Vinho mais importante da América Latina, o chileno Almaviva tem sua safra 2024 lançada. O enólogo Michel Friou veio mostrar o rótulo em três cidades brasileiras: Rio, São Paulo e Brasília. Ele foi apresentado na semana passada na Place de Bordeaux, onde são comercializados os melhores vinhos do mundo; e estará à venda a partir de janeiro no Brasil. Trata-se de um corte de Cabernet Sauvignon (70%), Carménère (24%), Cabernet Franc (4%) e Petit Verdot (2%). O vinho passa 18 meses em barricas de carvalho francês (76% delas novas).
— A safra 2024 produziu vinhos refinados, que apresentam taninos mais arredondados. Para nós, é uma safra muito boa, com um estilo — digamos — mais fresco. Mas, ao entrar nos detalhes, não é tão simples defini-la por um motivo simples: é uma safra um tanto atípica. Foi um ano que se caracteriza por seu perfil de clima fresco que aporta fruta, frescor e densidade extraordinárias. É uma ótima expressão do Cabernet Sauvignon — revela Friou.
O enólogo Michel Friou e o Almaviva 2024
Cláudia Meneses
Influência do El Niño
A safra de 2024 no Chile ocorreu após um período de seca severa, em razão do fenômeno climático El Niño (aquecimento das águas do Oceano Pacífico). Em Puente Alto, de onde vêm a maior parte das uvas do Almaviva, foi registrado um aumento no volume anual de chuva de 140mm no período de 2019-2023 para 592mm na safra de 2024 (junho de 2023 a maio de 2024). Essas condições específicas conferiram aos vinhos um perfil fresco e único. A chuva ocorreu de forma ideal: 460mm caíram no inverno e no início da primavera, repondo as reservas hídricas. Em maio de 2024, foram 130mm. Essa configuração permitiu a recuperação hídrica, preservando simultaneamente o ciclo vegetativo e o amadurecimento das uvas.
A primavera teve temperaturas inferiores à média, entre outubro e dezembro de 2023. No verão de 2024, entretanto, as temperaturas foram entre 1,5 e 2 graus acima das cifras históricas. Com as intensas chuvas no inverno e uma primavera fria, houve um atraso na maturação das uvas. A colheita de todas as variedades ocorreu duas e três semanas mais tarde do que o habitual. Em Puente Alto, a vindima começou em 25 de março, duas semanas depois da colheita de 2023. Em Peumo, o Carménère foi colhido de 2 a 10 de maio.
A vinícola Almaviva, no Chile
Divulgação / Almaviva
O Epu 2023
O enólogo Michel Friou também apresentou no Rio o segundo vinho da vinícola, o Epu safra 2023. Esse vinho tinto tem aromas complexos, como de cassis e frutas vermelhas, além de baunilha e herbais. Ele é um corte de Cabernet Sauvignon (82%), Carménère (12%); Merlot (3%); e Cabernet Franc (3%). O vinho estagia 12 meses em barricas de carvalho francês (10% deles novos)
O Almaviva e o Epu podem ser comprados em importadoras e lojas especializadas. Essas novas safras dos dois vinhos devem manter os preços das anteriores. O Almaviva deve ficar de R$ 1,8 mil a R$ 2 mil; e o Epu, em torno de R$ 600.
Safra do Almaviva 2024 é lançado; vinho chega ao Brasil em janeiro
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