Cuba começou a restabelecer sua rede elétrica nesta segunda-feira, após um novo apagão nacional na noite de domingo, o sexto em um ano, enquanto diversas regiões do país continuam sem eletricidade em meio a uma de suas piores crises energéticas e pressões dos Estados Unidos.
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A ilha, com 9,4 milhões de habitantes, sofre constantes cortes de eletricidade de várias horas por dia devido ao envelhecimento de suas usinas termelétricas. A situação se agravou desde janeiro com o bloqueio petrolífero americano.
Uma mulher carrega um leque ao longo de uma rua em Havana durante um apagão nacional, em 3 de agosto de 2026
YAMIL LAGE / AFP
Na noite de domingo, a estatal União Elétrica de Cuba (UNE) informou que uma “oscilação de frequência” deixou fora de serviço uma termelétrica no leste da ilha e “o sistema colapsou totalmente”.
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Este é o sexto apagão geral do ano e o décimo primeiro desde o final de 2024. Apenas 24 horas antes desse último corte total, cinco das 15 províncias do país ficaram às escuras por uma falha na rede.
Ao meio-dia desta segunda-feira, sete províncias do oeste e do centro de Cuba estavam conectadas à rede nacional, mas persistiam “impactos elevados e prolongados”, devido ao déficit de geração, o que continuava provocando apagões em todo o país, informou a TV estatal.
Até o momento, somente 27,6% de Havana contavam com serviço elétrico.
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Os cubanos não escondem seu cansaço e impotência diante dos apagões que, nas últimas semanas, superaram 30 horas consecutivas na capital. No interior do país, podem se prolongar por vários dias.
— Desde sexta-feira só tive uma hora e meia de eletricidade, não tem água, não tem nada, o que nós cubanos estamos vivendo não é vida — diz Mayra Rodríguez, uma contadora de 43 anos, que dorme na varanda de seu apartamento com dois filhos pequenos para suportar as noites de verão.
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Carlos Dueñas, um mecânico de 62 anos, está exausto devido à uma conjuntura “insustentável”.
— Ninguém diz quando poderá melhorar. Enquanto isso, temos que aguentar firme, nem todo mundo tem dinheiro para comprar painéis — afirma.
Pessoas dormem no Malecón, em Havana, durante um apagão nacional em 3 de agosto de 2026
YAMIL LAGE / AFP
Havana atribui o grave estado de sua rede elétrica às medidas punitivas de Washington, enquanto o governo dos EUA insiste que a responsabilidade é do governo cubano e da má gestão da economia.
As sete usinas termelétricas que constituem a base do sistema elétrico cubano, com mais de 40 anos de operação, sofrem avarias constantes.
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O bloqueio petrolífero imposto por Washington dificulta o fornecimento de combustível para estas usinas e para os geradores de reserva, que costumam funcionar com diesel importado.
Segundo o governo cubano, nos últimos sete meses, Washington só permitiu a chegada de um navio-tanque russo com 100 mil toneladas de petróleo bruto.
O governo do presidente americano, Donald Trump, também intensificou as sanções contra estatais cubanas, o que levou muitas companhias estrangeiras a suspenderem suas operações no país, reduzindo assim a entrada de divisas.

