O Paquistão denunciou nesta quarta-feira um ataque realizado pelo grupo rebelde Houthis, do Iêmen, que matou três cidadãos paquistaneses em uma embarcação no Mar Vermelho na terça-feira. A ação foi a primeira a deixar mortos na região desde o início do anunciado bloqueio houthi ao Estreito de Bab al-Mandeb, em 20 de julho, mirando sobretudo embarcações da Arábia Saudita, uma importante aliada de Islamabad.
Equilíbrio do Oriente Médio por um fio: Iêmen se vê diante do risco de retomada da guerra civil
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“Fiquei profundamente preocupado ao tomar conhecimento do lamentável incidente”, escreveu o ministro das Relações Exteriores do Paquistão, Ishaq Dar, em uma publicação no X, na qual confirmou que três nacionais do país foram mortos e um ficou ferido no ataque. “O Paquistão condena veementemente o ataque dos Houthis contra uma embarcação comercial”.
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A Guarda Costeira do Iêmen anunciou na véspera o ataque letal disparado pelos Houthis, informando que teria ocorrido perto de Bab el-Mandeb, na costa sul do Iêmen. Ao todo, seis pessoas morreram, de acordo com autoridades do governo internacionalmente reconhecido, incluindo quatro marinheiros — três paquistaneses e um indonésio — e dois integrantes de forças de resgate, atingidos em um segundo ataque quando tentavam retirar a tripulação do local. A contagem anunciada na véspera foi de dez feridos.
Os Houthis não fizeram nenhum comentário oficial sobre o incidente, mas têm intensificado ações ofensivas na rota naval, incluindo em posições mais ao norte do Mar Vermelho, em uma campanha que diz ser de resposta ao governo de Riad, que apoia as forças do governo internacionalmente reconhecido — oficialmente em guerra civil com o grupo.
Após mais de cinco meses de guerra entre EUA e Irã, o preço do barril de petróleo no mercado global segue volátil. A escalada de tensões no Mar Vermelho provocada pelos Houthis ampliou ainda mais a insegurança. Um distúrbio em Bab el-Mandeb pode cortar a conexão entre o Mar Vermelho e o Golfo de Áden, enquanto ataques mais ao norte podem pressionar o tráfego naval no Estreito de Ormuz.
Aliança à prova
O Paquistão, única potência nuclear entre os países de maioria muçulmana, vem mantendo uma certa neutralidade diante do conflito no Oriente Médio, mantendo-se em uma posição de mediador. Alguns analistas, porém, questionam até que ponto Islamabad conseguirá se manter distante, à medida que a situação se espalha.
O país mantém um pacto de defesa com a Arábia Saudita — ampliado na semana passada para incluir a Turquia. Entre os termos estabelecidos, há um dispositivo de defesa coletiva, que em tese forçaria os países a defenderem os aliados de agressões estrangeiras como se elas fossem direcionadas a seus territórios. Apesar disso, as autoridades têm reiterado que o acordo se tem natureza “puramente defensiva”.
“Estamos em contato com as autoridades sauditas competentes, bem como com o Governo do Iêmen, reconhecido internacionalmente, para apurar mais detalhes do incidente e as circunstâncias que cercam [o ataque]”, disse Dar.
Apesar dos últimos acontecimentos, o país continua envolvidos nos esforços diplomáticos para solucionar a crise no outro lado da Península Arábica. O ministro do Interior do Paquistão, Mohsin Naqvi, está atualmente no Irã para discutir a segurança regional, informou o Ministério das Relações Exteriores do Paquistão nesta quarta-feira. (Com AFP)

