Durante sua visita à Casa Branca nesta quinta-feira, o presidente da China, Xi Jinping, voltou a citar a chamada “Armadilha de Tucídides” ao defender o diálogo entre Pequim e Washington, afirmando que o risco de confronto entre as duas potências “pode ser superado”. O conceito foi mencionado anteriormente pelo líder chinês, durante a visita do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a Pequim, em maio deste ano. A expressão acadêmica vai ao cerne das ambições chinesas para o relacionamento entre os dois países.
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O termo foi popularizado pelo cientista político de Harvard Graham Allison no início da década de 2010, com base no antigo historiador grego Tucídides. Seu argumento: quando uma potência emergente desafia uma potência estabelecida, o conflito é inevitável. A pesquisa de Allison descobriu que esse padrão se repetiu diversas vezes ao longo da história, e ele usou essa perspectiva como uma lente para examinar a rivalidade entre Estados Unidos e China.
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Em termos simples, trata-se de tensão estrutural. A ascensão da China — econômica, tecnológica e militarmente — desafia o domínio de longa data dos Estados Unidos como superpotência mundial. Mesmo que nenhum dos lados busque o confronto, o risco é que a própria competição crie uma pressão difícil de controlar.
O uso do conceito por Xi remonta a pelo menos a 2014, de acordo com analista Zichen Wang, que pesquisou as referências anteriores do líder ao termo. Xi também o usou em uma reunião com o presidente Joe Biden, em novembro de 2024, à margem da conferência da APEC no Peru.
O presidente dos EUA, Donald Trump (à direita), caminha sobre um tapete vermelho após cumprimentar o presidente chinês, Xi Jinping (à esquerda), durante uma cerimônia de chegada em 23 de setembro de 2026, na Base Conjunta Andrews, em Maryland
CHIP SOMODEVILLA / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / Getty Images via AFP
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A mensagem do líder chinês tem sido consistente: o conflito não é inevitável. A perspectiva da China é que os dois lados devem encontrar uma maneira de coexistir, frequentemente descrita por Pequim como “respeito mútuo” e “cooperação ganha-ganha”.
Alguns em Washington são mais cautelosos ao usar o termo, com os formuladores de políticas dos EUA tendendo a enfatizar salvaguardas e gerenciamento de riscos.
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Há também um aspecto estratégico. Ao invocar o conceito, a China eleva as tensões entre Washington e Pequim para além das disputas comerciais ou Taiwan, transformando-as em algo maior — um teste decisivo de como as grandes potências interagem.
Isso também reforça a posição da China como uma superpotência, como os Estados Unidos, em vez de um país subordinado. Como Xi perguntou a Trump em maio deste ano, podem a China e os EUA “criar um novo paradigma de relações entre grandes potências?”.
(Com Bloomberg)
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