Na manhã desta quarta-feira (12), a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrou a Operação Narciso para desarticular uma rede nacional de produção e venda clandestina de anabolizantes e medicamentos proibidos. Apontado como líder do esquema, Roberto Carlos Pereira de Carvalho, conhecido como “Jiraiya” ou “mafioso das bombas”, teria construído uma estrutura que movimentava cerca de R$ 500 mil líquidos por mês, segundo a investigação.
Passageiros são retirados de avião pela PF após brincadeira sobre bomba em Foz do Iguaçu
Veja vídeo: Quatro mulheres são assaltadas por criminoso armado em motocicleta em bairro nobre de São Paulo
Mansões, redes sociais e laboratórios clandestinos
Segundo a polícia, Jiraiya evitava participar diretamente da fabricação. Ele alugava imóveis de alto padrão em diferentes estados e contratava terceiros para produzir e distribuir as substâncias. A organização mantinha laboratórios em São Paulo, Paraíba, Distrito Federal, Foz do Iguaçu e no Paraguai. A venda era feita principalmente pelas redes sociais, enquanto as entregas chegavam aos clientes por meio de motoboys e serviços de delivery.
A investigação aponta que a principal marca ligada ao grupo, a New Science, patrocinava fisiculturistas e mantinha relações com profissionais que indicariam os produtos clandestinos. As matérias-primas eram trazidas da Índia, China e Paraguai e, em alguns casos, escondidas em peças de motocicletas para dificultar a fiscalização. De acordo com a PCDF, os produtos eram preparados sem condições adequadas de higiene e misturados a diferentes tipos de óleo.
Substâncias veterinárias e risco aos consumidores
Ainda conforme a investigação, a fórmula de alguns produtos incluía substâncias de uso veterinário, como clembuterol, e diuréticos que não apareciam nos rótulos. A falta de controle sanitário teria provocado reações alérgicas, abscessos, tromboses e infecções graves em usuários, com registros de mortes relacionados ao consumo.
A operação atingiu a estrutura financeira e logística do grupo em oito estados e no Distrito Federal. A Justiça autorizou 43 prisões, 64 mandados de busca e apreensão e o bloqueio ou sequestro de R$ 32 milhões em ativos. Também foram apreendidos dez veículos de luxo e derrubados mais de 30 sites usados para a comercialização ilegal, segundo a polícia.

