
Poucos nascimentos
Apesar do rápido envelhecimento de sua população e da escassez de mão de obra, a oposição à imigração cresce no Japão, o que levou a primeira-ministra, Sanae Takaichi, a adotar restrições mais severas aos estrangeiros.
Distrito de Belém, em Iquitos, na região amazônica do norte do Peru
Junior Raborg / AFP
Nanmoku tentou várias iniciativas para atrair jovens de outras partes do país, mas as opções de emprego são escassas.
— Cerca de 60 pessoas morrem aqui a cada ano, e nascem apenas dois ou três bebês — detalhou Hasegawa.
Yuki Wanibuchi, de 34 anos, que se mudou de Kyoto para Nanmoku há alguns anos, avaliou que os estrangeiros enfrentariam dificuldades, incluindo a barreira do idioma.
— Não dá para viver aqui sem um carro, e obter a carteira de motorista exige conhecimentos de japonês — observou.
Ketsi Yahuarcani, Wendy Sangama e a prefeita de Belen, Lina Arista Lopez, convidadas do distrito peruano de Belen para visitar a vila de Nanmoku, na prefeitura de Gunma, no Japão
Rie Kikuchi
Por outro lado, Belén, com cerca de 60.000 habitantes, é jovem. O distrito empobrecido da cidade de Iquitos, uma remota cidade amazônica no nordeste do Peru, tem média de idade de 27 anos.
— Acredito que os jovens ficariam mais entusiasmados em viver em outras cidades, devido à situação que enfrentamos — comentou a prefeita Lina Arista López à AFP.
Os moradores do distrito dependem, em grande parte, do comércio informal e da agricultura, com o cultivo de produtos como mandioca, arroz e milho.
— Temos uma situação difícil em Belén. Não há emprego — acrescentou a prefeita peruana.

Vilarejo japonês ameaçado de desaparecer busca jovens moradores no Peru; entenda