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Entenda por que astronautas ficaram nove meses além do previsto no espaço e como a questão virou tema político nos EUA

BRCOM by BRCOM
março 18, 2025
in News
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Astronautas 'presos' no espaço retornam para a Terra nesta terça

Após mais de nove meses no espaço, uma cobertura midiática intensa e declarações políticas controversas feitas por parte da liderança mais proeminente dos Estados Unidos, os dois astronautas da Nasa que tiveram uma estadia inesperadamente prolongada na Estação Espacial Internacional (ISS) enfim retornam para casa nesta terça-feira. É esperado que Butch Wilmore e Suni Williams pousem no território americano por volta das 18h no horário local (19h em Brasília).

  • Contexto: Como os astronautas da Nasa enfrentaram nove meses extras no espaço?
  • Relembre: Nasa confirma lançamento da missão que vai liberar astronautas ‘presos’ no espaço

A famosa dupla de astronautas chegou à ISS em junho de 2024 a bordo da Starliner, uma espaçonave da Boeing que deveria fornecer à Nasa uma segunda opção, para além da Crew Dragon da SpaceX, para transportar astronautas de e para a famosa estação espacial. A missão, inicialmente planejada para durar apenas oito dias, era um teste para avaliar se a nova cápsula estava apta a fazer o transporte em segurança.

A espaçonave, no entanto, sofreu problemas técnicos ao atracar na ISS, e a Nasa decidiu que, por precaução, os astronautas deveriam permanecer na estação até que fosse feita uma avaliação das falhas apresentadas. Ainda assim, a Nasa e os astronautas minimizaram a ideia de que os dois estavam “presos” ou em perigo, já que a agência espacial americana sempre teve pelo menos uma espaçonave acoplada à estação que poderia trazê-los de volta em caso de emergência.

— Viemos preparados para ficar por um longo período, mesmo que tivéssemos planejado ficar pouco tempo. Isso é parte do que fazemos em voos espaciais tripulados — disse Butch Wilmore em entrevista coletiva, reforçando que, para astronautas da Nasa, sempre existe o risco de que uma missão de rotina dure mais do que o esperado.

  • Entenda: Após ordem de Trump, Nasa demite cientista-chefe, autora de relatórios da ONU sobre o clima

Em setembro, a Nasa determinou que a Starliner voltaria à Terra vazia para investigação. Com isso, Wilmore e Williams foram integrados à missão da Crew-9, que já tinha sido previamente agendada para ocorrer nesse período. Uma adaptação, no entanto, foi necessária: em vez de quatro astronautas inicialmente programados para a missão, apenas dois foram enviados para se juntar à dupla já na ISS, também em setembro.

Na prática, então, os dois astronautas enviados para a curta missão acabaram sendo realocados para outra maior, com duração de cinco meses. O retorno da Crew-9 não foi adiantado porque a Nasa prefere que essas missões tenham uma “troca de tripulação”, ou seja, que uma nova equipe de astronautas chegue antes da partida da anterior. Se a Crew-9 tivesse retornado antes da chegada da Crew-10, apenas um astronauta americano teria permanecido na ISS por meses, algo que a Nasa evita.

— É importante saber que a decisão foi tomada com base na opção mais segura [para os tripulantes] — disse à Bloomberg a astronauta Pamela Melroy, ex-administradora adjunta da Nasa, destacando que trazer a tripulação de volta em uma missão de rotação já programada era a alternativa menos arriscada para os gestores da agência americana.

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  • Trump, Musk e uso político
      • Entenda por que astronautas ficaram nove meses além do previsto no espaço e como a questão virou tema político nos EUA

Trump, Musk e uso político

Apesar disso, nos últimos meses Trump e Musk politizaram a situação dos astronautas, com o atual presidente americano acusando o governo de seu antecessor, Joe Biden (2021-2025), de ter abandonado os dois na estação espacial — e com o bilionário sul-africano alegando falsamente que eles foram mantidos no espaço por razões políticas. Musk disse que a SpaceX poderia ter trazido os astronautas “há vários meses”, e que a oferta chegou a ser feita ao governo Biden, que teria recusado.

Astronautas ‘presos’ no espaço retornam para a Terra nesta terça

O astronauta Bill Nelson, que foi administrador da Nasa durante a administração Biden, disse na segunda-feira que nunca discutiu uma “missão de resgate” com Musk ou com a SpaceX, e que a Casa Branca nunca tentou influenciar a decisão da agência de estender a estadia dos astronautas após os problemas com a nave da Boeing. Questionado pelo The Times, Musk não esclareceu detalhes do que ele disse ter oferecido, tampouco indicou com quem ele teria conversado na época.

