A Scotland Yard (oficialmente Polícia Metropolitana de Londres) admitiu ao jornal The Telegraph que expôs os e-mails – e, assim, as identidades – de 143 vítimas do magnata egípcio Mohamed al-Fayed, acusado de estupro, violência sexual, cárcere privado, tráfico humano, violência física, uso de drogas e aborto forçado por 421 pessoas.
O vazamento dos dados foi classificado como “erro humano” pela polícia, que deixou as informações visíveis em uma lista de distribuição de updates do inquérito.
“Na terça-feira, 11 de agosto, oficiais emitiram uma atualização mensal para as vítimas a respeito do progresso na nossa investigação sobre aqueles que podem ter facilitado os crimes de Mohamed al-Fayed. Devido a erro humano, os endereços de e-mail dos destinatários estavam visíveis para outros na lista de distribuição. O problema foi identificado rapidamente e uma medida imediata foi tomada. Nós compreendemos o impacto que isso pode ter tido nas vítimas e nos desculpamos sinceramente”, disse um porta-voz da Scotland Yard à publicação.
Além disso, a polícia londrina garantiu que todos os afetados foram alertados diretamente no dia do vazamento, apesar de a exposição das informações das vítimas ter se alvo de críticas internacionalmente nos últimos dias.
De acordo com o Telegraph, a lista de e-mails teria sido encaminhada para outros 12 destinatários em uma mensagem que informava as vítimas que outros três suspeitos – um na casa dos 70 anos, e outros dois dos 80 – haviam sido formalmente interrogados a respeito de seu envolvimento com Mohamed al-Fayed e seus crimes sexuais, cometidos entre 1977 e 2014.
No total, sete suspeitos já foram interrogados até o momento pela polícia londrina, que diz tratar o caso como prioridade e estar revisando seus protocolos para que um novo vazamento não ocorra. A própria Scotland Yard se submeteu neste caso à avaliação do Escritório do Comissário de Informação, órgão regulatório do governo britânico sobre questões de direitos à informação pública, segundo o jornal The Guardian.
Mohamed al-Fayed, ex-dono da loja de departamentos de luxo Harrods, ficou conhecido internacionalmente em 1997 por suas diversas alegações a respeito da morte de Diana e de seu filho, Dodi al-Fayed, o último namorado da princesa de Gales. O empresário acreditava que as mortes não haviam sido resultado de um acidente em Paris, mas de uma conspiração para assassinar Diana que envolveria inclusive membros da Família Real Britânica.
Investigações nunca comprovaram as insinuações de Mohamed al-Fayed, que morreu em 2023 aos 94 anos, sem nunca ter respondido legalmente por nenhum dos crimes de que é acusado.
Esta não é a primeira vez que a abordagem da Scotland Yard é criticada por vítimas de Mohamed al-Fayed. Em junho, três sobreviventes fizeram uma queixa ao Escritório Independente para Conduta Policial (IOPC, em inglês) sobre a forma como o caso foi conduzido de 2018 a 2024. No mesmo mês, a polícia londrina mandou relatos escritos a mão por Joanna Brittan, uma das sobreviventes, a outra vítima na Austrália.
Desde maio, o IOPC investiga um policial e outros quatro ex-policiais a respeito de sua conduta no caso. Pelo menos 21 das vítimas teriam feito suas denúncias antes da morte de al-Fayed, mas não está claro porque as investigações não avançaram. Por isso, há quase dois anos, foi lançada a Operação Cornpoppy, que investiga potenciais suspeitos de terem colaborado ou acobertado os crimes de Mohamed al-Fayed, visando descobrir se havia por trás deles uma rede de tráfico.
No One Above, coletivo fundado pelas vítimas, tem pedido à Agência Nacional de Crime que passe a supervisionar a investigação.

