Muita coisa aconteceu desde 2014, ano de estreia do Vinhos de Portugal no Brasil, até esta 12ª edição. O evento realizado pelos jornais O GLOBO, Valor Econômico e Público em parceria com a ViniPortugal cresceu, e o vinho português conquistou realmente o brasileiro, que cada vez mais aprofunda seus conhecimentos e experiências sobre a bebida e o enoturismo na Terrinha. Neste 2025, o evento chega ao Jockey Club da Gávea, de 6 a 8 de junho, e depois se instala no Pavilhão Ciccillo Matarazzo, o Pavilhão da Bienal, em São Paulo, de 13 a 15. Serão quase 80 produtores e mais de 650 rótulos de todas as regiões produtoras, até mesmo do Algarve, que pela primeira vez participa do evento.
— Geralmente, o brasileiro associa o Algarve às praias. Mas a produção de vinhos está crescendo lá. Considero o principal diferencial do evento essa chance de poder estar com uma quantidade enorme de produtores e enólogos em um mesmo lugar. A cada ano isso é ampliado — avalia a jornalista Simone Duarte, curadora do evento.
Para Simone, uma boa surpresa da temporada serão os brancos e rosés produzidos em diversas regiões. É uma tendência mundial, que será destaque aqui também.
— Portugal produz brancos e rosés extraordinários. Já existiu um preconceito quanto a eles, mas há um movimento que vem desmistificando isso. Outra moda que, claro, também estará representada nesta edição são os vinhos menos alcoólicos — indica Simone.
Tendência que é percebida e festejada também pela sommelière Cecilia Aldaz, que comandará diversas provas no Rio e em São Paulo.
—Ao mesmo tempo em que Portugal acompanha essa mudança de mercado, o público brasileiro está procurando vinhos mais leves e fáceis de harmonizar. Mesmo nos tintos, a preferência está pelos com menos madeira — destaca.
Mas não é só o Algarve que estreia nessa edição. Uma primeira vez muito aguardada é a do enólogo Paulo Nunes, da Casa da Passarella, um profundo conhecedor do Dão. Ele estará no Rio na prova “A magia dos grandes vinhos do Dão”, ao lado do crítico Jorge Lucki. Paulo promete mostrar duas facetas da região. A primeira será sobre como os anos agem nos vinhos dali.
— Iremos provar duas castas emblemáticas, Touriga Nacional e Encruzado, de safras mais antigas e mais atuais, para entender como o tempo enobrece os vinhos do Dão — conta ele, que também falará sobre como os diferentes terroirs, mesmo próximos, são capazes de gerar vinhos absolutamente diferentes. — Muitas vezes, em uma distância de 100 metros, literalmente, encontramos uma diversidade incrível. Vamos mostrar isso em dois vinhos da Casa da Passarella, comparando o Casa da Passarella de 100 anos com o Pedras Altas, que tem 80. Enquanto uma tem exposição ao sul, a outra tem ao norte. E, no entanto, resultam em pontos de maturação e de concentrações muito diferentes. Por isso, temos vinhos de mercado que exploramos a partir de micro parcelas. Nessa minha primeira vez no evento, quero mostrar toda a singularidade do Dão — diz.
O jornalista português Manuel Carvalho, do time de críticos do Vinhos de Portugal, conta que a missão principal é criar experiências para as pessoas.
— Nas aulas que eu vou organizar, essas experiências são tão diversas como enriquecedoras. E sempre muito gostosas. Nas provas, vamos experimentar a graça e o frescor dos vinhos verdes do norte atlântico de Portugal, a alma dos grandes tintos e dos grandes vinhos do Porto, que nascem no belíssimo vale do Douro, e as harmonias entre a comida brasileira e os vinhos do Dão — conta Manuel. — Todas estas experiências têm como base rótulos de classe superior, por vezes de safras raras e geralmente antigas. Apenas mais uma forma de garantir que a presença nestas aulas deixará memórias inesquecíveis. Um grande vinho brilha sempre mais quando degustado em grupo, e faremos tudo para que esse espírito prevaleça em cada momento.
