Autoridades e ativistas ucranianos denunciaram Moscou por incluir, pela primeira vez, as regiões anexadas durante a guerra em suas eleições parlamentares iniciadas na sexta (18) e que serão encerradas neste domingo (20).
A Rússia preparou um esquema de votação diferente para as regiões de Donetsk, Luhansk, Kherson e Zaporizhzhia (ou Zaporíjia), anexadas em setembro de 2022. Segundo o jornal britânico The Guardian, os votos de seus mais de 3,5 milhões de supostos eleitores têm sido recolhidos desde o fim do último mês, sob o argumento de que há razões de segurança que exigem o período estendido de eleições.
A votação é ilegal, denunciou o Ministério das Relações Exteriores da Ucrânia. “Esta é uma farça [realizada] pelo poder ocupador”, diz o texto, que ainda destaca que as eleições não criam base legal para o controle russo de nenhuma parte do território.
Nenhum ‘voto’ organizado pela Rússia à mão armada muda o status internacionalmente reconhecido destes territórios. Ocupação temporária não cria direitos de soberania para o poder ocupador.
Os resultados das urnas seriam, portanto, nulos e sem valor, segundo a Ucrânia. O órgão diplomático do país ainda fez um apelo a outras nações e organizações internacionais, para que não reconheçam o resultado das eleições “como uma manifestácão legítima da vontade política do povo nos territórios temporariamente ocupados da Ucrânia”.
Grupos de defensores de direitos humanos da Ucrânia pedem que os residentes dos territórios ocupados fiquem longe das urnas e “acima de tudo, protejam suas vidas e saúde e cuidem de sua própria segurança”, afirmou em comunicado à Associated Press uma coalizão de nove destas entidades.
“Realizar eleições russas em territórios temporariamente ocupados é uma tentativa de usar o processo eleitoral para legitimizar a ocupação e a tentativa de anexação dos territórios ucranianos”, denuncia ainda o texto.
Voto forçado sob a mira de soldados russos
No entanto, os moradores de Donetsk, Lohansk, Kherson e Zaporíjia não precisam sair de casa para votar, de acordo com Violeta Artemchuk, coordenadora da Donbas SOS, uma das organizações por trás da coalizão. À AP, ela afirmou que membros das comissões eleitorais locais estão indo de casa em casa, acompanhados de tropas russas e agentes de segurança, para obrigar as pessoas a votar.
Enquanto a Ucrânia alega que votar para o Parlamento da Rússia pode levar à responsabilização criminal dos ucranianos, Putin enfatiza a importância da votação nos territórios ocupados e já sinalizou que os votos seriam uma representação de suposto apoio público à guerra dos moradores das regiões.
A Comissão Europeia também condenou as eleições russas nos territórios ocupados, que classificou como “outra flagrante violação da lei internacional”. Seu porta-voz, Christian Wigand, anunciou que “a União Europeia não reconhece e nunca vai reconhecer a realização ou os resultados destas tais eleições, eleições fraudulentas, nos territórios temporariamente ocupados da Ucrânia”.
As autoridades russas relataram ataques aos sistemas de votação e comunicação do país neste sábado (19), que já teriam sido resolvidos. Putin responsabilizou, sem provas, a Ucrânia de tentar interferir com as eleições do país.
Ucrânia denuncia Rússia por incluir regiões anexadas ilegalmente na guerra em eleições parlamentares
Autoridades e ativistas ucranianos denunciaram Moscou por incluir, pela primeira vez, as regiões anexadas durante a guerra em suas eleições parlamentares iniciadas na sexta (18) e que serão encerradas neste domingo (20). A Rússia preparou um esquema de votação diferente para as regiões de Donetsk, Luhansk, Kherson e Zaporizhzhia (ou Zaporíjia), anexadas em setembro de […]