Entidades representativas de produtores de álcool criticaram em nota divulgada nesta sexta-feira (21) uma declaração feita ontem pelo candidato a presidente do PL, Flávio Bolsonaro, de que irá rediscutir o percentual da mistura obrigatória de etanol na gasolina, caso seja eleito. A declaração foi feita em uma live nas redes sociais, e para os representantes dos produtores, é uma desinformação que ataca uma “política de Estado”.
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Flávio procurou equiparar a medida à redução do tamanho e do peso de produtos vendidos em supermercados, com barras de chocolate e rolos de papel higiênico.
— A gasolina virou etanol. Nem o combustível esse governo tá poupando — afirmou o presidenciável ao lado do candidato do PP ao Senado por São Paulo, deputado federal Guilherme Derrite. — Obviamente, é uma discussão que tem que ser feita, inclusive pela questão dos motores. Há formas de a gente incentivar esse grande segmento que é o etanol no Brasil, e a gente vai fazer isso durante o nosso governo — disse.
A nota conjunta das entidades diz que “a afirmação desinforma o consumidor e desqualifica uma política de Estado construída ao longo de cinco décadas, sob governos de todas as orientações”.
Em julho, uma resolução do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) elevou de 30% para 32% o porcentual obrigatório de etanol anidro misturado à gasolina. A medida vale por 180 dias, prorrogáveis por um mesmo período. O texto das entidades do setor afirmaram que “surpreende que a crítica parta de quem participou da decisão”, porque a “Lei do Combustível do Futuro (que estabeleceu novas regras para reduzir gases poluentes nos transportes e permitiu o aumento do percentual) passou pelo Senado Federal com a anuência do próprio senador”.
Leia abaixo a íntegra do comunicado
“A Unica – União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia, a Unem – União Nacional do Etanol de Milho, a Bioenergia Brasil, a Feplana – Federação dos Plantadores de Cana do Brasil, a Unida – União Nordestina dos Produtores de Cana e a Orplana – Organização de Associações de Produtores de Cana do Brasil repudiam a declaração do senador Flávio Bolsonaro comparando a mistura de etanol na gasolina à chamada “reduflação”. A afirmação desinforma o consumidor e desqualifica uma política de Estado construída ao longo de cinco décadas, sob governos de todas as orientações — do Proálcool ao RenovaBio e à Lei do Combustível do Futuro.
Surpreende que a crítica parta de quem participou da decisão. A Lei do Combustível do Futuro passou pelo Senado Federal com a anuência do próprio senador.
O etanol é combustível de elevada octanagem, produzido em mais de mil municípios brasileiros. Com ele, o consumidor recebe mais: mais desempenho, mais economia na bomba, mais empregos e mais soberania energética — o Brasil alcançou a autossuficiência nos combustíveis do ciclo Otto, que movem os veículos leves. A mistura vigente foi implementada com rigor técnico. As entidades signatárias reconhecem a condução responsável do processo pelo Governo Federal, por meio do Ministério de Minas e Energia e do Conselho Nacional de Política Energética, em diálogo permanente com o setor produtivo e a indústria automotiva. Sob essa coordenação, o Instituto Mauá de Tecnologia ensaiou 16 modelos de automóveis e 13 motocicletas, representativos da frota de 1994 a 2024, em laboratório e pista, nas misturas de 27%, 30% e 32%, com acompanhamento da ANP, de fabricantes e de importadores de veículos e motocicletas. A conclusão: plena viabilidade, sem prejuízo ao desempenho ou ao consumidor.
O setor brasileiro de etanol seguirá defendendo, com fatos e ciência, o patrimônio energético que o Brasil construiu.”

