Pelo menos três pessoas morreram em incêndios na Europa no domingo, incluindo duas na ilha grega de Salamina e um soldado espanhol que participava do combate às chamas em Aragão. Em meio à onda de calor, países de diferentes regiões do continente europeu enfrentam novos incêndios florestais, com focos também na França e na Bélgica. Somadas as áreas para as quais as autoridades forneceram estimativas, as chamas atingiram ao menos 60,3 mil hectares — o equivalente a cerca de 84,4 mil campos de futebol.
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Contexto: França e Grécia prendem centenas de pessoas por incêndios florestais em meio a onda de calor na Europa
Na Grécia, os corpos das duas vítimas foram encontrados na região da praia de Peristeria, no sul de Salamina, depois que dois incêndios começaram quase simultaneamente na ilha. Segundo os bombeiros, centenas de pessoas receberam ordens de evacuação. Salamina é um destino popular entre os atenienses durante as férias e fins de semana.
Outro incêndio começou na tarde de sábado na ilha grega de Skyros. Cerca de cem bombeiros combatem as chamas com o apoio de 11 aviões, cinco helicópteros e pelo menos 20 veículos. O prefeito da ilha, Kyriakos Antonopoulos, afirmou ao canal público ERT que foi necessário ordenar a retirada “por precaução” da região da vila de Pefko.
Skyros tem normalmente cerca de 3 mil habitantes, mas recebe numerosos turistas gregos e estrangeiros durante o verão. Na sexta-feira, um incêndio também atingiu um balneário na Croácia, matando uma pessoa, ferindo 40 e obrigando 1,2 mil moradores e turistas a deixar a região, segundo as autoridades.
‘Condições difíceis’ na Bélgica
Na Bélgica, mais de 250 bombeiros e profissionais de emergência participam do combate ao incêndio nas Hautes Fagnes, incluindo equipes da Alemanha. Cerca de 600 pessoas dos municípios de Waimes e Bütgenbach, na província de Liège, foram orientadas a deixar suas casas no sábado, enquanto turistas também foram aconselhados a sair devido à mudança dos ventos e à propagação da fumaça.
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O incêndio atingiu cerca de 3 mil hectares e foi descrito pelas autoridades como o maior da história moderna da Bélgica. Agricultores ajudaram no combate usando tratores para transportar água do lago Robertville, e o apoio aéreo incluiu duas aeronaves suecas capazes de lançar água e quatro helicópteros — dois da Bélgica e dois dos Países Baixos.
O terreno da reserva, formado por floresta densa, áreas de turfa e passarelas elevadas de madeira, dificulta o acesso de veículos pesados. O acesso ao lago Bütgenbach foi proibido no domingo para permitir o reabastecimento das aeronaves.
Segundo o ministro do Interior belga, Bernard Quintin, as condições permanecem difíceis, embora duas frentes de incêndio em direção a Jalhay e Monschau estejam sob controle. O ministro afirmou que todos os recursos continuariam mobilizados no terceiro dia de combate.
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O incêndio começou em uma área que havia sido devastada por grandes incêndios florestais em 1911, durante um período de seca. A Bélgica acionou no sábado o mecanismo europeu de assistência mútua, e são esperados outros recursos aéreos da República Tcheca, Suécia e, possivelmente, Alemanha e Noruega.
Operação recorde na Espanha
Na Espanha, a região de Aragão, no nordeste do país, mobilizou uma operação recorde para combater um incêndio que começou na segunda-feira e se aproximou de dois mosteiros históricos de San Juan de la Peña. As chamas, alimentadas pelo vento, atingiram 17,5 mil hectares e provocaram o deslocamento de mais de mil pessoas.
Um soldado espanhol morreu no domingo enquanto participava dos esforços para extinguir o incêndio. Segundo as autoridades, o caminhão em que ele estava caiu em uma ravina na região de Atares, perto do monte Oroel, um pico emblemático localizado em uma área de terreno acidentado e com estradas estreitas.
Outros três ocupantes do veículo de combate a incêndios foram levados a um hospital com ferimentos de gravidade variada, informou o governo regional. A Unidade Militar de Emergências (UME) do Exército confirmou “com profunda dor” a morte do soldado.
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Também no domingo, o governo regional informou que foi possível “consolidar boa parte do perímetro” do incêndio e “avançar na contenção do fogo”. A operação, que inclui reforços franceses, chegou a mil pessoas, com o apoio de entre 35 e 40 aeronaves.
As chamas chegaram perto dos dois mosteiros de San Juan de la Peña, símbolos da região. O mais antigo, ligado pela lenda ao Santo Graal, tem origens no século 10 e abriga os restos mortais dos primeiros reis do reino medieval de Aragão, que foram resgatados na quinta-feira.
Mais de mil pessoas foram retiradas das localidades próximas, enquanto várias estradas e parte da rede ferroviária regional estão fechadas. O presidente de Aragão, Jorge Azcón, afirmou que o rei Felipe VI havia ligado para ele para “manifestar seu apoio” e “gratidão” aos bombeiros. A Guarda Civil prendeu uma pessoa suspeita de ter iniciado o incêndio.
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Em Huelva, na Andaluzia, o presidente regional, Juanma Moreno, informou que a direção do Plano Operacional comunicou a “estabilização do incêndio” após 36 horas sem registro de novos focos. Mais de 400 moradores que haviam sido deslocados poderão retornar às suas casas.
Incêndio ‘inédito’ na França
Na França, cerca de 1,7 mil hectares foram queimados desde quinta-feira em uma floresta de pinheiros nas Landes, no sudoeste do país. Segundo o prefeito Gilles Clavreul, a situação evoluía de maneira “mais favorável” no domingo. Cerca de 550 bombeiros atuam na região.
Nas Ardenas, no nordeste da França, cerca de cem hectares foram queimados desde a manhã de sábado. Segundo David Gouzou, vice-diretor local dos bombeiros, o incêndio é algo “inédito na história recente” do departamento. A prefeitura afirmou que a situação no momento, porém, é “mais favorável”.
Centenas de outras pessoas foram deslocadas de vilarejos no oeste da Alemanha e no sudoeste da França. Na Grécia, turistas que ficaram presos foram retirados de praias ameaçadas pelas chamas, enquanto, na Espanha, o Exército atuou no resgate de relíquias históricas. Grande parte da Europa atravessa um novo período de calor intenso, com condições favoráveis à ocorrência de incêndios florestais.
(Com AFP)

