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outubro 2, 2026
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Voto nos estados: Jerônimo Rodrigues e ACM Neto reeditam disputa acirrada na Bahia quatro anos depois

Por · outubro 2, 2026
Saiba quem está na frente nas pesquisas para governador na Bahia


À sombra do escândalo do Master, a eleição pelo Executivo da Bahia chega à reta final com a reedição da disputa parelha entre o governador Jerônimo Rodrigues (PT) e o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União) que dividiu o estado em 2022. Se, há quatro anos, o petista venceu por curta margem em um segundo turno, pesquisas de intenção de voto agora indicam um cenário de empate técnico, com possibilidade de vitória de um dos dois já neste domingo.
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Ao longo do período eleitoral, ACM Neto apostou na pauta da segurança para atacar o oponente, enquanto Jerônimo buscou associar-se ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao legado do PT na Bahia. O candidato da oposição trabalha para retomar a hegemonia do carlismo. O grupo formado no entorno do avô, o ex-governador Antonio Carlos Magalhães, comandou a Bahia por quatro décadas. Entretanto, perdeu espaço para o PT, que governa desde 2007. Antes de Jerônimo, ocuparam o posto Jaques Wagner e Rui Costa — ambos disputam o Senado na chapa petista.
Em 2022, Neto começou a campanha como favorito à vitória em primeiro turno, mas acabou derrotado pelo petista, até então pouco conhecido pelos baianos. Segundo a rodada mais recente da pesquisa Quaest na Bahia, divulgada há uma semana, Neto tem 42% das intenções de voto no primeiro turno, contra 40% de Jerônimo. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos.
O cenário de indefinição ocorre em meio ao impacto do caso Master, uma vez que investigações indicam correlações entre a instituição financeira e os dois campos políticos na Bahia. Se, por um lado, documentos entregues pelo banco de Daniel Vorcaro à Receita Federal apontam pagamentos a ACM Neto por meio de sua empresa de consultoria. Do outro, Jaques Wagner foi alvo da Polícia Federal, que apura se o candidato à reeleição ao Senado agiu em prol dos interesses do banqueiro e de seu ex-sócio Augusto Lima no Congresso em troca de “vantagens indevidas”.
Houve uma espécie de pacto de silêncio entre os dois grupos neste ciclo eleitoral, para que o tema não fosse amplamente discutido nestes últimos meses. As chapas se diferem, por outro lado, nas pautas que conduzem a campanha.
Jerônimo, que é filiado ao PT desde os anos 1990, optou por incorporar referências a Lula e a medidas recentes do Planalto nas peças eleitorais. O presidente, inclusive, foi ao estado na semana final de campanha. O governador tem abordado, por exemplo, o reajuste de 15% no Bolsa Família. Ele também aposta em entregas de sua gestão, como as escolas de tempo integral e a construção de hospitais, sobretudo no interior, onde a sigla avalia que o ex-prefeito de Salvador tem menos capilaridade.
“O reajuste do Bolsa Família significa mais comida na mesa, mais dignidade e mais segurança para milhões de famílias. Aqui na Bahia, seguimos juntos ”,disse Jerônimo no X.
Já ACM Neto aposta no slogan “mudança com segurança” e em críticas à atuação de gestões petista. O plano de governo do carlista afirma que a “Bahia cansou de ter medo” e fala em “abandono, efetivo policial encolhendo, inteligência criminal desmontada e crime organizado crescendo” nos últimos 20 anos.
O candidato do União Brasil tem na chefia de sua campanha o marqueteiro João Santana, que comandou o marketing eleitoral de Lula em 2006 e o da ex-presidente Dilma Rousseff em 2010 e 2014.
Flávio escanteado
Embora abrigue um candidato do PL na chapa, ACM Neto se recusou a dar palanque a Flávio Bolsonaro no estado. A estratégia leva em consideração que Lula teve 72% dos votos válidos no segundo turno contra Jair Bolsonaro na Bahia em 2022. Ao longo da campanha, o candidato de oposição apresentou-se como Neto e atenuou referências ao carlismo em peças, em uma tentativa de aproximar-se de eleitores lulistas. A estratégia gerou reação tanto entre petistas.
Aliados de Flávio se queixam tanto de ACM Neto quanto de João Roma, presidente estadual do PL e candidato ao Senado na chapa. Ambos foram acusados de esconder o presidenciável em campanha no estado, que é o maior colégio eleitoral do Nordeste.
A chapa de ACM Neto é composta também pelo senador Angelo Coronel (Republicanos), que deixou a base de Jerônimo após ser escanteado. Quaest da semana passada apontou Rui Costa com 23%, Wagner com 17%, Roma com 11% e Coronel com 9%.
Veja momentos que marcaram a eleição:
Sombra do Master: o escândalo envolvendo o banco de Daniel Vorcaro impactou ambas as chapas. De um lado, investigações apontaram pagamento do Master a ACM Neto por meio de sua empresa de consultoria. Do outro, Jaques Wagner, candidato ao Senado na chapa de Jerônimo, foi alvo de operação e é suspeito de receber vantagens indevidas do banqueiro. O caso foi abordado de forma tímida por ambas as campanhas.
Disputa na base governista: para o Senado, o PT optou por dois nomes próprios: os ex-governadores Jaques Wagner e Rui Costa. Neste cenário, Angelo Coronel acabou escanteado e deixou a base governista rumo à chapa de ACM Neto.
ACM rejeita Flávio: ainda que tenha o PL na chapa, com um candidato ao Senado, ACM Neto descartou a possibilidade de dar palanque ao filho de Jair Bolsonaro ao menos no primeiro turno. O ex-prefeito de Salvador anunciou que apoiaria Ronaldo Caiado na corrida pelo Planalto.
Voto casado: Jerônimo baseou a campanha na vinculação a Lula, principal cabo eleitoral no estado. A equipe do governador também entrou na Justiça para evitar a circulação de peças de campanha que associam o presidente à ACM Neto. Ao longo da campanha, o candidato de oposição apresentou-se como Neto e atenuou referências ao carlismo em materiais, em uma tentativa de aproximar-se de eleitores que votam em Lula.
Segurança pública: ACM Neto aposta no campo para desgastar Jerônimo, e traz menção à área até no slogan “mudança com segurança”. O plano de governo do carlista afirma que a “Bahia cansou de ter medo” e fala em “abandono, efetivo policial encolhendo, inteligência criminal desmontada e crime organizado crescendo” nos últimos 20 anos. O PT comanda o Palácio de Ondina desde 2007.

Voto nos estados: Jerônimo Rodrigues e ACM Neto reeditam disputa acirrada na Bahia quatro anos depois