Após dois dias de caos nos mercados financeiros do mundo no fim da semana passada, provocado pelo anúncio de Donald Trump de tarifas comerciais sobre produtos importados pelos EUA de todos os países, esta segunda-feira tem tudo para ser mais um dia de forte impacto negativo nas negociações.
Num prenúncio, os contratos futuros para os principais índices dos EUA e da Europa despencavam na noite de ontem. No S&P 500, a queda era de 3,87% às 20h de Brasília.
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No mesmo horário, os futuros do Nasdaq, que concentra papéis de tecnologia, caíam 5,1%, e os do Dow Jones, 3,92%. Na Ásia, as bolsas abriram em queda.
O nervosismo aumenta com as retaliações de Pequim. Além de também impor 34% a produtos dos EUA, o governo de Xi Jinping afirmou ontem que tem margem para reduzir custos de empréstimos e exigências de reservas para seus bancos se for necessário proteger sua economia do impacto do tarifaço de Trump.
Já líderes europeus intensificaram seus contatos durante o fim de semana antes de os ministros de Comércio da União Europeia se reunirem hoje para definir a resposta do bloco.
— O mundo como o conhecíamos desapareceu — disse Keir Starmer, primeiro-ministro do Reino Unido, que não é mais parte do bloco e ficou com o Brasil no grupo com taxação básica de 10%.
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O Vietnã, quinto país mais taxado, enviou carta a Trump oferecendo suspender todas as tarifas sobre produtos americanos, e pediu adiamento da implementação da tarifa de 46% anunciada pela Casa Branca, segundo a agência Bloomberg.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, tem encontro marcado hoje com Trump em Washington para tratar, entre outros assuntos, da nova tarifa de 17% que os EUA previram para seu grande aliado. Mas o secretário de Comércio americano, Howard Lutnick, advertiu ontem que as novas tarifas que entram em vigor na quarta não estarão sujeitas a negociações e permanecerão ativas por meses:
— Não haverá adiamento. As regras não estão equilibradas, e o presidente Trump vai consertar isso.
O governo de Donald Trump informou ontem que mais de 50 países pediram para negociar a eliminação ou a redução das tarifas impostas por Washington a produtos importados pelos EUA, em conversas que, acrescentou a Casa Branca, podem levar meses.
Apesar de a maioria dos economistas prever um aumento da inflação e uma desaceleração da economia dos EUA como consequência das tarifas, a equipe econômica de Trump minimizou ontem os temores.
— Não vejo razão para precificarmos uma recessão — disse Scott Bessent, secretário do Tesouro dos EUA.
O presidente dos EUA, Donald Trump, defendeu na noite de ontem o que chama de “tarifas retaliatórias” e indicou que não pretende negociar com países que não ofereçam redução de suas taxas sobre produtos americanos.
Citando a China, principal alvo de sua estratégia protecionista, e a União Europeia, ele disse que não tem interesse em negociar as taxas impostas em sua nova política tarifária, a menos que as nações estejam dispostas a resolver o “problema do déficit” comercial que os EUA acumula. Ou seja, abrir seus mercados para produtos americanos baixando tarifas.
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Trump falou a repórteres a bordo do avião presidencial, o Air Force One. Segundo o canal americano NewsNation, ele argumentou que o déficit americano “passa de bilhões por país”, mas alcança a casa de “um trilhão” com a China.
— Nós precisamos resolver nosso déficit comercial com a China, perdemos centenas de bilhões de dólares por ano com eles. E, a menos que resolvamos isso, não vou fechar um acordo — afirmou Trump. — Agora, eu estou disposto a fechar um acordo com a China, mas eles precisam resolver o superávit deles.
Pelas novas taxas anunciadas pela Casa Branca no último dia 2, a China terá produtos sobretaxados em 34% nos EUA. Pequim retaliou imediatamente, impondo tarifas de iguais 34% sobre produtos americanos.
— Eles têm que pagar tarifas, porque, do contrário, esse superávit que eles têm conosco é insustentável. E estamos falando de um trilhão de dólares. Não vamos continuar perdendo um trilhão de dólares pelo privilégio de comprar lápis da China — disse Trump.
Citando a União Europeia e outros países, o presidente americano afirmou que quer resolver “o problema do déficit” e está aberto a dialogar:
— Eles vão ter que resolver isso. E, se quiserem conversar sobre isso, estou aberto a dialogar. Mas, fora isso, por que eu conversaria?

