A Warner Bros. Discovery está se dividindo ao meio, separando sua crescente operação de streaming dos canais tradicionais de mídia, que vêm enfrentando dificuldades, e criando duas empresas independentes que poderão buscar negócios de forma autônoma.
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A nova divisão chamada Global Networks, incluirá entretenimento, esportes e dezenas de marcas de TV a cabo, como CNN, TNT e TBS, e será comandada pelo diretor financeiro Gunnar Wiedenfels. Ela vai deter uma participação de 20% na outra empresa, chamada Streaming and Studios, que será liderada pelo CEO David Zaslav, e utilizará os recursos vindos dessa unidade para reduzir a dívida, informou a empresa em comunicado nesta segunda-feira.
A medida desfaz boa parte da fusão realizada em 2022, que uniu a WarnerMedia da AT&T — que inclui estúdios de cinema icônicos e franquias de TV — com a Discovery, conhecida por documentários e programas de reality show.
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O acordo criou uma empresa sobrecarregada por dívidas justamente quando a TV a cabo, seu principal negócio na época, perdia rapidamente audiência e receitas publicitárias.
“A decisão de separar a Warner Bros. Discovery reflete nossa crença de que cada empresa agora pode ir mais longe e mais rápido sozinha do que juntas”, disse Zaslav em uma ligação com investidores. Ele acrescentou que cada negócio atrairá perfis muito diferentes de investidores.
A Warner Bros. já havia reformulado sua estrutura organizacional no final do ano passado, dividindo-a em duas unidades, à medida que os consumidores migravam da tradicional TV paga para novas opções on-line.
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O anúncio desta segunda-feira representa mais um passo nesse esforço e permitirá que cada unidade “busque oportunidades importantes de investimento e aumente o valor para os acionistas”, disse Wiedenfels em comunicado.
As ações chegaram a subir até 13% na abertura do mercado em Nova York, mas reduziram parte desses ganhos até o meio da manhã.
A divisão Global Networks incluirá alguns ativos de streaming, como o Discovery+ e a plataforma de notícias em streaming da CNN, que está sendo planejada, além dos direitos de transmissão esportiva da Warner Bros. A empresa também abrigará uma parte significativa da dívida de quase US$ 35 bilhões da Warner Bros.
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Zaslav afirmou que a Global Networks continuará gerando “fluxo de caixa significativo”, que será usado principalmente para quitar a dívida.
Separadamente, a Warner Bros. anunciou que levantará um empréstimo-ponte de US$ 17,5 bilhões junto ao JPMorgan Chase & Co., que deverá ser recapitalizado antes da cisão. A Warner Bros. já reduziu quase US$ 20 bilhões de sua dívida.
Os grupos de mídia dos EUA têm enfrentado dificuldades para melhorar sua lucratividade diante da dispendiosa guerra do streaming contra a Netflix e a Amazon Prime. A Comcast seguiu caminho semelhante, dividindo a NBCUniversal em duas partes: a Versant — que ficará com canais a cabo como MSNBC e USA — e o restante, incluindo a rede de TV aberta NBC, o serviço de streaming Peacock e os parques temáticos da Universal Studios.
Analistas preveem uma onda de consolidações à medida que as empresas tentam se recuperar da desaceleração pós-pandemia. A Warner Bros. registrou queda na receita e no número de assinantes em sua divisão de canais a cabo, e suas ações sofreram. Os papéis da empresa acumulavam queda de 7% até o fechamento da última sexta-feira e mais de 60% desde a fusão há três anos.
