Passar horas sentado se tornou parte da rotina de muita gente. Entre o trabalho no computador, o deslocamento de carro ou transporte público e os momentos de descanso no sofá, são poucas as oportunidades em que os glúteos são realmente exigidos ao longo do dia. É nesse contexto que surgiu nas redes sociais a expressão “bumbum de cadeira”, usada para descrever uma aparência menos projetada ou firme na região. O termo não corresponde a uma condição médica, mas chama atenção para uma questão bastante concreta: o impacto de uma rotina com pouco movimento sobre a musculatura.
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O glúteo máximo participa de ações simples do cotidiano, como caminhar, subir escadas, levantar-se e estender o quadril. Quando esses movimentos aparecem pouco na rotina, a musculatura recebe menos estímulos. Por isso, não é apenas o número de horas sentado que importa, mas o que acontece durante o restante do dia. Uma rotina predominantemente sedentária, combinada à falta de atividade física e exercícios de força, pode reduzir o condicionamento muscular e alterar a percepção de volume e firmeza da região.
O que acontece com o corpo enquanto estamos sentados?
A posição também interfere na forma como os tecidos se comportam. Ao permanecer sentado, o peso do corpo exerce pressão sobre os glúteos, enquanto a musculatura permanece pouco solicitada. Pesquisas sobre períodos prolongados de inatividade indicam ainda que a redução dos estímulos físicos pode afetar a manutenção da massa muscular.
Isso não significa que algumas horas em uma cadeira sejam suficientes para modificar o formato do corpo. A percepção de mudanças no contorno depende de vários fatores, incluindo nível de atividade, composição corporal, idade e características individuais.
Para a médica Danuza Alves, referência em harmonização glútea e diretora médica da Clínica Leger Porto Alegre, o termo precisa ser compreendido dentro desse contexto mais amplo.
“Quando você passa muitas horas sentada e, fora dali, também não estimula essa musculatura, o glúteo recebe menos estímulo. Não é simplesmente uma questão de ficar algumas horas em uma cadeira, mas do conjunto da rotina. Quanto menos essa musculatura é solicitada, maior pode ser a percepção de um bumbum menos firme e com o desenho menos evidente”, explica.
Pequenas mudanças na rotina podem fazer diferença
Interromper períodos longos sentado é uma das formas mais simples de aumentar o movimento ao longo do dia. Levantar para caminhar, subir escadas quando possível e alternar momentos de trabalho sentado com pequenas pausas são maneiras de diminuir o tempo em uma mesma posição.
O fortalecimento também entra nessa equação. Exercícios que trabalham os glúteos ajudam a preservar e desenvolver a musculatura, contribuindo para o contorno da região. A ideia, portanto, não é compensar horas de sedentarismo com uma única atividade, mas tornar o movimento mais presente na rotina.
O formato do bumbum depende de vários fatores
A aparência dos glúteos não está ligada apenas à musculatura. Distribuição de gordura, características da pele, idade, variações de peso e a própria anatomia influenciam o formato e a projeção da região.
“Quando uma paciente chega dizendo que o bumbum caiu ou ficou mais reto, é preciso olhar o conjunto. Às vezes a principal questão é falta de estímulo muscular; em outros casos, existem características da pele, da gordura ou do próprio contorno que precisam ser avaliadas individualmente. A cadeira sozinha não muda o bumbum. O chamado ‘bumbum de cadeira’ tem muito mais relação com uma rotina de pouca ativação e movimento. E nenhum procedimento estético substitui fortalecimento e uma rotina ativa”, conclui.
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No fim, o termo que viralizou nas redes fala menos sobre a cadeira em si e mais sobre um estilo de vida cada vez mais comum. Para quem passa grande parte do dia sentado, incorporar mais movimento à rotina pode ser tão relevante quanto pensar no treino feito algumas vezes por semana.

