BRcom - Agregador de Notícias
No Result
View All Result
No Result
View All Result
BRcom - Agregador de Notícias
No Result
View All Result

‘guerra do barulho’ atormenta do Centro à periferia em SP e vira alvo de CPI e abaixo-assinados

BRCOM by BRCOM
junho 10, 2025
in News
0
Baile em Heliópolis, em maio: milhares de frequentadores e diferentes estilos musicais — Foto: Guilherme Queiroz / O GLOBO

Com festas que varam a madrugada nos fins de semana, o Vale do Anhangabaú, no Centro de São Paulo, é o mais novo palco de uma “guerra do barulho” na cidade. Moradores inconformados com o som e as luzes que atingem apartamentos a mais de um quilômetro de distância fazem abaixo-assinados para tentar restringir os eventos. Mas os conflitos do barulho não se restringem à região central: existem também em bairros nobres e periferias, meses após a prefeitura ter afrouxado a legislação e “liberado geral” o ruído de shows e eventos de grande porte.

A professora Bárbara Oliveira, 47 anos, mora no 12º andar do Edifício Planalto, a mais de um quilômetro do Anhangabaú, localizado bem no coração da cidade. O sonho de viver no icônico prédio projetado por Artacho Jurado, porém, virou um tormento nos últimos meses: festas que duram mais de 12 horas com músicas eletrônicas alta por toda a madrugada provocam noites em claro, estresse e reclamações na prefeitura — que, segundo afirma, não têm surtido efeito.

Ela conta que os eventos se intensificaram desde o fim do ano passado e, a partir de maio, passou a ocorrer festas em todos os finais de semana. O Vale do Anhangabaú, desde 2021, é administrado por um consórcio privado dos mesmos sócios da WTorre, dona do Allianz Parque — um dos locais mais beneficiados pelo afrouxamento da lei do barulho. Desde a concessão, aumentou a frequência de festas e shows fechados no espaço.

— A festa passada foi das 19h às 8h da manhã. Às 3h, eles aumentam o barulho porque vêm os DJs mais famosos. Aí é uma insanidade, mesmo com janela antirruído o barulho atravessa a parede. Você passa sem dormir de sexta para sábado e de sábado para domingo. Na segunda, fica como? E tem uma angústia de não conseguir ficar dentro da própria casa… Eu não recebo mais visita. Além do barulho, tem as luzes — desabafa.

Em dezembro, a legislação da cidade passou a excluir shows e eventos de grande porte da fiscalização por barulho. Basta que essas festas e apresentações tenham sido autorizadas pela prefeitura previamente. Como ligar para o 156, canal de reclamações da prefeitura, deixou de fazer sentido, a alternativa tem sido ligar para a Polícia Militar, que ainda pode atuar contra eventual crime de perturbação de sossego.

A alteração da lei, proposta pelo prefeito Ricardo Nunes (MDB) e aprovada em dezembro em um “pacotão” de projetos de fim de legislatura, incluiu essa categoria de eventos na lista de exceções ao cumprimento do limite de até 65 decibéis de ruído. Antes, as exceções se limitavam a manifestações religiosas, comemorações oficiais, reuniões desportivas, festas carnavalescas e juninas, passeatas, desfiles, fanfarras e bandas de música.

Moradora da Rua Japurá, na Bela Vista, a cineasta Thais Taverna, de 42 anos, também tem sofrido com o ruído das festas do Anhangabaú desde que se mudou para o entorno, há dois meses. Ela criou uma página no Instagram em que compartilha vídeos mostrando o nível da perturbação que a música alta e as luzes constantes geram em seu prédio e na vizinhança. Nas últimas semanas, circula nas portarias dos prédios da região um abaixo-assinado de pessoas afetadas pelo barulho. A ideia é encaminhar o documento e vídeos que mostram o som alto ao Ministério Público (MP-SP).

— A gente espera que a prefeitura tome uma posição diante deste caso. O prefeito tem dito que os eventos estão gerando economia, empregos. Eu acredito muito nos eventos de rua e o Centro tem que sim ser ocupado, mas é preciso entender o que está acontecendo no entorno. Em maio, teve festa todo fim de semana, não dá para dormir, as ondas sonoras fazem o prédio reverberar — reclama Thaís.

