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Aumenta o número de cobras venenosas resgatadas em Petrópolis; cinco pessoas foram picadas só este ano

BRCOM by BRCOM
março 22, 2025
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Patrícia Caiaffa, moradora de Petrópolis, picada por cobra no jardim de casa — Foto: Gabriel de Paiva

Patrícia Caiaffa, 49 anos, mora em Secretário, bairro de Petrópolis, na Região Serrana do Rio. Na manhã do último dia 12, ela saiu de casa para verificar a caixa d’água no jardim e tomou um susto: foi picada por uma cobra. Ferida no tornozelo, ligou para o marido, que a levou até a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Cascatinha, um dos distritos da cidade.

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— Não a vi e pisei nela. Ela me mordeu e não tive reação. Demoramos bastante até chegar à UPA; se meu marido não me levasse, não sei o que aconteceria — conta ela.

O incidente não é incomum na região, mas, desde o início do ano, quem vive por lá, ou em áreas vizinhas como Araras, Itaipava e Areal, vem observando o aumento preocupante da presença de serpentes — além da jararaca, espécie nativa, têm aparecido cascavéis, de ocorrência menos frequente em ambientes de Mata Atlântica.

Patrícia Caiaffa, moradora de Petrópolis, picada por cobra no jardim de casa — Foto: Gabriel de Paiva

Segundo a Secretaria municipal de Vigilância Ambiental, ao longo do ano passado 11 cascavéis foram resgatadas em Petrópolis. Desde o início de 2025, este número já chegou a oito. Patrícia tratou de escapulir e não sabe dizer que cobra a mordeu, mas o número de ocorrências como a que a vitimou também tem subido. No ano passado, o Estado do Rio registrou 787 casos de picadas de serpentes, 23 deles em Petrópolis, informa a Secretaria estadual de Saúde (SES-RJ). Nos dois primeiros meses de 2025, foram contabilizados 104 acidentes com cobras. Na cidade imperial, cinco pessoas foram picadas até o último dia 13, segundo a Secretaria municipal de Saúde. Em Petrópolis, nenhum dos registros foi relacionado a cascavéis: a maioria das notificações ainda envolve a jararaca, espécie predominante na região.

Dados do Corpo de Bombeiros do Rio mostram que, entre janeiro e março de 2024, ao menos 163 cobras foram resgatadas pela corporação na Região Serrana — e 1.385 em todo o estado. No mesmo período de 2025, o número de apreensões naquela região apresentou um aumento de 13,4%: chegou a 185 capturas. Em todo o território fluminense, 1.326 animais já foram recolhidos. Acompanhando a curva crescente das estatísticas, subiu a procura pelo soro antiofídico — antídoto para o veneno de cobra — nas unidades de saúde de Petrópolis. Hoje, os atendimentos relacionados a ataques de animais peçonhentos, assim como a aplicação do soro, estão concentrados na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Cascatinha, referência neste tipo de ocorrência.

Para moradores de bairros mais afastados, como Secretário, a distância preocupa. Patrícia, após ser picada, precisou percorrer 15 quilômetros até a UPA de Itaipava e, depois, outros 15 até a unidade de Cascatinha. Ela levou cerca de duas horas para conseguir o atendimento apropriado.

— Eu estava nervoso vendo ela daquele jeito. Então decidi eu mesmo levá-la na UPA de Itaipava, achando que tinha como ser ali. Só que me disseram que eu teria que ir lá na Cascatinha — lembra Jorge de Moura Carvalho, marido de Patrícia.

No início do mês, também em Secretário, Júlio Adaes Marchiori Filio, de 75 anos, encontrou uma cascavel na sauna de sua residência. Ele identificou a espécie pelo som característico do chocalho na cauda.

— Aqui eu nunca vi ter cascavel. E não para de aparecer. No mesmo dia, eu soube de outro caso. É um absurdo só termos a UPA de Cascatinha para esses atendimentos — diz a mulher de Júlio, Leia Maria Claveland, de 72 anos.

Mais acostumados à presença de jararacas, os moradores locais andam sobressaltados com o aumento de visitas de cascavéis. Um abaixo-assinado para pedir a distribuição do soro antiofídico em pontos mais próximos ganhou 2,3 mil nomes.

A Secretaria municipal de Saúde de Petrópolis informou que, atualmente, a quantidade de soro antiofídico que a cidade recebe do governo estadual só permite ter um ponto de referência de atendimento na cidade. Em nota, esclareceu que “a UPA de Cascatinha foi o local mais estratégico possível”. Já há gestões, no entanto, para que se abra “uma segunda referência nos distritos de Itaipava ou Pedro do Rio”.

A SES-RJ esclarece que o Ministério da Saúde (MS) produz e distribui o soro pelos estados, considerando a frequência de acidentes por animais peçonhentos em cada região do país. A secretaria, por sua vez, distribui as doses por 26 polos, pactuados com os 92 municípios do estado, levando em consideração o critério estabelecido pelo MS.

Nos três primeiros meses de 2025, a Secretaria de Vigilância Ambiental de Petrópolis recebeu 30 serpentes peçonhentas, sendo 22 jararacas e oito cascavéis. Em 2024 inteiro foram recolhidos 64 exemplares: 52 jararacas, uma coral e 11 cascavéis. Os animais são resgatados pelo Corpo de Bombeiros e encaminhados para o Instituto Vital Brazil, onde trabalha o biólogo Cláudio Machado.

— No segundo semestre do ano passado a gente não tinha recebido nenhuma cascavel de Petrópolis. Não podemos chamar esse fenômeno de invasão, porque é uma consequência das mudanças ambientais causadas pelo homem — explica o biólogo.

Apesar de representarem apenas 7% dos acidentes com serpentes no Brasil, as cascavéis carregam o veneno mais letal. Cláudio Machado explica que sua peçonha tem ação neurotóxica, capaz de afetar diretamente o sistema nervoso central e provocar paralisia. Já o veneno das jararacas, responsáveis por cerca de 90% dos acidentes com serpentes no país, tem efeito hemorrágico e necrosante: causa sangramentos e destruição de tecidos.

O número de ataques de cascavéis é menor porque, entre outros fatores, elas costumam anunciar sua presença.

— A cascavel tem um chocalho na ponta da cauda, ela faz barulho, alertando as pessoas, que então se afastam. É isso que reduz o número de acidentes — observa Machado.

Cascavéis preferem campos abertos, pastagens e áreas desmatadas. Para evitar a sua disseminação na Região Serrana, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), responsável pela proteção e conservação da biodiversidade no país, recomenda o investimento no reflorestamento da Mata Atlântica.

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