Dois dos três vigilantes que atuavam no Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS) da UFRJ na noite em que o estudante de História Diego Costa da Silva Araújo foi espancado por colegas afirmaram à Polícia Civil que, questionados diretamente, nunca o viram xingar ninguém ou chamar algum colega por nome ofensivo durante a confusão. Segundo os depoimentos, prestados nos dias 1º e 2 de setembro, Diego apenas repetia que não era nazista e tentava se proteger das agressões que sofria.
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O ponto pesa na investigação porque o caso reúne acusações cruzadas: o estudante de Direito Deivid Lima afirma ter sido vítima de agressões e insultos racistas ao tentar conduzir Diego até a delegacia, dizendo que o colega o teria chamado de “macaco”. A Polícia Civil, até o momento, não encontrou elementos que sustentem essa acusação contra o estudante de História — e o relato dos seguranças, que acompanharam boa parte da confusão de perto, vai no mesmo sentido.
Douglas da Silva Nascimento, vigilante da empresa Angel que subiu ao terceiro andar do prédio após ser avisado por um aluno de que havia uma confusão envolvendo um estudante com “dizeres nazistas” na camisa, foi questionado diretamente pela polícia se em algum momento viu Diego xingar alguém ou chamá-lo por algum nome ofensivo. Ele respondeu que não. Conforme o seu relato, Diego, a todo momento, apenas dizia que não era nazista e somente se defendia das agressões, sem agredir ninguém.
Cleuber José de Almeida, outro vigilante da mesma empresa, que também subiu ao terceiro andar para tentar conter a confusão, formada, segundo ele, por cerca de 40 a 50 pessoas, deu resposta semelhante ao ser questionado sobre o mesmo ponto: afirmou não ter visto o rapaz acusado de nazismo xingar ninguém com algum nome ofensivo. Segundo Cleuber, o jovem em nenhum momento falou nada além de tentar se defender das agressões que sofria.
Já Marcelo Souza da Silva, o terceiro vigilante ouvido, só presenciou a etapa final do episódio — quando deixou o refeitório dos vigilantes ao ouvir uma gritaria e viu o grupo de alunos empurrando e agredindo Diego para fora do prédio. Seu depoimento não registra pergunta sobre falas ofensivas por parte do estudante.
Douglas e Cleuber relataram que tentaram conter os ânimos dos estudantes e acionar os protocolos de segurança — contato com a supervisão da empresa, com a Polícia (pelo 190) e com a administração e a direção do IFCS. Os três vigilantes, porém, concordam num ponto: as agressões contra Diego só cessaram quando ele conseguiu fugir do local, e a Polícia Militar chegou ao IFCS apenas depois que a confusão já havia se dissipado.
Diego nega apologia
Diego nega ter feito apologia ao nazismo, afirma que a camiseta que usava era de uma banda punk declaradamente antinazista e alega ter sofrido tentativa de homicídio ao ser espancado por dezenas de pessoas. O caso é investigado pela 1ª DP (Praça Mauá), e outras testemunhas já foram ouvidas, incluindo uma professora que dava aula na sala onde a confusão começou e que também afirmou não ter presenciado agressões físicas enquanto o estudante ainda estava no ambiente.
Em nota, a UFRJ informou que os docentes estão prestando os esclarecimentos solicitados pela polícia para a apuração dos fatos e que a universidade abriu uma sindicância para apurar internamente as circunstâncias do episódio.
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Agressão na UFRJ: seguranças afirmam em depoimento que não viram aluno espancado fazer ofensas raciais
Dois dos três vigilantes que atuavam no Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS) da UFRJ na noite em que o estudante de História Diego Costa da Silva Araújo foi espancado por colegas afirmaram à Polícia Civil que, questionados diretamente, nunca o viram xingar ninguém ou chamar algum colega por nome ofensivo durante a confusão. […]