Mais uma vez, a terra tremeu. Mais uma vez, prédios desabaram. Mais uma vez, eles se perguntaram onde estariam seguros. Winder e Deivi Delfín, de 15 e 17 anos, sobreviveram aos terremotos consecutivos que atingiram a Venezuela em 24 de junho e mataram milhares de pessoas, entre elas a mãe, o irmão mais novo e a avó dos adolescentes. No mês passado, a busca de 26 dias pelos corpos dos familiares foi tema de uma reportagem do New York Times. Depois, os irmãos se mudaram para Cali, na Colômbia, onde o pai vive e trabalha como barbeiro.
Contexto: Irmãos passam quase um mês cavando escombros para resgatar a própria família na Venezuela
Entenda: Por que o terremoto na Colômbia foi tão destrutivo apesar de ter ocorrido a 110 km de profundidade
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Deivi Delfín apoia-se em escombros para lamentar a perda de familiares, cujos corpos foram recuperados após terremotos consecutivos em Caraballeda, Venezuela, em 19 de julho de 2026
Adriana Loureiro Fernandez / The New York Times
Na segunda-feira, quando um terremoto de magnitude 7,4 atingiu uma região não muito distante de Cali, eles se viram novamente no centro de um desastre. Às 7h34, a casa onde moravam começou a tremer. Eles saíram correndo, em pânico, conta o pai, Deivid Delfín, de 44 anos, que estava fora de casa naquele momento. Ele também correu — em direção à residência.
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A princípio, não conseguiu encontrar os filhos. Quando finalmente os localizou, começou a chorar.
— Comecei a chorar e tudo mais, porque fiquei com medo por causa do que tinha vivido e do que meus filhos tinham vivido. Não quero que nada aconteça com meus filhos — relata o pai.
Imagens aéreas mostram estruturas desabadas em Cali após terremoto
Semanas antes, Delfín havia dito que esperava dar aos filhos um novo começo, longe de desastres. Venezuela e Colômbia são países vizinhos e frequentemente compartilham tragédias. Durante anos, vítimas do conflito interno colombiano fugiram para a Venezuela. Depois, migrantes venezuelanos que tentavam escapar de um governo autoritário fizeram o caminho inverso e buscaram refúgio na Colômbia.
— Agora estamos do lado de fora de casa, apenas sentados aqui — diz Delfín, acrescentando que os filhos estavam com medo demais para entrar na residência. — Mas estamos bem. Estamos aqui, vivos.

