Três dos cinco principais candidatos à Presidência começaram a campanha eleitoral neste domingo usando coletes à prova de balas durante seus primeiros compromissos públicos. Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão) adotaram a proteção, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Romeu Zema (Novo) participaram das agendas sem colete.
As informações foram confirmadas pelas assessorias dos candidatos ou por interlocutores que estavam com os postulantes As diferentes escolhas ocorrem em um dia marcado por atos de rua, carretas, caminhadas e comícios na largada oficial da disputa eleitora. A partir deste domingo, os candidatos passaram a poder pedir votas explicitamente e realizar atos como passeatas e carreatas.
Flávio abriu a campanha na Praia de Copacabana, no Rio, onde fez um discurso centrado principalmente em segurança pública e críticas ao governo Lula. O senador afirmou que o país perdeu soberania para o crime organizado e acusou a gestão federal de não enfrentar criminosos.
Segundo o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalvante, a previsão é que Flávio use colete à prova de balas durante toda a campanha, por determinação de sua equipe de segurança. Ele é o único entre os principais presidenciáveis que dispensou a proteção da Polícia Federal (PF) e conta com um esquema montado pela Polícia Legislativa do Senado.
A estreia nas ruas ocorreu dois dias depois de um homem ser levado para depor em Juzi de Fora, em Minas Gerais, por suspeita de publicar uma ameaça contra o senador nas redes sociais.
Caiado teve comboio da PF e agentes da PM
Caiado também passou o primeiro dia oficial de campanha de colete à prova de balas e contou com um forte esquema de segurança para percorrer as ruas de seis cidades de Goiás que são conhecidas como “Entorno do Distrito Federal”.
Durante todo o trajeto, Caiado utilizou um colete à prova de balas e era acompanhado por agentes da Polícia Federal — alguns à paisana e outros com broche ou distintivo à mostra. Um comboio de nove picapes pretas da PF também acompanhou a carreata. Agentes de elite da Polícia Militar de Goiás acompanhavam o ato à distância.
A PF organiza em conjunto com a equipe do candidato os trajetos a serem percorridos e avalia possíveis rotas de fuga e ameaças ao longo do caminho. Para deslocamentos mais longos entre as cidades de Goiás, Caiado usou um helicóptero particular neste domingo.
O ex-governador tenta passar a imagem de que é o “candidato da segurança” — slogan repetido nos carros de som. Em seus discursos, Caiado costuma dizer que Goiás é um estado onde “bandido não se cria, ou foge ou muda de profissão”.
Na largada da campanha, Caiado também direcionou críticas ao PL e afirmou ser o único nome da oposição com condições de derrotar Lula em um eventual segundo turno. A declaração ocorreu depois de o senador Rogério Marinho (PL), coordenador da campanha de Flávio, classificar o PSD como “linha auxiliar” do petista.
Renan usou colete após campanha denunciar ameaça
Renan Santos também usou colete à prova de balas no ato que marcou o início de sua campanha no Largo São Francisco, no Centro de São Paulo, em frente à Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP).
Segundo a campanha, a PF orientou o candidato a usar a proteção durante o ato público deste domingo diante das ameaças que ele vem recebendo. Renan também contou com escolta da PF durante a agenda. O evento foi previamente comunicado à Polícia Militar, que fez o policiamento no local.
A campanha de Renan já havia denunciado à PF uma ameaça de morte contra o candidato antes do início oficial da disputa eleitoral.
Na largada da disputa, Renan concentrou seu discurso em críticas tanto a Lula quanto a Flávio, apresentou propostas para a segurança pública e fez um apelo aos jovens em busca de votos.
A escolha do Largo São Francisco, onde Renan estudou antes de abandonar o curso para se dedicar à política, também provocou reação de entidades estudantis. A União Nacional dos Estudantes (UNE) e o Centro Acadêmico XI de Agosto convocaram manifestações contra a realização do ato no local.
Lula e Zema ficam sem colete
Lula e Zema, por outro lado, participaram dos compromissos que abriram suas campanhas sem colete à prova de balas.
O presidente iniciou a corrida pela reeleição no Estádio 1º de Maio, em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, local ligado à sua trajetória como líder sindical. O PT organizou um comício no estádio, onde Lula esteve ao lado de Fernando Haddad, candidato ao governo de São Paulo.
Em seu discurso, Lula se apresentou como “um peão” que conhece “o coração e a mente” da população, fez acenos às mulheres e colocou a segurança pública entre os temas da fala. O presidente prometeu criar um ministério dedicado à área e falou em “libertar” favelas e bairros pobres dominados pelo crime organizado.
Zema também começou a campanha sem colete. O candidato do Novo escolheu Montes Claros, no Norte de Minas Gerais, para o primeiro compromisso e participou pela manhã de uma missa na Paróquia Nossa Senhora da Conceição e São José. A programação previa ainda uma caminhada pelas ruas da região central da cidade.
Assim como outros adversários na disputa, Zema colocou o combate ao crime organizado entre as prioridades apresentadas na largada da campanha. O candidato defendeu um “choque contra as facções e organizações criminosas”, além de medidas contra a corrupção e os gastos públicos.

