O Departamento de Justiça dos Estados Unidos comunicou na última sexta-feira que os seis acusados de integrar um esquema internacional de lavagem de dinheiro proveniente do tráfico de drogas admitiram a participação no crime. A mais recente confissão foi a do brasileiro Ygor Fokin Saviolli, de 35 anos, aceita pela Justiça americana, somando-se à admissão de culpa de outros cinco integrantes denunciados no processo. Segundo as autoridades, a organização ocultou e movimentou mais de US$ 30 milhões (cerca de R$ 155 milhões) em recursos oriundos da venda de drogas.
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As confissões reforçam a investigação que colocou o brasileiro Victor Henrique Shimada no centro do caso. Alvo de sanções econômicas impostas pelo governo americano e de uma operação da Polícia Federal na última sexta-feira, Shimada é apontado pelo Departamento do Tesouro dos EUA como um elo com o PCC e um dos responsáveis por coordenar o esquema à distância.
De acordo com o Departamento de Justiça, além de Saviolli, confessaram participação Gabriel Cezar Menezes, Omar Aliperti De Mello Correa, João Andrade De Mello, Tadeu Sebastiane Rabelo Alves Barbosa e Leandro De Avila Gonçalves, todos moradores da região de Orlando, na Flórida. Eles responderam por conspiração para lavagem de dinheiro e podem ser condenados a até 20 anos de prisão. A pena será definida posteriormente por um juiz federal.
Segundo a investigação, o grupo organizava a coleta de grandes quantias de dinheiro em espécie obtidas com o tráfico de drogas em diversas cidades americanas. Os valores eram recolhidos por transportadores, depositados em bancos espalhados pelo país e enviados para contas bancárias com o objetivo de ocultar sua origem e devolvê-los aos fornecedores de drogas que atuavam fora dos Estados Unidos.
As operações eram coordenadas por meio de grupos de WhatsApp que reuniam organizadores e transportadores. Conforme o Departamento de Justiça, Saviolli financiava antecipadamente parte das operações e supervisionava o recebimento e a lavagem do dinheiro. Menezes coordenava os transportadores, dava instruções logísticas e também realizava pessoalmente coletas de dinheiro. Já Correa, João Andrade, Barbosa e Gonçalves atuavam como transportadores, recolhendo valores em cidades como Atlanta, Charlotte, Chicago, Cleveland, Minneapolis, Rochester e Tampa.
As autoridades americanas afirmam que a organização movimentou recursos em pelo menos 12 cidades dos Estados Unidos durante o período investigado.
Segundo os documentos do processo, o caso teve início após a apreensão do celular de Saviolli no Aeroporto de Fort Lauderdale, na Flórida, em 2023. No aparelho, investigadores encontraram fotos e vídeos de grandes quantias de dinheiro, além de mensagens que indicavam a existência do esquema. Em janeiro deste ano, quatro brasileiros foram presos após investigação conduzida pelo FBI.
As confissões indicam que Shimada participava da coordenação da organização. Conforme o depoimento de Saviolli, ele e Shimada recrutavam participantes, orientavam as operações e supervisionavam dezenas de coletas de dinheiro ao lado de Stella de Oliveira e Gabriel Menezes. Saviolli afirmou ainda que mantinha contato frequente com Shimada e recebia planilhas com datas, locais e valores das coletas. Entre agosto e outubro de 2023, ele admitiu ter facilitado a lavagem de mais de US$ 3,5 milhões, montante semelhante ao atribuído a Menezes.
Embora o Departamento do Tesouro americano tenha relacionado Shimada ao PCC ao anunciar as sanções, os documentos da ação criminal na Justiça da Flórida não mencionam facções brasileiras. O processo afirma que o esquema beneficiava o mexicano Manuel Garcia-Urrea, conhecido como Manny, apontado como fornecedor de drogas. Também não especifica quais substâncias eram comercializadas. À época da operação, o jornal Miami Herald informou que o dinheiro teria origem no tráfico de cocaína.
A investigação é conduzida pelo FBI, com apoio da Drug Enforcement Administration (DEA) e do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (HSI), incluindo o escritório do órgão em Brasília. A acusação é conduzida pelo Departamento de Justiça americano e pelo Ministério Público Federal do Distrito Sul da Flórida.

