Manobras radicais sobre rodinhas de skates, na modalidade street, dominaram a cena ontem na Vila Olímpica do Encantado. Skatistas participaram pela nona vez do Intercolegial, e o esporte atrai cada vez mais feras para a disputa e plateia para as apresentações. Dois nomes se destacam entre os estudantes, já fazendo carreira internacional e inspirando os colegas. Ao lado de Rayssa Leal na seleção brasileira, Duda Ribeiro, do Santa Mônica, lamentou não ter participado este ano, porque está no Mundial do esporte, na Itália. Já Matheus Mendes, da Rede Daltro, chegou dos Estados Unidos a tempo de competir no 43º Intercolegial, uma realização do jornal O GLOBO, com apresentação do Sesc-RJ.
A competição de skate teve três categorias (sub-10, sub-14 e sub-18), para meninas e meninos. As pistas receberam campeões estaduais que executaram manobras de alto nível. Além da trilha sonora, o evento contou com os narradores Bruno Funil, locutor de grandes eventos do skate; e Belzz, referência de voz feminina nas pistas. A novidade este ano foi a adoção do sistema digital de notas Skatesystem, presente nos grandes campeonatos. A arbitragem foi formada por uma equipe treinada pela Federação de Skate do Estado do Rio.
— O esporte está cada vez mais popular, com um número grande de inscritos. Já tendo revelado os talentos de Duda e Matheus, o Intercolegial teve nomes como Bibi Oliveira e Daniel Andrade entre os destaques este ano — disse Bruno Funil, coordenador do skate do Intercolegial.
Mês passado, Matheus, de 15 anos, ficou em segundo lugar no STU Florianópolis, a competição mais importante de skate no país. Semana retrasada, competindo com skatistas do mundo todo em um nível altíssimo, ficou em quarto lugar no Jackalope Festival, em Virgínia Beach, nos Estados Unidos, depois de ter passado em segundo para a semifinal, em primeiro para a final e em segundo para a superfinal.
— Já faz uns quatro anos que participo do Intercolegial. É um evento superimportante para as categorias de base, principalmente pelo apoio que as escolas dão aos atletas, como bolsas escolares e todo o suporte de que precisamos para participar. É o terceiro ano que fui pela Rede Daltro de Ensino — contou o atleta, que estuda na unidade de Jacarepaguá.
Treinador de Duda e pai de Daniel Andrade, de 8 anos, Clecio Martins, diretor do Santa Mônica do Recreio e técnico do skate de toda a rede, elogiou a nova edição do Intercolegial:
— A tradição do skate é muito grande. Desde o primeiro Intercolegial que teve skate, o Santa Mônica participou e foi campeão, sempre com muitos títulos. Ano passado ganhamos todas as categorias. Este ano tivemos 16 atletas, alguns mais iniciantes e pelo menos dez com um nível bacana, já disputando campeonatos.
Martins salientou que Daniel e Duda são campeões estaduais e brasileiros em suas categorias:
— Ele na infantil masculino sub-8, e ela como campeã da principal categoria antes da profissional, a amadora. A Duda está em um nível muito alto e foi para Roma tentar vaga nas Olimpíadas. Ela é uma referência para nossos atletas, inspirando quem anda de skate a competir; e o Daniel, com tão pouca idade, inspira crianças a começarem a andar de skate.
Duda lamenta ter ficado de fora da festa. Aos 16 anos, ela é aluna da unidade de Maricá do Santa Mônica.
— Eu participei do Intercolegial por dois anos pelo Santa Mônica, e essas competições foram muito importantes para minha formação como atleta. O professor Clecio sempre acreditou no meu potencial, e logo no meu primeiro ano me colocou na categoria sub-18, o que me desafiou bastante. Mas com muito treino, dedicação e apoio, tivemos um bom resultado, e isso me fez acreditar e buscar melhorar ainda mais. Agradeço muito a ele e ao Santa Mônica por esse incentivo e pela oportunidade — diz a atleta. — Este ano não pude participar do Intercolegial porque estou em Roma, para disputar o Mundial com a seleção brasileira. É a realização de um sonho poder representar o Brasil e competir com as melhores skatistas do mundo. Vou dar o meu melhor lá, e torci pelos meus amigos que participaram do Intercolegial.

