A Polícia Civil do Ceará prendeu nesta quinta-feira (27) sete suspeitos de integrar a facção Comando Vermelho (CV), na cidade de Caridade, na região de Canindé, no Norte cearense. Os criminosos são investigados por cobrar taxas ilegais de provedores de internet, atacar empresas a tiros, queimar veículos e romper cabos de fibra óptica, deixando os clientes sem internet. Ao todo, 40 pessoas foram presas em três fases da operação.
De acordo com o delegado-geral, Márcio Gutierrez, além de fechar provedores clandestinos de internet, a polícia também tem mirado patrimônios do crime organizado. Em parceria com os provedores e empresas de energia, os serviços de internet estão sendo reestabelecidos na localidade.
— Essa operação foi originada por troca de informações entre órgãos policiais. Temos fechado provedores clandestinos de internet. Vamos atrás dos criminosos, mas também vamos atrás do patrimônio dessas facções que buscam no Ceará e no resto do pais aferir mais lucros. Essa fase da operação mirou um grupo mais envolvido com a execução de atos de destruição — explica Gutierrez.
As ações são coordenadas pelo Departamento de Polícia Judiciária do Interior Norte (DPJI Norte) e o Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Publico do Estado do Ceará (Gaeco).
No último dia 14, a polícia informou que estava monitorando a atividade criminosa de integrantes do CV, tanto no estado do Rio de Janeiro quanto no Ceará, por ataques a empresas de internet em cidades cearenses. Um dos alvos presos, que não teve a identidade divulgada, era responsável por cooptar pessoas e financiar as ameaças e depredações a provedores de internet.
Conforme detalhado pelo delegado regional de Canindé, Cleiton Fernandes, os criminosos utilizam números com DDD do Rio de Janeiro para entrar em contato com as empresas do Ceará e fazer as ameaças. Eles cobram taxas para a operação do serviço nas cidades e, caso o provedor se nege a pagar, são atacados com tiros contra a fachadas das empresas, depredação e queima de veículos e rompimentos de cabos de fibra óptica, deixando os clientes sem internet.
— Os criminosos retiravam dinheiro da facção e passavam para as pessoas que iam atacar as empresas. Após a operação de hoje, as equipes da polícia estão nas áreas atacadas juntos aos servidores das empresas para restabelecer o serviço de internet — informou Fernandes.
Em depoimento à polícia, os criminosos não confirmaram se pretendiam instalar um servidor próprio de internet nas cidades, como forma de monopolizar e lucrar em cima do serviço clandestino. Quatro alvos apontados como mandantes dos crimes estão foragidos no Rio de Janeiro.
Segundo o delegado-geral, Márcio Gutierrez, a polícia está cruzando informações para entender a magnitude da atividade criminosa no Ceará.
— Tem informações que a gente só vai poder dizer no momento oportuno. A agora a gente vai fazer todo o levantamento para conectar as investigações e trocar informações, a fim de obter mais elementos do crime e que tipo de ação está sendo articulada pelos suspeitos. Até onde está fazendo de forma isolada e até onde há algo mais articulado — concluiu o delegado.
A Operação Strike mira integrantes do CV, organização criminosa do Rio de Janeiro, por ataques aos provedores de internet de Caridade, onde centenas de fios em postes foram destruídos, deixando 90% dos clientes sem o serviço. Os criminosos também atuam em tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, homicídios e outros crimes graves na região.
De acordo com as investigações, a facção exige dinheiro de operadoras de internet para permitir a oferta do serviço e promove ações de retaliação contra as provedoras que recusam pagar a “taxa”.
Primeira fase da operação
Na primeira fase da operação, 17 pessoas foram presas, entre elas cinco donos de operadoras clandestinas de internet, que atuavam a serviço do CV. Pelo menos oito ataques foram realizados nas últimas semanas em Fortaleza, Caucaia, São Gonçalo do Amarante e Caridade, sendo seis deles na última semana.
O primeiro alvo, um homem de 21 anos, foi preso no município de São Gonçalo do Amarante. Com ele, duas pistolas, dez munições cal. 40, celulares e eletrônicos também foram apreendidos. Ele foi conduzido para a sede da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), onde também foi autuado em flagrante por porte ilegal de arma.
Um segundo alvo, um homem de 30 anos que não teve a identidade divulgada, também foi preso. Ele era responsável por financiar a atividade criminosa e possui uma extensa ficha criminal por tráfico de drogas, associação para o tráfico, homicídio, posse ilegal de arma de fogo e receptação. Segundo a investigação, os dois são apontados como chefes da facção responsável por crimes no estado.
— É importante destacar que entre os presos, dois tem uma relevância maior. Um deles é o articulador dessas extorsões e ataques, e está diretamente ligado aos fatos que aconteceram na Região Metropolitana de Fortaleza. Já o segundo preso, que era o braço técnico do grupo, operava em um serviço de provedor que esse grupo criminoso mantinha para conseguir a captação de recursos — afirmou o delegado-geral, Márcio Gutierrez.
Os provedores de internet no Ceará chegaram a suspender as atividades em algumas regiões depois de sofrerem represálias. Ao menos quatro empresas foram atingidas.