Na programação de provas, nomes importantes que estão sob holofotes em Portugal vêm ao Brasil atualizar os enófilos. Pela segunda vez no evento (a estreia foi ano passado), António Maçanita, nome da nova geração de enólogos, trará vinhos vulcânicos dos Açores e da Madeira, além dos clássicos Fitapreta, do Alentejo, e Maçanita, do Douro.
— Mas talvez o vinho mais importante seja o Enxarrama 2014, um projeto de dez anos focado na reabilitação de um vinho histórico, que, segundo Ferreira Lapa [primeiro professor da área agrícola de Portugal] era o melhor vinho de Évora. Os escritos, que vêm de 1321, mostram este vinho sempre como o arquirrival do Pêra-Manca. Um projeto de apenas 1.200 garrafas, produzido no nosso paço medieval, com fundação em 1306, o mais antigo paço medieval rural de Portugal. Talvez tenha sido este um dos vinhos que também foi nos porões para o Brasil, nas primeiras expedições — explica Maçanita. — Também destaco o Morgado de Oliveira Branco NV, um branco do mesmo local.
Maçanita estará na prova “Redescoberta da alma de vinhos e regiões míticas”, no Rio, em que apresentará o Enxarrama e outros quatro rótulos especiais enquanto falará da diversidade do seu trabalho dos últimos 20 anos e da reabilitação de regiões, castas e vinhos.
— São cultura e patrimônio que precisa ser preservado, mas que por alguma razão ficaram esquecidos no tempo. Trago vinhos Arinto, uma casta dos Açores, que hoje em dia produz alguns dos melhores vinhos de Portugal; Caracol, uma casta em extinção da ilha do Porto Santo, nosso projeto mais recente. Além de Palpites, de castas tradicionais do Alentejo e castas ancestrais esquecidas, e Os Paulistas, um vinho da Ordem dos Paulistas produzido a partir de castas ancestrais do Alentejo — adianta ele.
Outra novidade desta edição são as provas às cegas. Se você nunca antes entrou em uma prova sem ter ideia do que iria acontecer, um spoiler: só serão degustados tipos excepcionais e raros. No Rio, ela será comandada pelo crítico português Luís Lopes. Em São Paulo, pela sommelière Cecilia Aldaz.
— A prova “Portugal às Cegas” vai ser feita num modelo pouco comum em eventos deste tipo. Todos os sete rótulos vão ser servidos de garrafas tapadas, e só no final vamos desvendá-los. São dois objetivos: apresentar o autêntico mundo que é o Portugal do vinho, sem dúvida o país vinícola mais diverso em termos de climas, solos e variedades de uva, onde mudamos de paisagem a cada 50 km e os perfis dos vinhos acompanham essa variedade; e mostrar que no vinho, como em tudo, não devemos ter preconceitos, já que, pelo menos em Portugal, há grandes tipos em todas as regiões. Provando às cegas, só os nossos sentidos contam, sem influência de regiões ou rótulos. No final, acredito que muitos serão surpreendidos — adianta Luís Lopes.
Com rótulos igualmente especiais, o Master of wine Dirceu Vianna Junior comandará três grandes provas, daquelas que sempre são concorridas.
— Farei uma sobre a região do Tejo, que tem se desenvolvido bastante e precisa ser descoberta por mais pessoas. A prova com os jovens enólogos irá demonstrar que o futuro dos vinhos portugueses está em boas mãos. E ainda farei uma especial com Jorge Rosas, da Ramos Pinto, marca legendária, onde serão degustados grandes vinhos do Douro de todos os estilos: brancos, tintos e Vinhos do Porto excepcionais — destaca o Master.
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Fora das provas há muito o que experimentar no Vinhos de Portugal 2025, no Rio e em São Paulo. Além de mergulhar no Salão de Degustação, onde estarão os estandes dos produtores — é esse o lugar perfeito para experimentar, de novidades aos clássicos, e ainda bater um papo com quem faz os vinhos e é a autoridade máxima no assunto. São duas horas para fazer brindes inesquecíveis.
