Belford Roxo, sexta maior cidade do estado do Rio, com 483 mil habitantes, está em patamar crítico de desenvolvimento, aponta o Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal (IFDM), já que o município da Baixada Fluminense pontuou abaixo de 0,4 pontos. Esta é a única cidade do estado, entre as 92, a ficar no pior patamar da classificação.
- Índice Firjan: RJ é único estado do Sudeste sem cidades com alto patamar de desenvolvimento socioeconômico
- Debilitado: Tucano que teve asas cortadas para que não voasse é resgatado numa casa da Baixada Fluminense
Nenhum município fluminense foi classificado com grau de desenvolvimento alto, o mais elevado dos quatro níveis do IFDM de 2023, divulgado nesta quinta-feira pela entidade. O Rio é o único estado do Sudeste que não teve cidades nesse patamar. O estudo analisa dados de estatísticas públicas oficiais de três áreas: saúde, educação e geração de emprego e renda. No novo levantamento, a capital está na primeira colocação no Estado do Rio, posição que mantém desde 2016. No entanto, na lista dos 5.550 municípios brasileiros analisados no estudo, a cidade ocupa o 295º lugar. Na outra ponta, está Belford Roxo.
O Índice mede de 0 a 1 ponto, sendo que, quanto mais próximo de 1, maior o desenvolvimento socioeconômico. Através dessa metodologia, é possível avaliar os municípios num contexto geral, assim como nos critérios escolhidos pela Federação das Indústrias (Educação, Emprego e Renda e Saúde). Os indicadores são separados em quatro conceitos: entre 0 e 0,4 é considerado desenvolvimento crítico; entre 0,4 e 0,6, desenvolvimento baixo; de 0,6 a 0,8, desenvolvimento moderado; e entre 0,8 e 1, desenvolvimento alto.
De acordo com os critérios escolhidos para a metodologia, a saúde puxou a avaliação sobre Belford Roxo para baixo. O índice medido nesse critério marcou 0,27 pontos. Para quem mora na cidade, a percepção é de que há falta de oferta nos serviços básicos.
Para a comerciante Damiana Lemos, a saúde da Belford Roxo está deixando a desejar. Ela conta que sua filha, grávida de oito meses, não conseguiu sequer realizar os exames de pré-natal na cidade. Foi preciso de deslocar até Vilar dos Teles, na cidade vizinha de São João de Meriti, para ser atendida. Avó de um menino com transtorno do espectro autista, Damiana ainda vê a família enfrentar dificuldades na Educação.
— Está muito difícil para ele estudar. Não tem professora para acompanhar as atividades. E ele está ficando meio período porque não tem apoio, vai na parte da tarde, às 13h, e às 15h já está em casa — desabafa.
Já Beatriz Nascimento, que vive no bairro Santa Maria, relata que se desloca para a capital quando precisa de atendimento médico, devido à dificuldade de ser amparada numa unidade na sua própria cidade. Mas a moradora elege a falta de saneamento básico como o pior problema do município. Em épocas de chuvas, ela coleciona relatos de vezes em que fica presa em casa, com as enchentes.
Num episódio recente, em fevereiro, estante e guarda-roupa foram perdidos com a água e, por isso, Beatriz tomou uma medida drástica, substituindo a madeira dos móveis por outro material:
— Depois da chuva, a gente não consegue fazer nada porque perde geladeira, armário, sofá. Eu perdi tudo nessas últimas chuvas e estou reconstruindo agora. Inclusive, comecei a pegar blocos de concreto para reconstruir o meu guarda-roupa.
Nos outros critérios apresentados pela Firjan, Belford Roxo também amarga colocações ruins. Em educação, o município teve 0,43 pontos, de baixo desenvolvimento. Já em emprego e renda, 0,45 pontos, também considerado baixo. Moradores relatam que há falta de oportunidades de emprego na cidade.
— Aqui em Belford Roxo é muito difícil, já tentei várias vezes e não consegui (trabalho). Acabei conseguindo trabalhar no Rio — conta Caroline Carvalho, também moradora do bairro Santa Maria.
Em nota, a prefeitura de Belford Roxo afirma que a atual administração, ao assumir em janeiro, encontrou o município com uma dívida de R$ 1 bilhão, “além de serviços públicos funcionando precariamente” e que tem “se empenhado para melhorar a qualidade da Saúde e da Educação, inaugurando, reformando e equipando unidades”.
*Estagiário sob supervisão de Giampaolo Morgado Braga