Nesta semana, ao ser questionado sobre as queixas, Nunes afirmou desconhecer a presença de moradores no perímetro do Vale — embora o local seja cercado de prédios — e disse que é necessário “compartilhar” o espaço, destacando que desde a concessão o local passou a receber mais eventos e, com isso, o Centro passou a ser mais ocupado.

— Eu desconheço moradores ao redor do Anhangabaú. A cidade precisa ter as suas ações que geram emprego, renda e condições para que as pessoas possam ter acesso à cultura e se divertir. Se existe alguma reclamação pontual, evidentemente a prefeitura está sempre aberta para escutar, organizar e minimizar. Mas é uma área importante para as atividades culturais da cidade, não tem como abrir mão disso — falou a jornalistas na segunda-feira, durante visita ao Smart Sampa.

Em nota, a empresa Viva o Vale, que administra o espaço, afirmou que está “adotando medidas importantes para melhorar ainda mais a convivência entre as atividades culturais e o cotidiano da cidade”, e anunciou que vai reorientar os palcos para reduzir a dispersão sonora para a vizinhança, além de fazer um “mapa de tráfego de veículos e pedestres durante montagem e desmontagem dos eventos” para garantir mais fluidez nas operações.

“É fundamental esclarecer que todos os eventos realizados no Vale do Anhangabaú seguem rigorosamente a legislação vigente e são executados com todas as documentações e autorizações necessárias, de acordo com as normas municipais”, destacou a concessionária.

A prefeitura afirma que o Vale recebe cerca de 5 mil atividades gratuitas por ano. “Na última quarta-feira (4), representantes da Secretaria Municipal das Subprefeituras e da concessionária Viva o Vale discutiram ajustes e medidas para minimizar os incômodos aos frequentadores e moradores vizinhos do Anhangabaú durante grandes eventos. Entre os assuntos tratados estão alterações nas rotas de pedestres e no posicionamento dos palcos. A pasta reforça que, quando emitido um alvará para eventos, são apresentadas as normas e exigências necessárias”, diz a gestão.

Conteúdo:

Toggle
  • Pancadões viram alvo de CPI
      • ‘guerra do barulho’ atormenta do Centro à periferia em SP e vira alvo de CPI e abaixo-assinados

Pancadões viram alvo de CPI

As queixas sobre barulho se espalham pela cidade. Morador do 14º andar de um prédio na Vila Medeiros, na Zona Norte, o empresário Guilherme de Oliveira Felipe, de 33 anos, decide se deve ou não desembolsar ao menos R$ 6 mil para instalar janelas antirruído no apartamento. Nas madrugadas de sábado para domingo, um baile funk em uma rua a poucos metros do prédio, frequentado por centenas de jovens, tem impedido as noites de sono.

Dentro do apartamento, Guilherme, a esposa e o filho de três anos não conseguem assistir à televisão enquanto, na rua, os frequentadores dançam. A situação de Felipe é o tema da primeira CPI da Câmara de Vereadores na nova gestão de Ricardo Nunes (MDB).

— Em feriados nem dormimos em casa. Vou para a casa da minha sogra, em Osasco, porque já sabemos que o barulho será mais alto — diz Felipe.

No mês passado, a Câmara Municipal instalou uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar os pancadões. Nesta quinta, porém, os vereadores aprovaram o envio de um pedido de informações para a concessionária Viva o Vale sobre as queixas de barulho. A CPI escancara o conflito do ruído na cidade de São Paulo: de um lado, milhares de jovens que vivem em áreas carentes de equipamentos culturais e encontram nos bailes espaços gratuitos para se divertirem e, do outro, famílias que perdem noites de sono.

Baile em Heliópolis, em maio: milhares de frequentadores e diferentes estilos musicais — Foto: Guilherme Queiroz / O GLOBO

A CPI surgiu por iniciativa do vereador Rubinho Nunes (União Brasil), cujo mandato foi cassado em maio, que afirmava que a ideia é apurar quem organiza e lucra com as festas nas ruas das periferias, além da “omissão de órgãos públicos na fiscalização” dos eventos. Estridente, o vereador chamava donos de bares, adegas e responsáveis pelos paredões que levam o som para as ruas de “criminosos” e dizia que o objetivo da CPI é “acabar com os bailes”.

