Por muito tempo, o imaginário em torno do bumbum perfeito parecia seguir uma fórmula: quanto maior e mais marcado, melhor. Esse padrão, porém, começa a dividir espaço com outra preferência. Em vez de buscar curvas cada vez mais volumosas, mulheres passaram a priorizar firmeza, contorno e proporção com o restante do corpo. A tendência, chamada de “bumbum naturalizado”, não significa abandonar os procedimentos estéticos, mas recorrer a intervenções mais discretas e direcionadas.
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A mudança aparece também entre celebridades, que têm compartilhado escolhas diferentes das que marcaram a estética corporal dos últimos anos. No Brasil, Virginia Fonseca voltou a colocar o assunto em evidência ao revelar que fez um retoque nos glúteos antes do verão europeu. A influenciadora já havia contado que se incomodava com a chamada “bananinha”, região abaixo do bumbum, e decidiu tratar a área para deixá-la mais elevada.
“Estava me incomodando bastante e fui deixar esse bumbum empinado”, afirmou ao mostrar o procedimento. A proposta, nesse caso, não estava ligada ao aumento do volume, mas à correção de uma característica específica que a incomodava.
Virginia Fonseca
Reprodução Instagram
No exterior, Cardi B chamou atenção por uma decisão em direção oposta. A rapper revelou que reduziu o volume dos glúteos depois de anos convivendo com biopolímeros aplicados quando tinha 21 anos. Ela passou pela retirada de parte das substâncias e afirmou estar satisfeita com o resultado atual.
“Eu gosto de como meu corpo está agora. Estou confortável na minha pele”, declarou ao responder a seguidores que sugeriam uma nova cirurgia. A escolha ganhou repercussão justamente por partir de uma artista cuja imagem esteve, durante anos, associada às curvas acentuadas.
Cardi B
Reprodução Instagram
Para Nívea Bordin Chacur, médica e CEO das Clínicas Leger, a mudança já pode ser percebida nos consultórios. Segundo ela, o pedido de pacientes deixou de estar tão ligado à reprodução de um modelo específico e passou a considerar as características individuais.
“Durante muito tempo, as mulheres chegavam mostrando fotos de outras pessoas e pedindo um formato específico. Hoje, querem preservar a própria anatomia, melhorar firmeza, textura e proporção sem ficar com um resultado igual ao de todo mundo. O pedido deixou de ser ‘quero mais’ e passou a ser ‘quero melhor'”, afirma.
Outras famosas também expuseram tratamentos com objetivos que vão além do aumento dos glúteos. Após duas gestações, Bruna Biancardi recorreu a um bioestimulador de colágeno para tratar a flacidez e relatou ter percebido mudanças na firmeza e na elevação da região. Isabelle Nogueira, por sua vez, falou sobre um tratamento para uma celulite antiga que, segundo seu relato, provocava inflamação, tração na musculatura e dor.
Juju Salimeni também compartilhou uma experiência semelhante ao contar que, mesmo após mais de duas décadas de treinos e cuidados com a alimentação, ainda tinha marcas que a incomodavam. A busca, segundo ela, foi por procedimentos voltados à sustentação e à textura da pele, e não simplesmente por mais volume.
Para Nívea, a mudança acompanha uma transformação na própria relação das mulheres com os procedimentos corporais. A ideia de naturalidade, nesse contexto, não significa necessariamente abrir mão de intervenções ou reduzir medidas, mas escolher recursos que respeitem as características de cada pessoa.
“A naturalidade não significa ausência de intervenção nem necessariamente um bumbum menor. Significa escolher o que faz sentido para cada anatomia, sem transformar todas as pacientes em versões do mesmo padrão. O novo objetivo deixou de ser chamar atenção. Passou a ser ter um bumbum que combine com o próprio corpo”, conclui.

