Com 21 anos de história, o Mimo chega à sua oitava edição carioca apostando na descentralização das atividades culturais. Na sexta (20) e no sábado (21), a Zona Norte se transforma em ponto de encontro para quem busca boa música, cultura popular e reflexão. A região vai receber nomes consagrados da MPB como Jards Macalé, Lia de Itamaracá, Cláudio Jorge e Guinga, além de rodas de conversa que celebram a arte e o pensamento suburbano.
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A agenda começa na sexta na Arena Carioca Jovelina Pérola Negra, na Pavuna, com set do DJ Pedro D-Lita, às 19h. Em seguida, às 20h, será a vez de Lia de Itamaracá, uma das maiores representantes da ciranda no Brasil, que apresenta o show “Ciranda no mundo”, com repertório baseado no álbum “Ciranda sem fim”.
— Será minha primeira vez na Jovelina, um espaço que leva o nome de uma mulher negra muito importante para a música brasileira. É uma honra me apresentar ali — afirma a artista pernambucana.
No sábado, a programação se espalhará por dois bairros. Na Arena Dicró, na Penha, o DJ Marcello MBGroove abrirá os trabalhos às 17h, seguido por Pedro D-Lita, às 19h. Às 20h, quem assumirá o microfone será o cantor e compositor Jards Macalé, que revisita o repertório completo de seu álbum de estreia lançado em 1972, com faixas como “Hotel das estrelas”, “Soluços”, “Vapor barato” e “Mal secreto”. A apresentação mantém a improvisação e a liberdade da gravação original, unindo clássicos do álbum e músicas de diferentes fases da carreira do artista.
— Já participei de edições do Mimo em Olinda, em Portugal e no Rio. Agora, pela primeira vez, estarei na Arena Dicró. Estou animado para encontrar esse novo público — diz Macalé.
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Ainda no sábado, o Leão Etíope do Méier vai estrear como espaço parceiro do festival. Às 20h30, o professor e ensaísta João Cezar de Castro Rocha comandará a roda de conversa “Territórios da invisibilidade: Machado de Assis e os subúrbios do Rio”, que propõe uma reflexão sobre a representação das periferias na literatura brasileira. Às 21h, Cláudio Jorge & Guinga apresentarão o show “Farinha do mesmo saco”, que reúne canções autorais e memórias afetivas de suas infâncias vividas no subúrbio carioca.
— Vamos levar nosso álbum dedicado às nossas lembranças suburbanas. Guinga é de Madureira; e eu, do Cachambi. O repertório terá as canções do álbum acrescidas do repertório autoral de cada um. Será uma boa oportunidade de levar nosso trabalho ao Méier, bairro que fez parte do nosso início de carreira. E participar do Mimo através de um grupo cultural tão importante como o Leão Etíope é motivo de grande alegria — afirma Cláudio Jorge.
Lu Araújo, idealizadora e diretora artística do Mimo Festival, reforça o papel do evento na democratização do acesso à cultura:
— Levar o Mimo à Zona Norte é reafirmar nosso compromisso com territórios historicamente carentes de investimento cultural. As Arenas Cariocas e o Leão Etíope são espaços de resistência que precisam e merecem apoio. É uma alegria enorme levar essa programação de alta qualidade para esses lugares.
