Um deslocamento de poucas horas entre São Paulo e Goiânia colocou Virginia Fonseca no centro de uma discussão que vai além da rotina da influenciadora. Sócia de uma academia na capital goiana, ela viajou de jatinho até a cidade para participar de atividades no estabelecimento e retornou a São Paulo no mesmo dia. A escolha do meio de transporte reacendeu o debate sobre o impacto ambiental da aviação privada, especialmente quando utilizada em trajetos relativamente curtos.
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O caso se soma a outros episódios envolvendo celebridades internacionais que passaram a ser questionadas pelo uso de jatos particulares. Em 2022, Kylie Jenner foi criticada depois que uma aeronave associada à empresária percorreu em 17 minutos a distância entre Van Nuys e Camarillo, na Califórnia. Kim Kardashian também já foi alvo de críticas por deslocamentos em seu jato particular, em um debate que ganhou força entre famosos sobre o impacto ambiental da aviação executiva.
Por estrada, o trajeto feito pela aeronave associada a Kylie levaria cerca de 40 a 50 minutos. A repercussão aumentou depois que a empresária publicou uma foto ao lado dos jatos dela e de Travis Scott com a frase “Você quer pegar o meu ou o seu?”. Não há, porém, comprovação pública de que ela estivesse a bordo daquela viagem específica.
Outro episódio envolveu Drake. No mesmo ano, seu Boeing 767 fez um percurso de 14 minutos entre Toronto e Hamilton, no Canadá. O rapper afirmou que a aeronave estava sendo levada ao aeroporto onde seria armazenada e que não havia passageiros a bordo. “Isso é apenas eles levando os aviões para o aeroporto onde ficam armazenados. Ninguém pega esse voo”, escreveu.
Embora a justificativa indicasse que não se tratava de uma viagem pessoal, o deslocamento continuou sendo questionado pelo impacto ambiental associado à operação da aeronave.
Taylor Swift também se tornou um dos principais nomes relacionados ao debate sobre o uso de jatos particulares. Em 2022, um levantamento baseado no rastreamento de uma de suas aeronaves apontou centenas de deslocamentos e milhares de toneladas de CO₂ atribuídas ao avião.
A equipe da cantora contestou a associação entre todos aqueles trajetos e a artista. “O jato de Taylor é regularmente emprestado a outras pessoas. Atribuir a ela a maioria ou todos esses voos é completamente incorreto”, afirmou um representante.
A discussão ganhou novo capítulo durante a “The Eras Tour”, quando a cantora passou a ser fotografada em deslocamentos frequentes, inclusive para acompanhar partidas de futebol americano de Travis Kelce. Na ocasião, sua equipe também afirmou que Taylor havia adquirido créditos de carbono em quantidade superior à necessária para compensar as viagens relacionadas à turnê.
Por que os voos curtos chamam atenção
A preocupação com a aviação executiva está relacionada à quantidade de gases de efeito estufa emitida por esse tipo de transporte. De acordo com estimativas citadas em estudos sobre o setor, jatos particulares podem liberar entre cinco e 14 vezes mais CO₂ por passageiro do que voos comerciais e cerca de 50 vezes mais do que viagens de trem.
A aviação privada também ampliou suas emissões nos últimos anos. Um estudo sobre o setor estimou crescimento de 46% entre 2019 e 2023. O aumento ajuda a explicar por que os deslocamentos de celebridades, empresários e outras figuras públicas passaram a ser observados também pelos impactos ambientais associados a esse meio de transporte.
Com circunstâncias diferentes e versões contestadas em alguns casos, os episódios envolvendo Virginia, Kylie Jenner, Drake e Taylor Swift mostram como o uso de jatos particulares passou a integrar uma discussão mais ampla sobre as emissões da aviação executiva.