Em resposta aos comentários de Musk, Andreas Mogensen, o primeiro cidadão dinamarquês a voar para o espaço, escreveu nas redes sociais: “Que mentira. E vindo de alguém que reclama da falta de honestidade da mídia tradicional.” O comentário foi logo rebatido pelo bilionário, que repetiu a acusação de que o retorno dos dois americanos foi adiado por razões políticas e chamou o astronauta dinamarquês de “idiota”.

Na sequência, o astronauta aposentado da Nasa Scott Kelly saiu em defesa de Mogensen: “Fui comandante da ISS quando Andy voou em sua primeira missão espacial. Ele é uma das pessoas mais competentes e honestas que já conheci. Essa retórica é absurda, mas, infelizmente, não surpreendente. Ele não merece esse tipo de desrespeito”, escreveu. Musk respondeu reforçando seu insulto a Mogensen e criticando o irmão gêmeo de Kelly, Mark, um senador do Arizona.

— Essa tem sido a retórica. Desde o primeiro dia, o discurso tem sido o de que fomos presos, abandonados, deixados para trás. E nós dois entendemos. Mas, novamente, isso não é o que o nosso programa de voos espaciais humanos representa. Não nos sentimos abandonados, presos ou deixados para trás — disse Wilmore à CNN em fevereiro.

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O caso também desatou atenção especial na Índia, país com o qual Williams tem laços e que possui um ambicioso programa espacial. Em Jhulasan, vila natal do pai da astronauta, fiéis em um templo hindu e crianças da escola local passaram boa parte de segunda e desta terça-feira rezando pelo retorno seguro de Williams. O premier indiano, Narendra Modi, publicou uma carta para a astronauta, afirmando que o povo do país “rezava por sua boa saúde e sucesso na missão”.

Ainda em fevereiro, Musk sugeriu antecipar o fim da estação espacial, argumentando que o laboratório orbital deveria ser retirado de órbita em dois anos, em vez da meta atual de cinco anos. Na ocasião, ele escreveu no X que, ainda que a decisão seja do presidente, sua recomendação é para que o encerramento ocorra “o mais rapidamente possível”. O bilionário argumentou que a ISS “já cumpriu seu propósito” e que há “muita pouca utilidade incremental”, acrescentando: “Vamos para Marte.”

Construída em parceria com as agências espaciais do Canadá, Europa, Japão e Rússia, a Estação Espacial Internacional tem sido um pilar das iniciativas de voos espaciais humanos da Nasa nas últimas três décadas, servindo como o principal local onde astronautas vivem e conduzem pesquisas em órbita. Em 2021, a administração Biden estendeu a vida útil planejada da ISS para até 2030 — e, em junho passado, concedeu à SpaceX um contrato de US$ 843 milhões para desenvolver uma espaçonave que poderia guiar a ISS para fora da órbita.

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Em resposta às declarações de Musk, a Nasa afirmou que seus planos atuais “preveem o uso da ISS e futuras estações espaciais comerciais em órbita baixa da Terra para realizar pesquisas inovadoras, bem como um campo de treinamento para missões tripuladas à Lua e Marte”. Em nota, a agência disse estar “ansiosa para ouvir mais sobre os planos do governo Trump” para “a expansão da exploração em benefício de todos”.

Se Trump seguir a recomendação de Musk e encerrar o programa da ISS antes do previsto, a decisão pode gerar controvérsia entre parlamentares no Congresso, que são responsáveis pelo financiamento dos programas da Nasa. O senador republicano Ted Cruz, presidente da Comissão de Comércio, Ciência e Transporte do Senado, recentemente pediu o desenvolvimento de estações espaciais comerciais em órbita baixa.

— Uma das minhas principais prioridades no curto prazo é garantir que não percamos a liderança americana na órbita baixa da Terra — disse Cruz em fevereiro. — Investimos mais de US$ 100 bilhões na ISS, e seria uma enorme imprudência enviar prematuramente toda essa infraestrutura e os dólares dos contribuintes para o fundo do oceano.

Enquanto isso, os dois astronautas tidos como “presos” na estação pareciam animados com a experiência. Após passarem por exames médicos de rotina nesta terça-feira, eles embarcarão em um voo para Houston, onde se reunirão com suas famílias.

— Este é o meu lugar feliz — disse Williams no último mês. — Adoro estar no espaço. É simplesmente divertido. (Com Bloomberg e NYT)

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