Diante da redução do financiamento para pesquisas científicas nos Estados Unidos, um grupo de pesquisadores da Universidade da Califórnia, Los Angeles (UCLA), decidiu recorrer a uma estratégia inusitada: criar uma conta no OnlyFans dedicada exclusivamente ao compartilhamento de vídeos e imagens de marmotas, a fim de obter doações para dar continuidade ao seu trabalho.
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A iniciativa foi liderada por Daniel Blumstein, professor de Ecologia e Biologia Evolutiva da UCLA, enquanto conduzia estudos sobre marmotas-de-ventre-amarelo (Marmota flaviventer) nas Montanhas Rochosas do Colorado. Como ele contou à Live Science, a ideia foi recebida com entusiasmo por sua equipe de pesquisa, que decidiu nomear o projeto de “OnlyMarms”.
O Laboratório Biológico das Montanhas Rochosas (RMBL) estuda marmotas desde 1962. Durante esse período, compilou até 65 anos de informações sobre a dinâmica populacional, o comportamento social e as estratégias antipredatórias desses animais, considerados um modelo adequado para pesquisas de longo prazo devido aos seus hábitos diurnos e à vida em grupo.
Foto de marmotas compartilhada pelo grpo de pesquisa RMBL Marmot Project, da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, que enfrenta dificuldades financeiras após cortes do governo Donald Trump
Reprodução / Instagram / @rmblmarmotproject
Blumstein explicou ao Live Science que esse tipo de pesquisa nos permite entender como as populações animais mudam e como elas respondem a fatores como transformações ambientais e mudanças climáticas.
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A equipe afirma que a redução no financiamento federal para ciência e universidades os levou a buscar maneiras alternativas de cobrir parte dos custos do projeto. Em uma publicação no Instagram, a RMBL observou que o cenário de financiamento os motivou a recorrer ao OnlyFans, uma plataforma que eles renomearam, em tom de brincadeira, para “OnlyMarms”.
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Blumstein reconheceu que a receita gerada não substituirá o apoio federal que tradicionalmente possibilitou o desenvolvimento da pesquisa científica, embora espere que ela ajude a cobrir suprimentos e algumas despesas operacionais.
Como funciona a conta?
OnlyFans é uma plataforma de assinatura usada por criadores para oferecer conteúdo exclusivo em troca de pagamento. Embora seja amplamente conhecida por hospedar conteúdo adulto, também é usada por músicos, atletas e outras figuras públicas. Neste caso, a conta publica fotos e vídeos de marmotas realizando atividades cotidianas.
Segundo Blumstein contou ao The New York Times, ele teve até problemas para verificar a conta porque o sistema não aceitou a foto de sua carteira de motorista, situação sobre a qual ele brincou dizendo que a plataforma indicava que ele não se parecia com uma marmota.
Foto de uma marmota compartilhada pelo grpo de pesquisa RMBL Marmot Project, da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, que enfrenta dificuldades financeiras após cortes do governo Donald Trump
Reprodução / Instagram / @rmblmarmotproject
O modelo de financiamento baseia-se em uma assinatura gratuita e contribuições voluntárias dos seguidores. De acordo com o The New York Times, a conta registrou cerca de 2.900 visitas, 112 inscritos e arrecadou aproximadamente US$ 650 (cerca de R$ 3,3 mil, na cotação atual) até o início desta semana. A plataforma retém 20% da receita, e o restante está sujeito a impostos, explicou Blumstein.
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Emily Renkey, membro da equipe, disse ao Live Science que a maioria dos usuários faz doações em torno de US$ 10 (cerca de R$ 51, na cotação atual) , o que, em sua opinião, reflete um interesse crescente no projeto e na pesquisa científica.
Além de arrecadar fundos, os pesquisadores esperam que a iniciativa aproxime o público do comportamento das marmotas. Segundo Renkey, as imagens oferecem a oportunidade de observar aspectos da vida social desses animais que normalmente são difíceis de ver.
Blumstein explicou que o conteúdo inclui cenas de marmotas brincando, cavando tocas, carregando plantas e realizando outras atividades cotidianas. Ele também comentou, em tom de brincadeira, que as brigas ocasionais poderiam ser consideradas conteúdo para adultos.
O pesquisador reconheceu que preferiria dedicar seu tempo à escrita de artigos científicos e ao trabalho com estudantes, mas descreveu como frustrante a necessidade de recorrer a esse tipo de iniciativa para sustentar um projeto de pesquisa de longo prazo.
Conforme explicou ao Live Science, ele espera que os recursos obtidos contribuam para a manutenção do estudo sobre as marmotas e para a geração de informações úteis para entender como essas espécies estão respondendo às mudanças climáticas.

