A renovação promovida por Carlo Ancelotti na Seleção brasileira é vista com bons olhos por Zico, mas o maior ídolo do Flamengo cobra mais atenção à formação de atletas no país. Em entrevista ao GLOBO, momentos antes de receber o título de Doutor Honoris Causa da Universidade Candido Mendes, nesta terça-feira, no Centro do Rio, o Galinho de Quintino afirmou que o problema não é a falta de talentos, mas a orientação dada aos jovens nas categorias de base.
— Não me preocupa, não. Eu acho que uma renovação faz bem. Isso deveria ter acontecido desde aqueles 7 a 1 da Alemanha — disse Zico, que defendeu uma maior valorização dos jogadores de criação.
Para ele, o Brasil continua produzindo talentos, mas as categorias de base precisam preparar melhor os atletas para o futebol profissional.
— Não é por causa do jogador, do garoto. Acontece que eles não são valorizados como deveriam, e não são orientados como deveriam ser. É lógico que o garoto que está começando tem uma série de sonhos, de ilusões, e às vezes se deixa levar por muita coisa. Se você não dá um norte para ele, um caminho, com pessoas experientes, que viveram o futebol, hoje em dia nas categorias de base dos clubes você não tem pessoas com essa vivência do próprio futebol, como eu tive, por exemplo.
Zico também vê com preocupação a saída precoce de jovens para o futebol europeu e o espaço ocupado por estrangeiros nos clubes brasileiros.
— Você não pode chegar a todos os times brasileiros com nove, oito jogadores estrangeiros aqui. Isso afeta a Seleção.
Aos 73 anos, Zico recebeu ontem uma das principais honrarias da Universidade Candido Mendes. Apenas 14 personalidades receberam o título de Doutor Honoris Causa da instituição centenária, entre elas os ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso e Tancredo Neves e o ex-líder soviético Mikhail Gorbachev. O ex-jogador é o primeiro esportista a receber a distinção.
A homenagem também remete à influência de seu pai, Seu Antunes, que fazia questão de que os filhos estudassem. Zico, que se formou em Educação Física para atender aos anseios do pai, diz que gostaria que ele e a mãe, Dona Matilde, estivessem vivos para vê-lo receber a honraria.
— Para eles, o canudo era a coisa mais importante. Ninguém conseguia mais tirar de você, se você conseguisse o canudo da formação. Eu queria me formar com ele em vida ainda. Esse prêmio é todo deles — disse emocionado.
Ao falar sobre o legado que pretende deixar, Zico prefere não se limitar ao futebol. Ele cita o trabalho, o respeito e a lealdade como valores que procura transmitir.
— Eu queria deixar esse legado de quanto eu me dediquei, de quanto eu hoje tenho o respeito e o carinho dos meus companheiros da minha profissão. A minha classe me conhece, sabe o que eu fiz para o futebol, esse amor ao futebol. Então, acho que isso é o legado mais importante.
Ao final, quando perguntado se o Flamengo leva o título brasileiro, após tomar a liderança do Palmeiras na última rodada, o Galinho não titubeou:
— Tem plantel pra isso — encerrou.
Zico vê renovação da seleção brasileira com bons olhos, mas ressalta: 'Devia ter começado depois do 7 a 1'
A renovação promovida por Carlo Ancelotti na Seleção brasileira é vista com bons olhos por Zico, mas o maior ídolo do Flamengo cobra mais atenção à formação de atletas no país. Em entrevista ao GLOBO, momentos antes de receber o título de Doutor Honoris Causa da Universidade Candido Mendes, nesta terça-feira, no Centro do Rio, […]