— Queremos propor uma legislação séria que garanta que esses criminosos não voltem a atuar e criar políticas públicas para a prefeitura a fim de atingir esse objetivo e, claro, levar à justiça pessoas que eventualmente estejam contribuindo com esse caos — dizia o vereador.

Com relação aos pancadões, a prefeitura informa que a Guarda Civil Metropolitana (GCM) “presta apoio nas ações de fiscalização destinadas a coibir festas clandestinas” e que os munícipes podem solicitar vistorias em estabelecimentos que descumpram a lei do silêncio por meio do portal 156.

A gestão Ricardo Nunes (MDB) criou em 2023 uma coordenadoria de Políticas Públicas do Funk. O órgão, parte da Secretaria Municipal de Cultura, seria responsável por valorizar o funk como “manifestação cultural da cidade” e teve um evento de lançamento de pompa no Theatro Municipal, com a participação de artistas famosos no gênero.

Rubia Mara, que esteve à frente da coordenadoria desde a sua criação, afirma que a prefeitura elabora um edital que quer propor eventos em diversos espaços públicos da cidade voltados para o funk, como uma forma de apresentar uma alternativa aos bailes de rua. Segundo a secretaria de Cultura, o edital mencionado por Rubia, que deve fomentar festivais de funk, deve ser publicado no segundo semestre.

— Temos que lembrar que festa clandestina não é só o funk. O funk está em evidência pelo lugar que tem hoje. Mas o pancadão tem diversos outros estilos musicais. A sociedade é feita de pessoas que amam e que odeiam o funk. Na minha visão, a melhor forma de resolver a questão (dos bailes) é por meio da coordenadoria — diz Rubia.

A capital paulista conta com bailes que lançaram artistas ao estrelato e tornam famosas as festas, frequentemente citadas em letras de funks que se tornaram hits. Entre os mais famosos estão o baile da Marcone, na Zona Norte, o Baile da DZ7, que ocorre na favela de Paraisópolis, na Zona Sul e Baile do Helipa, na favela de Heliópolis, também na Zona Sul.

O Helipa atrai todos os finais de semana milhares de pessoas. O baile foi o celeiro de DJs como Kaique Alves Vieira, o DJ K, que lançou em 2023 o álbum Pânico no Submundo, que chamou atenção da crítica internacional e levou o jovem de 24 anos a tocar em diversos países da Europa.

— O Baile de Helipa é um movimento cultural, não só do funk, mas um movimento cultural dos jovens em si e aquele lugar representa uma virada de chave na minha vida — diz Kaique Alves Vieira.

No Helipa, quatro ruas são as mais conhecidas por contarem com a presença dos paredões de som.

— Cada rua tem uma galera diferente. Tem as minas de vestido e salto alto. Tem o forró, sertanejo. E tem rua que toca o funk do estilo bruxaria (uma das vertentes mais experimentais do gênero, com músicas que remetem a uma atmosfera de filmes de terror, com agudos e graves intensos) ou os estilos que mais bombam no TikTok — explica Gabriel Afonso, 26 anos, conhecido como DJ Muttley, outro artista que começou a carreira na região.

‘guerra do barulho’ atormenta do Centro à periferia em SP e vira alvo de CPI e abaixo-assinados

Previous Post

Mateus Aleluia, que fez história nos Tincoãs, lança quinto álbum solo

Next Post

‘Fui aliciada por uma amiga’, conta brasileira vítima de tráfico humano em Mianmar

Next Post
Vista do local onde a brasileira era obrigada a trabalhar sem qualquer remuneração, no Estado do Karen, em Mianmar — Foto: Divulgação

'Fui aliciada por uma amiga', conta brasileira vítima de tráfico humano em Mianmar

  • #55 (sem título)
  • New Links
  • newlinks

© 2026 JNews - Premium WordPress news & magazine theme by Jegtheme.

No Result
View All Result
  • #55 (sem título)
  • New Links
  • newlinks

© 2026 JNews - Premium WordPress news & magazine theme by Jegtheme.