O Ministério Público (MP) Eleitoral apresentou neste sábado uma ação de impugnação para tentar barrar a candidatura de João Drummond (PRD), vice-presidente da escola de samba Imperatriz Leopoldinense, a deputado estadual no Rio. João é neto do bicheiro Luizinho Drummond, antigo patrono da Imperatriz, e que faleceu em 2020.
No pedido à Justiça Eleitoral, o MP argumenta que a candidatura de João está ligada ao “universo da contravenção”. As autoridades também apontaram indícios de aproximação entre ele e a candidata a deputada federal Mariana de Souza (PP), que é esposa de um integrante da facção criminosa Comando Vermelho, segundo as autoridades.
Embora o candidato do PRD não seja atingido pela Lei da Ficha Limpa, já que ele não tem condenações judiciais, o MP citou a jurisprudência mais recente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que recomenda barrar candidaturas com “elementos denotativos de participação”, direta ou indireta, em organização criminosa.
“É possível inferir uma ligação, mesmo que indireta, de João Drummond com o jogo do bicho no Estado do Rio de Janeiro, já que é neto de Luizinho Drummond, apontado como um dos contraventores mais poderosos do Rio de Janeiro, falecido em 2020, e sobrinho de Vinícius Drummond, alvo de investigações sobre a contravenção e atuação em outros crimes, apontado como sendo integrante da cúpula do Jogo do Bicho”, diz o relatório de inteligência citado pelo MP ao pedir a rejeição da candidatura.
Segundo o Ministério Público, Vinícius Drummond, tio de João, controla atualmente pontos de jogo do bicho em favelas dominadas pela facção Comando Vermelho. Na ação de impugnação, o MP menciona ainda que João vem participando de atividades de pré-campanha ao lado de Mariana de Souza, candidata a deputada federal que tem “vínculo conjugal com Wilson Marques de Albuquerque”, integrante do CV no estado de Alagoas e atualmente foragido.
Na campanha, Mariana apresenta-se como fundadora de uma ONG no Complexo da Penha e, segundo o MP, possui “atuação eleitoral e territorial relacionada a vínculos com integrantes do Comando Vermelho e a possível utilização de estrutura territorial dominada pela facção”.
O MP argumenta que o “simples parentesco” de João Drummond ou sua presença ao lado de Mariana não são, “isoladamente, suficientes para demonstrar sua integração a organização criminosa”, mas sim o “conjunto” de elementos envolvendo sua atuação.
“Analisados em sua totalidade, os elementos coligidos evidenciam a convergência entre a estrutura familiar historicamente relacionada à contravenção, a posição institucional do impugnado na Imperatriz Leopoldinense, sua atuação político-territorial e sua aproximação com Mariana de Souza, cuja candidatura e atuação comunitária apresentam conexão com estrutura territorial dominada pelo Comando Vermelho”, diz a ação de impugnação.
Procurado, João Drummond não retornou o contato da reportagem. O GLOBO não conseguiu localizar Mariana.
João é aliado do deputado federal Doutor Luizinho (PP), e também vem participando de atividades de campanha junto ao grupo político do ex-prefeito Eduardo Paes (PSD), que concorre ao governo estadual.

