Luigi Mangione se declarou culpado nesta sexta-feira em um tribunal federal de Manhattan pelas acusações de perseguição que resultou na morte de Brian Thompson, CEO da UnitedHealthcare. Mangione, de 28 anos, enfrenta também acusações no estado de Nova York pela morte do executivo, e um julgamento por homicídio está marcado para começar em 8 de setembro. A sentença de Mangione no processo federal está marcada para 18 de dezembro.
— Eu atirei no senhor Thompson e ele morreu — disse Mangione. — Eu sabia que o que estava fazendo era ilegal.
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Mangione deveria ser julgado em janeiro no processo federal pelas acusações de perseguição, que podem resultar em prisão perpétua. Ele não é acusado de homicídio no processo federal. Os detalhes sobre quais acusações ele admitiu ainda não foram divulgados, e a declaração de culpa pode afetar o andamento do processo estadual.
Thompson foi morto a tiros em 4 de dezembro de 2024, do lado de fora de um hotel em Midtown Manhattan onde a UnitedHealth realizava uma conferência com investidores. O assassinato e a busca de cinco dias pelo suspeito mobilizaram a atenção dos Estados Unidos, equanto Mangione passou a receber apoio de pessoas que afirmavam que ele havia expressado a revolta contra o sistema de saúde americano.
No processo estadual, Mangione enfrenta uma acusação de homicídio em segundo grau, que pode resultar em uma pena de 25 anos de prisão a prisão perpétua. A seleção do júri está prevista para começar em 8 de setembro. O juiz Gregory Carro rejeitou anteriormente uma acusação de terrorismo e uma acusação de homicídio em primeiro grau, reduzindo as possíveis penas no caso estadual.
A declaração de culpa no processo federal pode abrir uma nova disputa sobre a realização do julgamento estadual. A defesa de Mangione sustenta desde dezembro de 2024 que os processos paralelos violam seus direitos. Os advogados podem argumentar que a lei de Nova York sobre dupla incriminação impede que ele seja julgado pelo homicídio, já que as acusações estaduais e federais estão relacionadas ao mesmo ato criminoso.
O escritório do promotor distrital de Manhattan, Alvin Bragg, deve se opor a esse argumento. Os promotores estaduais afirmam que o processo por homicídio trata de um dano diferente daquele abordado pelas acusações federais de perseguição. Em uma carta enviada ao juiz Carro em 2 de julho, o promotor Joel Seidemann disse que o escritório se oporia caso uma declaração de culpa federal “servisse para impedir um resultado justo no processo estadual”.
A questão da dupla incriminação é considerada complexa porque os sistemas de Justiça estadual e federal são separados e podem apresentar acusações por crimes diferentes. Especialistas jurídicos citados no caso afirmam que seria necessário analisar os elementos das acusações de perseguição e homicídio para determinar se a proteção se aplica.
Antes disso, os dois processos contra Mangione já haviam sido reduzidos. Em janeiro, a juíza federal Margaret Garnett rejeitou duas acusações no processo federal, incluindo uma que poderia resultar em pena de morte. No processo estadual, Carro rejeitou a acusação de terrorismo por considerar as provas “juridicamente insuficientes”.
Mangione, formado pela Universidade da Pensilvânia e ex-engenheiro de dados, havia se declarado inocente de todas as acusações nos processos federal e estadual. Seus advogados também conseguiram restringir algumas das provas que os promotores estaduais podem usar contra ele.
A declaração de culpa ocorre depois de negociações entre os promotores federais e a defesa no fim de junho. As conversas não haviam chegado a um acordo, segundo pessoas familiarizadas com as negociações. A possibilidade de uma declaração de culpa federal veio a público semanas antes da audiência desta sexta-feira, quando o escritório de Bragg levantou a questão da dupla incriminação.
(Com Bloomberg e New York Times)

