Enquanto o mundo observava, paralisado, as primeiras imagens dos ataques contra o World Trade Center, em Nova York, no dia 11 de setembro de 2001, há 25 anos, a americana Marcy Borders tratava de descer as escadas da Torre Norte. Ela trabalhava havia um mês como assistente jurídica do Bank of America, no 81º andar do prédio, mas, naquele instante, só queria salvar sua vida.
Edney Silveste: O que o 11 de setembro fez conosco, 25 anos depois?
Confusão e horror: Ela filmou os atentados mas só viu imagens agora
A funcionária tinha chegado para um dia de trabalho como outro qualquer, mas, às 8h46 daquela terça-feira, um Boeing 767 da American Airlines foi atirado contra a Torre Norte por terroristas da al-Qaeda, chocando-se entre o 93º e o 99º andares do edifício em Manhattan. Borders levou cerca de uma hora para chegar até o solo, e chegou a pensar que estava salva, mas o pior ainda estava para acontecer.
Logo que a mulher de 28 anos terminou de descer as escadas, a Torre Sul do World Trade Center, que tinha sido atingida por outro avião às 9h03, entrou em colapso, às 9h59. Milhares de pessoas foram mortas e outras tantas que estavam no chão ainda tentando escapar do pesadelo se viram engolidas por uma gigantesca nuvem de poeira e detritos formada pela destruição do prédio de 110 andares.
Acervo O GLOBO: Encontre as páginas do atentado de 11 de setembro de 2001
Atirada no chão pelo impacto, Borders foi erguida por um desconhecido sem camisa e levada até o saguão de um prédio comercial perto do World Trade Center. O fotógrafo freelancer Stan Honda, que cobria a tragédia para a agência de notícias AFP, estava nesse mesmo lobby registrando imagens das pessoas tentando se proteger e capturou o momento em que a mulher entrava no local.
Imagem inteira de Marcy Borders coberta de pó em 11 de setembro de 2011
Stan Honda/AFP
A foto de Borders completamente coberta pelo concreto transformado em pó, vestindo seu tailleur de trabalho, tornou-se uma das mais emblemáticas do episódio que marcou o começo do século XXI. Depois daquele dia, a americana daria diversas entrevistas ao longo dos anos, mas as notícias sobre a vida dela dali em diante ajudariam a expor a tragédia de muitos sobreviventes do 11 de setembro.
Atentado na Noruega: O atirador neonazista que matou 70 militantes da esquerda
Bomba atômica em 1945: As crianças americanas vítimas que se tornaram vítimas
Amigos contaram, anos depois, que Borders começou a se isolar socialmente, não queria sair de casa, perdeu o apetite. Ela procurava esconder os impactos psicológicos de seus dois filhos pequenos. Mas, eventualmente, a americana foi diagnosticada com depressão. “Era como se minha alma tivesse sido derrubada com as torres”, disse a sobrevivente em entrevista ao jornal New York Post, em 2011. “Eu não consegui terminar um dia de trabalho em dez anos. Minha vida tinha virado uma tragédia”.
Borders contava com os rendimentos do marido, motorista de caminhão, e com a ajuda de parentes para sustentar sua família. Mas não havia o suficiente para um tratamento psicológico adequado. Ela sentia pânico sempre que via um avião. Não podia também estar em andares altos. Tinha pesadelos com Osama bin Laden, o líder da organização al-Qaeda, arquiteto dos ataques de 25 anos atrás.
O vício em drogas e a morte por câncer
A americana começou a abusar de álcool e drogas. Tornou-se viciada em crack, chegou ao fundo do poço e buscou uma clínica de reabilitação. Sua recuperação se deveu, em parte, à morte de Bin Laden, no dia 2 de maio de 2011, mas também graças a terapia e força de vontade. Ela deixou a clínica com a sensação de que estava salva, mas, assim como ao sair da Torre Norte, algo terrível aconteceria.
Marcy Borders durante entrevista em 2011
Reprodução/YouTube/BILD
Em agosto de 2014, Marcy Borders foi diagnosticada com câncer no estômago. Como não tinha um plano de saúde, ela sofreu para pagar por um tratamento. A certa altura, não tinha dinheiro nem para os remédios contra as angustiantes náuseas provocadas pela quimioterapia. Ela contraiu uma fortuna em dívidas até que conseguiu ajuda da Prefeitura de Bayonne, em Nova Jersey, onde morava.
Desde o início de sua luta contra o câncer, a sobrevivente cultivava a certeza de que a doença tinha sido causada pela grande quantidade de material tóxico que ela engoliu enquanto tentava escapar da morte no dia dos atentados de 2001. “Acredito piamente nisso porque nunca tive doença nenhuma”, contou ela ao jornal New Jersey Journal. “Eu não tenho pressão alta…colesterol alto, diabetes”.
A americana, segundo seus parentes, lutou até o fim, mas morreu em agosto de 2015. Não é possível afirmar se o câncer dela surgiu mesmo em decorrência dos atentados. Mas dados do World Trade Center Health Program divulagdos em junho de 2025 mostravam que 48,5 mil pessoas tinham sido diagnosticas com câncer associado ao ataque — entre sobreviventes civis e socorristas.
11 de setembro de 2001: O que houve com a mulher desta foto icônica?
Enquanto o mundo observava, paralisado, as primeiras imagens dos ataques contra o World Trade Center, em Nova York, no dia 11 de setembro de 2001, há 25 anos, a americana Marcy Borders tratava de descer as escadas da Torre Norte. Ela trabalhava havia um mês como assistente jurídica do Bank of America, no 81º andar […]