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Virginia Fonseca usa eletrólitos no treino. O que há por trás da tendência?

Água, garrafinha e treino. Por muito tempo, essa foi a combinação que resumia a hidratação de quem frequentava a academia. Agora, sachês, cápsulas e bebidas com eletrólitos começam a ocupar um espaço cada vez maior nesse cenário. A promessa é ajudar na reposição de minerais perdidos pelo suor, especialmente durante atividades intensas. Impulsionado pelas redes […]

Virginia Fonseca usa eletrólitos no treino. O que há por trás da tendência?


Água, garrafinha e treino. Por muito tempo, essa foi a combinação que resumia a hidratação de quem frequentava a academia. Agora, sachês, cápsulas e bebidas com eletrólitos começam a ocupar um espaço cada vez maior nesse cenário. A promessa é ajudar na reposição de minerais perdidos pelo suor, especialmente durante atividades intensas. Impulsionado pelas redes sociais e pelo mercado de wellness, o hábito também passou a fazer parte do dia a dia de quem não necessariamente pratica exercícios de longa duração.
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Virginia Fonseca é uma das personalidades que ajudaram a colocar o assunto em evidência. Durante a preparação física para o carnaval de 2026, a influenciadora contou que utilizava uma estratégia de intra-treino com carboidratos e eletrólitos em atividades de maior intensidade. A prática pode ter indicação em determinadas situações, mas levanta uma dúvida que vai além do universo das celebridades. Afinal, quem treina regularmente precisa mesmo repor eletrólitos?
A resposta depende de uma combinação de fatores. Duração e intensidade do exercício, quantidade de suor, temperatura do ambiente e alimentação influenciam a perda de líquidos e minerais. Para muitas pessoas que fazem atividades mais curtas e de intensidade leve ou moderada, a ingestão habitual de água e uma alimentação equilibrada já são suficientes.
Virginia Fonseca entrou na onda dos eletrólitos. Será que você precisa deles no treino?
Reprodução Instagram
Suou, precisa repor?
A popularização dos sachês criou a impressão de que o simples fato de suar durante o exercício já justificaria a reposição. Não é bem assim.
Ao longo de atividades prolongadas, sobretudo quando há transpiração intensa, o organismo perde água e eletrólitos, como sódio e potássio. Dependendo do volume dessa perda, recuperar esses componentes pode ser importante para manter o equilíbrio do organismo. Em um treino convencional, porém, a quantidade eliminada pode não ser significativa a ponto de exigir um produto específico.
A nefrologista Renata Asnis lembra que uma alimentação adequada já oferece boa parte dos minerais necessários ao funcionamento do corpo.
“Uma pessoa saudável, que se alimenta adequadamente e pratica uma atividade física de intensidade leve ou moderada, não precisa partir do princípio de que deve tomar eletrólitos todos os dias. A necessidade muda quando falamos de exercícios muito prolongados, calor intenso, sudorese importante ou situações específicas de perda de líquidos. O erro é transformar uma necessidade circunstancial em uma suplementação automática”, afirma.
Entre os componentes presentes nesses produtos, o sódio merece atenção. O mineral participa de funções importantes do organismo e ajuda a manter o equilíbrio dos líquidos corporais, mas sua ingestão deve ser considerada em conjunto com o restante da alimentação.
O potássio também exerce funções essenciais e é regulado, em grande parte, pelos rins. Em pessoas saudáveis, esse mecanismo ajuda a manter os níveis adequados. Já quem apresenta alterações na função renal pode ter mais dificuldade para eliminar o mineral, o que torna importante avaliar a composição de suplementos e bebidas antes de incluí-los no dia a dia.
Por isso, a presença de eletrólitos em uma bebida não transforma o produto automaticamente em uma escolha mais saudável ou mais adequada para todos.
“Não precisamos demonizar os eletrólitos, porque eles têm funções importantes e existem situações em que a reposição é necessária. O que precisamos evitar é a ideia de que toda pessoa precisa suplementá-los diariamente para estar saudável. Em saúde, a necessidade individual importa muito mais do que aquilo que está viralizando naquele momento”, ressalta Renata.
Mais eletrólitos protegem contra pedra nos rins?
No universo da saúde, hidratação e prevenção de cálculos urinários costumam aparecer lado a lado. Isso, no entanto, não significa que acrescentar eletrólitos à água aumente a proteção contra pedras nos rins.
Para o urologista Mauricio Zambaldi Tunes, um dos principais objetivos de uma boa ingestão de líquidos para quem tem predisposição aos cálculos é evitar uma urina muito concentrada.
“Quando falamos em pedra nos rins, hidratação é fundamental porque queremos uma urina menos concentrada. Mas isso não significa que toda hidratação precise vir acompanhada de eletrólitos. Dependendo da composição do produto e da alimentação daquela pessoa, aumentar determinados componentes sem necessidade não oferece uma proteção adicional contra cálculos”, explica.
A formação das pedras também está relacionada a diferentes fatores, como histórico familiar, alimentação, consumo de líquidos e características metabólicas. Por isso, simplesmente adicionar um sachê à garrafa não substitui medidas de prevenção nem uma avaliação individual.
“Não existe um sachê capaz de substituir uma rotina adequada de hidratação. Para quem tem histórico de cálculo renal, inclusive, é importante entender qual é o tipo de cálculo, avaliar fatores de risco e receber uma orientação individualizada. Beber determinado produto porque alguém na internet utiliza não significa que aquela estratégia seja adequada para você”, completa Mauricio.
Quando eles podem fazer sentido?
Exercícios prolongados, treinos em ambientes muito quentes e atividades que provocam bastante suor são situações em que a reposição de eletrólitos pode fazer sentido. Mas não há uma fórmula que sirva para todo mundo.
Quem corre por longas distâncias sob altas temperaturas, por exemplo, perde líquidos e minerais de uma maneira diferente de quem faz um treino moderado em uma academia climatizada. A alimentação também deve ser considerada, já que parte desses nutrientes já está presente no que consumimos diariamente.
Por isso, incluir um sachê ou uma bebida com eletrólitos na garrafa não é, por si só, sinônimo de uma hidratação melhor. Para algumas pessoas, esses produtos podem ser úteis. Para outras, podem ser simplesmente desnecessários.
O hábito de Virginia pode chamar atenção para uma tendência que ganhou força no universo fitness, mas não significa que a mesma estratégia precise ser incorporada por quem acompanha seus treinos. As necessidades mudam de acordo com o exercício, a alimentação e as características de cada organismo.
No fim, a popularidade dos eletrólitos ajuda a mostrar como novos hábitos de bem-estar são incorporados à rotina antes mesmo de se saber se eles são, de fato, necessários. Para quem não enfrenta perdas importantes de líquidos durante a atividade física, água e alimentação equilibrada continuam dando conta da hidratação.

Virginia Fonseca usa eletrólitos no treino. O que há por trás da tendência?

Autor

BRCOM