Enquanto os brasileiros precisaram acompanhar pelas telas o eclipse solar desta quarta-feira (12), Maria Eduarda Oliveira e Luís Eduardo Youssef tiveram a chance de assistir ao fenômeno durante a lua de mel na Itália. O casal de goianos que vive em Brasília estava na Fondamenta Zattere, orla às margens do Rio dei Carmini, em Veneza, quando a Lua começou a encobrir o Sol no fim da tarde.
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Os dois chegaram ao país no dia 3 de agosto e ficam até o dia 20. Depois de passarem por Roma, estavam em Veneza e ainda seguirão para a Sicília. A coincidência entre a viagem e o eclipse fez com que eles mudassem o roteiro para encontrar um ponto de onde pudessem acompanhar o fenômeno.
— Quando a gente descobriu, foi atrás e tudo mais. Eu achei que foi um presente para a gente ter a oportunidade de estar aqui na época do eclipse e ver o eclipse na lua de mel. O eclipse, por si só, já é muito romântico, o Sol com a Lua, então tem todo um simbolismo, uma mitologia por trás disso. Eu achei que foi bem poético ter acontecido na nossa lua de mel. É um presente do universo — contou Maria Eduarda ao GLOBO.
Eclipse solar visto da Fondamenta Zattere, às margens do Rio dei Carmini, em Veneza; fenômeno coincidiu com o pôr do sol.
Arquivo pessoal
Pôr do sol, nuvens e uma Veneza lotada
Maria Eduarda contou que o casal pesquisou os melhores pontos de Veneza para acompanhar o eclipse, que coincidiria com o pôr do sol, por volta das 20h30 (horário local). Eles escolheram a Fondamenta Zattere, onde encontraram uma grande concentração de turistas. O eclipse começou a ser percebido enquanto os dois estavam em um bar.
— Aqui estava cheio. O pessoal estava bem preparado, com óculos de eclipse. A gente veio com os nossos óculos de sol mesmo. Quando viu que o Sol estava começando a ter modificação, a gente saiu e ficou atento a ele. Deu para ver o eclipse parcialmente — relatou.
A experiência, porém, foi prejudicada pelas nuvens e pelos prédios próximos à orla. Segundo Maria Eduarda, o céu estava aberto em outras direções, mas justamente na região onde o Sol se punha havia nebulosidade. Por isso, o casal conseguiu observar o fenômeno apenas nos intervalos em que as nuvens se afastavam.
— A gente só conseguia ver o eclipse de relance. Passava uma nuvem, abria e a gente via; passava uma nuvem, fechava e a gente parava de ver. A gente não viu ele no auge. Viu só parcialmente. Eu acho que a gente conseguiu ver uns 40% do eclipse no geral.
Mesmo sem acompanhar a totalidade, Maria Eduarda disse que o clima entre os turistas era de expectativa e descontração. A região ficou movimentada antes do fenômeno, com pessoas chegando de diferentes pontos para assistir ao céu mudar.
Turistas e moradores se reuniram na Fondamenta Zattere para acompanhar o eclipse solar; região ficou movimentada durante o fenômeno.
Arquivo pessoal
— Eu achei que foi um privilégio ter visto e achei que as pessoas aqui estavam bem empolgadas. Quando a gente viu que o Sol já foi se pondo e realmente não ia ter mais do eclipse, a galera começou a ir embora. Antes estava muito cheio. No caminho tinha muita gente seguindo nessa mesma direção que a gente. Acho que as pessoas se deslocaram de longe só para estar nessa região e ver o eclipse.
A cena, segundo ela, lembrou um conhecido ponto de observação no Rio de Janeiro, onde cariocas costumam se reunir para acompanhar o pôr do sol.
— É legal o rolê, né? A gente está aqui com todo mundo. O pessoal aqui só não bate palma, igual no Arpoador, mas a gente achou bem legal — contou.
Maria Eduarda Oliveira registra o eclipse solar durante a lua de mel em Veneza. Nuvens prejudicaram a visão do fenômeno em alguns momentos.
Arquivo pessoal
Fenômeno cruzou a Europa
O eclipse solar foi total em partes da Rússia, Groenlândia, Islândia, Espanha e em uma pequena área de Portugal. Fora da faixa de totalidade, o fenômeno foi parcial em diversas regiões da Europa, incluindo a Itália. Em Veneza, cerca de 92% do Sol ficou encoberto no auge, às 20h19, pouco antes do pôr do sol.
Na Espanha, onde ocorreu a fase total em diversas áreas, o fenômeno mobilizou milhares de pessoas e atraiu observadores de diferentes países. O eclipse foi o primeiro total visível na Europa continental desde 2006.
No Brasil, o eclipse não pôde ser observado nem parcialmente. O Observatório Nacional transmitiu o fenômeno pela internet para permitir que o público acompanhasse o evento.
O último eclipse solar total visível no Brasil ocorreu em 3 de novembro de 1994. O próximo está previsto para 12 de agosto de 2045, com a faixa de totalidade passando principalmente pelas regiões Norte e Nordeste.
Para Maria Eduarda e Luís, a experiência acabou ganhando um significado próprio dentro da viagem de casamento. Os dois resumiram o momento como “o encontro do improvável” e “o presente de casamento que a gente ganhou”.
— É uma dádiva do universo. O presente de casamento que a gente ganhou. O encontro do improvável — concluíram.
Maria Eduarda Oliveira e Luís Eduard Youssef durante a lua de mel em Veneza, na Itália. Casal acompanhou o eclipse solar na cidade nesta quarta-feira (12).
Arquivo pessoal

