O bilionário Ray Dalio afirmou que os investidores deveriam reduzir suas posições em títulos e destinar até 15% de seus recursos ao ouro para se protegerem do risco de uma crise da dívida dos Estados Unidos, que, segundo ele, pode ocorrer dentro de apenas três anos.
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Em uma publicação feita hoje no Linkedin, o fundador da Bridgewater Associates – a maior gestora de fundos de hedge do mundo – afirmou que os investidores deveriam diversificar seus recursos entre ativos e países com finanças sólidas. Segundo Dalio, reduzir a participação dos títulos e manter cerca de 10% a 15% da carteira em ouro, além de “um pouco” de Bitcoin, poderia diminuir os riscos e aumentar os retornos. O bilionário alerta há anos para os perigos do crescimento da dívida pública.
Os comentários foram feitos em um momento em que os rendimentos dos Treasuries de longo prazo atingiram os maiores níveis em vários anos e o Japão, maior credor estrangeiro dos Estados Unidos, vendeu títulos americanos para sustentar o iene.
Para conter a queda dos papéis, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, anunciou nesta semana planos de ampliar as recompras de dívida de longo prazo. A medida surpreendeu o mercado, mas, até agora, ofereceu pouco mais do que um alívio temporário.
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Dalio escreveu que os acontecimentos recentes estão de acordo com o modelo de ciclos da dívida apresentado em seu livro “How Countries Go Broke: The Big Cycle” (“Como os países quebram: o grande ciclo”, em tradução livre).
Segundo ele, o aumento dos custos do serviço da dívida acaba se chocando com uma demanda insuficiente dos investidores. Isso obriga os governos a aceitar juros mais altos ou os bancos centrais a emitir dinheiro para comprar títulos, enfraquecendo as moedas e alimentando a inflação durante o processo.
Dalio estima que o governo americano arrecadará cerca de US$ 5,5 trilhões neste ano, diante de US$ 7,5 trilhões em gastos, o que deixará uma diferença de US$ 2 trilhões. Apenas os custos com juros deverão ficar em torno de US$ 1 trilhão, enquanto cerca de US$ 10 trilhões em dívidas precisarão ser refinanciados.
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Sem uma mudança de rumo, uma crise da dívida americana poderá ocorrer “dentro de três anos, com uma margem de dois anos para mais ou para menos”, afirmou Dalio. Ele defende a redução do déficit orçamentário dos atuais cerca de 6% para 3% do Produto Interno Bruto (PIB), por meio de uma combinação de cortes de gastos, aumento da arrecadação tributária e redução dos juros.
Dalio afirmou que países como Reino Unido, China e Japão enfrentam pressões fiscais semelhantes.
É por isso que “espero que moedas não emitidas por governos, como ouro e Bitcoin, tenham um desempenho relativamente bom”, escreveu.
O ouro avançou nesta sexta-feira ao maior nível desde maio, enquanto o Bitcoin superou os US$ 77 mil, a caminho de registrar sua maior alta semanal desde 2023.

