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Trump quer o ‘Made in USA’ de volta. Mas país tem indústria e logística para isso? Entenda desafios

BRCOM by BRCOM
junho 5, 2025
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Fábrica da Saitex em Dong Nai, Vietnã. Produção de 500 mil jeans por mês supera em mais de sete vezes o volume da unidade nos EUA — Foto: Linh Pham/The New York Times

O presidente Donald Trump iniciou uma guerra comercial global com a promessa de trazer empregos e fábricas de volta aos EUA. Muitos empresários duvidam. Sanjeev Bahl, no entanto, mantém esperança. De sua fábrica em Los Angeles, onde produz 70 mil calças jeans por mês para marcas como Everlane e Ralph Lauren, ele defende a retomada da manufatura americana. Mas admite: o modelo só é viável porque sua empresa, a Saitex, opera uma planta muito maior no Vietnã, que fabrica 500 mil peças mensais.

As tarifas de Trump desorganizaram cadeias de suprimentos, afetaram empresas e concentraram a atenção dos líderes corporativos em uma questão: os EUA têm o que é preciso para trazer os empregos de volta?

Em muitos setores, essa tarefa levaria anos — ou até décadas. Falta quase tudo nos EUA em termos de ecossistema de manufatura: trabalhadores, capacitação, tecnologia e apoio do governo.

“Existem algumas realidades duras”, disse Matt Priest, CEO da Footwear Distributors and Retailers of America, uma associação do setor calçadista.

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A estratégia de Trump é incerta. Apesar de dizer que não busca produzir tênis e camisetas nos EUA, suas tarifas mais altas – incluindo uma de 46% sobre o Vietnã – atingem justamente países que exportam roupas e calçados para os americanos.

Consideradas ilegais por uma corte, as tarifas seguem em disputa judicial. Trump, por sua vez, promete seguir alterando as regras do comércio. A política revela os desafios de aproximar produção e consumo, expostos na pandemia, quando fábricas fecharam na Ásia e cadeias logísticas colapsaram.

Para Bahl, da Saitex, o caos provocado pelas políticas comerciais de Trump trouxe urgência renovada aos desafios de gerir cadeias de suprimento globais.

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Não existem nos EUA tecelagens na escala necessária para a indústria, nem grandes fornecedores de zíperes e botões. O custo de manter uma fábrica é alto. E há ainda o problema da mão de obra: simplesmente não há trabalhadores suficientes.

As fábricas americanas já enfrentam dificuldades para preencher cerca de 500 mil vagas na manufatura, segundo estimativas de economistas do Wells Fargo. Eles calculam que, para voltar ao pico da participação da indústria no emprego registrado nos anos 1970 — uma meta mencionada por Trump —, novas fábricas teriam que ser abertas e contratar 22 milhões de pessoas. Atualmente, há 7,2 milhões de desempregados no país.

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A repressão de Trump à imigração agravou a situação. Os empregos industriais migraram para países como o Vietnã, que têm populações jovens em crescimento e gente disposta a trabalhar para sair da pobreza. O futuro que Trump imagina, com milhões de empregos industriais, teria que incluir imigrantes em busca da mesma oportunidade nos EUA.

Fábrica da Saitex em Dong Nai, Vietnã. Produção de 500 mil jeans por mês supera em mais de sete vezes o volume da unidade nos EUA — Foto: Linh Pham/The New York Times

Steve Lamar, CEO da Associação Americana de Vestuário e Calçados, uma entidade do setor, disse que há uma diferença entre a “visão romântica sobre a manufatura” e a realidade da mão de obra disponível nos EUA.

“Muita gente diz que deveríamos fazer mais roupas nos EUA, mas quando você pergunta, elas não querem trabalhar na fábrica — nem querem que seus filhos trabalhem”, afirmou. “O problema é que não há mais ninguém por perto”, acrescentou.

Na fábrica da Saitex em Los Angeles, a maioria dos trabalhadores vem de países como México, Guatemala e El Salvador. É difícil produzir em grande escala nos EUA. Para Bahl, a questão se resume ao custo de um operador de máquina de costura. Em Los Angeles, esse profissional ganha cerca de US$ 4.000 por mês. No Vietnã, US$ 500.

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  • Empresas americanas defendem fim das tarifas
      • Trump quer o ‘Made in USA’ de volta. Mas país tem indústria e logística para isso? Entenda desafios

Empresas americanas defendem fim das tarifas

Se Trump quiser mesmo trazer os empregos de volta, Bahl defende que ele conceda isenções tarifárias para empresas como a Saitex, que já estão fazendo mais nos Estados Unidos. Fábricas americanas como a dele não podem crescer sem importar muitos dos insumos necessários à produção final.

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A própria Saitex envia fardos de algodão americano ao Vietnã, onde sua tecelagem de dois andares transforma o algodão em fio e, depois, em rolos de tecido tingido. Esse tecido é então enviado de volta para a fábrica em Los Angeles.

Até que haja um impulso suficiente de empresas produzindo nos EUA, o tecido, os zíperes e os botões continuarão tendo que ser importados.

Transferir a produção do exterior exigiria investimentos enormes. A Saitex já investiu cerca de US$ 150 milhões no Vietnã, onde a fábrica recicla 98% da água, seca os jeans ao ar livre e usa tecnologia para reduzir emissões de CO₂ e práticas intensivas em trabalho. Nos EUA, foram cerca de US$ 25 milhões investidos. Esses compromissos levam ao menos sete anos para gerar retorno, segundo Bahl.

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No fim das contas, se Trump mantiver a tarifa de 46% sobre o Vietnã e a Saitex não conseguir minimizar o impacto financeiro, a empresa teria que buscar outros mercados para vender o que produz no país asiático — como a Europa, que já recebe cerca da metade da produção.

“Mas então”, disse Bahl de Los Angeles, “o que acontece com a nossa fábrica aqui?”

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