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A trajetória de Domingos Montagner e a morte trágica do ator, há 10 anos

O ator Domingos Montagner vivia o auge da sua carreira na TV. Ele era o protagonista de “Velho Chico”, novela das 21h na Globo, mas uma tragédia aconteceu. No dia 15 de setembro de 2016, há dez anos, o elenco da novela estava gravando em Canindé de São Francisco, no interior do Sergipe. No começo […]

A trajetória de Domingos Montagner e a morte trágica do ator, há 10 anos


O ator Domingos Montagner vivia o auge da sua carreira na TV. Ele era o protagonista de “Velho Chico”, novela das 21h na Globo, mas uma tragédia aconteceu. No dia 15 de setembro de 2016, há dez anos, o elenco da novela estava gravando em Canindé de São Francisco, no interior do Sergipe. No começo da tarde, Domingos aproveitou um intervalo das gravações para dar um mergulho no Rio São Francisco, mas foi arrastado para o fundo por uma correnteza muito forte e morreu afogado.
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Produtor teatral, palhaço, artista circense e pai de três crianças, o paulista de 54 anos era o carisma em pessoa. Um dos maiores “galãs” de sua geração na TV, também era bastante versátil e transitava entre a comédia escrachada e o drama com facilidade. A morte dele gerou consternação no Brasil.
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Domingos Montagner Filho começou sua trajetória em 1989, quando entrou para o Gran Circo Escola Picadeiro, uma das primeiras escolas de formação circense no país, em São Paulo. Foi lá que ele conheceu o parceiro Fernando Sampaio, e os dois começaram a experimentar apresentando esquetes nas ruas da capital paulistana. Em 1997, eles criaram o Grupo La Minima, uma dupla de palhaços que encheu teatros com vários espetáculos e ganhou um monte de prêmios ao longo de anos.
Domingos Montagner durante espetáculo do La Minima
Divulgação
Durante uma entrevista ao GLOBO, publicada em dezembro de 2011, quando o La Minima estava em cartaz no Teatro Poeira, no Rio, com a peça “A noite dos palhaços mudos”, Domingos disse que via na figura do palhaço um contraponto ao pensamento conservador e intolerante na sociedade. Para ele, o palhaço era um símbolo da liberdade e da irreverência. “Isso tem a ver com a origem do grupo La Minima, que investigava justamente essa picardia do palhaço de rua e de circo”, disse ele.
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Em 2004, a dupla do Grupo La Minima se juntou a outros artistas de seu universo cultural para criar o Circo Zanni, que estrou em Boiçucanga, em São Paulo. O coletivo realizou temporadas em diferentes cidades e virou outro sucesso assinado por Montagner, com números de malabaristas, equilibristas e tudo que um picadeiro tem direito, juntando tradição circense e estética contemporânea.
Domingos estreou na TV em 1995, com um papel na novela “Tocaia Grande”, da Manchete. Depois, atuou em produções da Record e do SBT. Em 2011, ele ganhou destaque vivendo o Capitão Herculano, na novela “Cordel Encantado”, da Globo, com direção de Ricardo Waddington e da Amora Mautner. Nos anos seguintes, o ator paulistano brilhou nas novelas “Salve Jorge”, “Joia Rara” e “Sete Vidas”, antes de ser convidado pra viver o protagonista Santo dos Anjos de “Velho Chico”, em 2016.
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Na trama de Benedito Ruy Barbosa, Domingos encarnava o filho de um retirante que vivia um amor proibido com a filha de um coronel interpretada por Camila Pitanga. Numa cena da novela que acabou se tornando trágica coincidência com o acidente há 10 anos, o personagem de Domingos é baleado por um rival poderoso e se joga no Rio São Francisco para escapar. Ele fica bem perto da morte, mas é salvo por um grupo de indígenas que tira o Santo das águas e cuida do ferimento dele.
Domingos Montagner e Camila Pitanga como Santo e Tereza de “Velho Chico”
Caiuá Franco/Divulgação/TV Globo
Semanas depois, na reta final da novela, o ator aproveitou uma pequena pausa entre as gravações para dar um mergulho no Velho Chico junto com a Camila Pitanga. Numa entrevista para o “Fantástico”, dias depois, muito emocionada, a atriz contou que, naquela quinta-feira, dia 15 de setembro de 2016, os dois amigos escolheram um ponto do rio para mergulhar e estavam dentro d’água quando perceberam que tinham sido envolvidos por uma correnteza traiçoeira que puxou o ator para o fundo das águas.
Camila contou que se agarrou a uma pedra e tentou puxar o amigo para segurança, mas Domingos não conseguia sair do lugar e começou a afundar. Na visão da Camila, o ator percebeu que estava correndo enorme perigo e não agarrou o braço dela para não colocar a vida da atriz em risco também. Ela, então, gritou pedindo socorro, mas Domingos acabou sendo puxado para o fundo pela segunda vez e desapareceu. O corpo do ator só foi encontrado quatro horas depois.
A morte do ator deixou a cultura no país de luto. A direção de “Velho Chico” terminou a novela sem substituir Domingos e sem criar um subterfúgio para seu personagem, como uma viagem repentina. Em vez disso, a equipe lançou mão de um recurso chamando “câmera subjetiva”, colocando a câmera na perspectiva do personagem dele, com os atores contracenando enquanto olhavam diretamente para a lente, como se estivessem interagindo com o Santo dos Anjos.
Em 2022, o jornalista Oswaldo Carvalho lançou a biografia “Domingos Montagner: O espetáculo não para”, que narra a trajetória do ator da infância à consagração. O livro conta com mais de 150 fotos cedidas pela família e dezenas de entrevistas com amigos, parentes e astros como Antonio Fagundes, Camila Pitange e Debora Bloch. “Sua trajetória parece uma sinopse de filme: um palhaço trapezista que vira galã de novelas prestes a completar 50 anos”, descreve o autor.

A trajetória de Domingos Montagner e a morte trágica do ator, há 10 anos

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BRCOM