Mais de 500 empresários foram ouvidos pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) na elaboração de um plano com 45 propostas que será apresentado aos candidatos a governador. Entre os oito eixos do documento, a segurança pública foi apontada como prioridade: segundo a Firjan, dois em cada três empresários afirmam que as condições de segurança no estado afetam suas decisões de investimento. Segundo a entidade, eles relatam custos adicionais com roubo de cargas, segurança privada e fretes mais caros.
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O plano será apresentado aos candidatos ao Palácio Guanabara em uma rodada de encontros promovida pela federação. O primeiro debate será com o candidato Eduardo Paes (PSD), nesta sexta-feira.
Foram eleitos oito eixos de propostas: Segurança Pública, Energia, Infraestrutura, Sistema Tributário, Reformas Estruturantes, ESG, Fomento ao Negócio e Capital Humano.
Entre as propostas, a entidade defende o fortalecimento do combate ao roubo de cargas, à receptação e aos mercados ilegais, com maior integração entre as polícias Civil e Militar, a Receita Estadual e os municípios. A Firjan estima em R$ 31,1 bilhões o custo adicional da insegurança e da ilegalidade no estado.
Retomada de territórios
A segurança também aparece na proposta de implementação do Plano Estratégico de Reocupação Territorial previsto no âmbito da ADPF 635, conhecida como “ADPF das Favelas”. A entidade defende que a retomada dos territórios seja acompanhada por ações de ordenamento urbano e desenvolvimento social, além de estratégias policiais voltadas à minimização de confrontos. A entidade também propõe que a retomada priorize corredores industriais, eixos logísticos e infraestruturas críticas, além da criação de um canal permanente de interlocução entre o setor produtivo e os órgãos de segurança.
A Firjan quer ainda ampliar o acesso aos dados de segurança. Nesta sexta-feira, o Instituto de Segurança Pública (ISP) divulga estatísticas e bases de dados sobre a criminalidade no estado. A proposta da entidade, porém, é avançar para a publicação dos microdados desagregados das ocorrências, com georreferenciamento dos registros e uma API aberta — uma interface que permita à sociedade civil, empresas e pesquisadores realizar análises próprias mais detalhadas sobre os diferentes territórios.
Outra proposta prevê novas unidades prisionais por meio de Parcerias Público-Privadas e concessões. A Firjan propõe que as unidades tenham foco na formação profissional e na reinserção produtiva dos presos, com metas de empregabilidade e redução da reincidência.
No eixo de energia, a Firjan cita que as constantes interrupções, mesmo de menor duração, não são adequadamente captadas pelos indicadores e provocam prejuízos à atividade industrial. A entidade defende a criação, em parceria com as concessionárias, de um plano de expansão e modernização da infraestrutura elétrica, com melhoria da qualidade do serviço. Além disso, prevê intensificar o combate às ligações irregulares.