Há ainda o Tomar um Copo, uma conversa informal que reúne sempre um crítico, produtores e convidados especiais do evento. O papo de meia hora é gratuito, com direito a provinha de vinhos, e uma agenda animada (veja programação completa do Vinhos de Portugal, no Rio e em São Paulo nas páginas 10 e 12). É aquela chance de conhecer e aprender um pouco mais sobre todas as regiões produtoras.
Uma surpresa para muitos é a região de Lisboa, mais conhecida pelo turismo geral do que pelo seus vinhos, e que participa de alguns desses encontros.
— Lisboa é uma das regiões vitivinícolas mais versáteis de Portugal. A proximidade com o Atlântico, a diversidade de solos e climas e a riqueza de castas nos permitem produzir vinhos com grande frescor, equilíbrio e personalidade. É uma região que une tradição e inovação, com produtores atentos à sustentabilidade e à qualidade. O consumidor brasileiro, cada vez mais curioso e exigente, tem muito a descobrir nos vinhos de Lisboa, dos brancos leves e vibrantes aos tintos elegantes e cheios de caráter, passando por espumantes e fortificados que revelam toda a diversidade e riqueza da região — dá o gostinho André Teodoro, que representa a região.
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A sommelière Elaine Oliveira, colunista de vinhos da revista Marie Claire e uma das convidadas do Tomar um Copo, dá a dica:
— Da região de Lisboa experimente rótulos como Carcavelos, um fortificado especial e um de meus vinhos preferidos. Ele é envelhecido em barris de carvalho francês e português. O resultado? Muitas camadas: tem aromas florais, toques de ervas, especiarias, mel, caramelo e frutas secas. Na boca, é doce na medida certa, com acidez vibrante, um quê salino e textura cremosa. Sem dúvida, está entre os melhores fortificados de Portugal e vale muito a pena conhecer — recomenda.
Na área de convivência, vão ter várias mesinhas para relaxar, assim como lojas e opções de comidinhas que harmonizam. No Rio, uma das dicas para petiscar são os bolinhos de bacalhau com queijo da Serra da Estrela e o arroz de bacalhau servidos pela Quinta da Henriqueta, restaurante no Jardim Botânico que vai levar uma versão pocket para o evento. E ainda terá delícias do Barsa e da Tasquinha do Portuga, essa também estará em São Paulo, junto da Quinta do Olivardo.
As comissões vinícolas das regiões produtoras vão realizar atividades especiais par ao público. O Centro de Portugal vai levar a Serra da Estrela em um espaço para selfies onde vai… nevar! A ideia é mostrar as atrações de inverno desse cartão postal. Já a Comissão do Tejo fará um ponto de selfie que evoca a pisa da uva, além de apresentar a rota de vinhos da região. No Rio, a Comissão de Lisboa vai fazer o público entrar na primeira página do GLOBO para uma foto; e o Alentejo vai trazer as famosas talhas ao Brasil. A Herdade do Peso fará, no Rio e em São Paulo, uma distribuição de vinhos. O enólogo Luís Cabral de Almeida estará presente, tirando dúvidas e falando sobre os vinhos com o público.
Programação completa, ingressos e mais informações: vinhosdeportugal.oglobo.com.br
O Vinhos de Portugal 2025 é uma realização dos jornais O GLOBO, Valor Econômico e Público, em parceria com a ViniPortugal, com a participação do Instituto dos Vinhos do Douro e Porto; apoio das Comissões de Vinho do Alentejo, Dão, Lisboa, Tejo, Vinhos Verdes, Herdade do Peso, Turismo de Portugal, Agência Regional de Promoção Turística Centro de Portugal e Shopping Leblon. Hotel oficial Fairmont Rio (RJ), água oficial Águas Prata, Cia aérea oficial Azul, assessoria de imprensa InPress Porter Novelli, local oficial Jockey Club Brasileiro (RJ), loja oficial Porto Di Vino, rádio oficial CBN e curadoria Out of Paper.
